{"id":88791,"date":"2014-11-25T09:52:21","date_gmt":"2014-11-25T12:52:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=88791"},"modified":"2014-11-25T09:52:21","modified_gmt":"2014-11-25T12:52:21","slug":"o-que-estamos-fazendo-com-nossas-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2014\/11\/25\/o-que-estamos-fazendo-com-nossas-criancas\/","title":{"rendered":"O QUE ESTAMOS FAZENDO COM NOSSAS CRIAN\u00c7AS?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/FOTO-ARTIGOS-JULIO-GOMES.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"250\" \/>Causa-me profunda preocupa\u00e7\u00e3o o que vejo nos dias de hoje, relacionado \u00e0 forma como criamos e como est\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o de tal cria\u00e7\u00e3o, se conduzindo nossas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Vamos deixar que os fatos falem. Domingo, dia 23\/11\/2014, estive em um local pr\u00f3ximo \u00e0 Ilh\u00e9us, Bahia, onde h\u00e1 um rio em que as pessoas se banham. Ao l\u00e1 chegar, encontrei cerca de 30 crian\u00e7as com idades entre seis a doze anos, sem nenhum adulto por perto para olh\u00e1-las. Sendo da comunidade local, brincavam na \u00e1gua de sunga ou biqu\u00edni.<\/p>\n<p>Observei que um menino com oito a dez anos se aproximou de uma menina de mesma idade, e nas \u00e1guas escuras do rio come\u00e7ou a \u201cpeg\u00e1-la\u201d, diga-se, sem qualquer rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria por parte da menina. Havia bares por perto, e o fundo musical era algo como mete, quica, chupa e coisas do g\u00eanero, a tocar por horas seguidas. Como tudo era consensual, me limitei a observar.<\/p>\n<p>No mesmo dia, \u00e0 tarde, fui para uma praia situada na cidade de Ilh\u00e9us, em companhia de familiares. Foi quando me surpreendi novamente ao ver passar uma menina de uns oito ou nove anos com um biqu\u00edni vermelho, adulto, com a parte traseira de completamente \u201cenfiada\u201d entre os gl\u00fateos, copiando o padr\u00e3o de uso das mulheres ali presentes.<\/p>\n<p>Fiquei me perguntando: onde estaria a m\u00e3e, que n\u00e3o via tal coisa? Passado pouco tempo, uma mulher \u2013 n\u00e3o sei se m\u00e3e da menina \u2013 surgiu para banh\u00e1-la no chuveiro de praia, a fim de irem embora. Para minha surpresa, nem uma palavra, nem um olhar, nem uma reprimenda ou simples orienta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 atitude da crian\u00e7a. Para aquela mulher tratava-se da coisa mais normal do mundo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Talvez aos 49 anos eu seja algu\u00e9m extremamente careta, um superconservador sem lugar no mundo de hoje. Mas o fato \u00e9 que n\u00e3o consigo entender nem aceitar como em um Brasil com tantas viol\u00eancias sexuais contra crian\u00e7as, veiculadas diariamente pela m\u00eddia com base em boletins de ocorr\u00eancia e em estat\u00edsticas policiais, as m\u00e3es e os familiares n\u00e3o as orientam, n\u00e3o as moderam, n\u00e3o as protegem!<\/p>\n<p>N\u00e3o senhor, desta vez n\u00e3o venha culpar aos pol\u00edticos. Tampouco aos professores, ou mesmo ao \u201csistema\u201d. Absolutamente, n\u00e3o!<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o de cada crian\u00e7a cabe \u00e0 sua fam\u00edlia, e somos n\u00f3s, o povo, os pais, as m\u00e3es, as fam\u00edlias, que estamos permitindo que tais coisas aconte\u00e7am. Juntamente com as novelas e com as m\u00fasicas, enfiamos sexo o tempo todo pela garganta de nossas crian\u00e7as &#8211; e sexo da pior qualidade poss\u00edvel, da mais baixa sensualidade &#8211; totalmente desprovido de amor ou de qualquer outro sentimento afetivo.<\/p>\n<p>A impress\u00e3o que tenho \u00e9 que somos irracionais fabricando mais e mais irracionalidade. O que reclamar ou cobrar destas crian\u00e7as? Como esperar que elas venham a ter limites? Que caminhos uma sexualidade t\u00e3o precoce trilhar\u00e1? Como evitar uma gravidez ou uma DST (doen\u00e7a sexualmente transmiss\u00edvel) ainda na primeira adolesc\u00eancia? Como esperar que estas crian\u00e7as pensem em amor, se s\u00f3 lhes ensinamos sexo?<\/p>\n<p>Estamos fazendo algo da maior gravidade contra nossas pr\u00f3prias crian\u00e7as, que n\u00e3o t\u00eam meios para se defender dos ataques externos de uma sexualidade criminosamente precoce, sem limites, que s\u00f3 tender\u00e1 a agudizar-se mediante a descoberta do corpo e do desejo. Uma descoberta que deveria realizar-se no momento adequado \u2013 na adolesc\u00eancia &#8211; e n\u00e3o por meio de t\u00e3o irrespons\u00e1vel antecipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que Deus olhe pelas crian\u00e7as do Brasil. E que tenha miseric\u00f3rdia de n\u00f3s, pelo grave crime que estamos cometendo contra elas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Julio Cezar de Oliveira Gomes<\/em><\/strong><em> \u00e9 graduado em Hist\u00f3ria e em Direito pela UESC \u2013 Universidade Estadual de Santa Cruz. e-mail: juliogomesartigos@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>Permitida a reprodu\u00e7\u00e3o total ou parcial, desde que citada a autoria.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Causa-me profunda preocupa\u00e7\u00e3o o que vejo nos dias de hoje, relacionado \u00e0 forma como criamos e como est\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o de tal cria\u00e7\u00e3o, se conduzindo nossas crian\u00e7as. Vamos deixar que os fatos falem. Domingo, dia 23\/11\/2014, estive em um local pr\u00f3ximo \u00e0 Ilh\u00e9us, Bahia, onde h\u00e1 um rio em que as pessoas se banham. 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