{"id":90164,"date":"2015-01-05T10:01:34","date_gmt":"2015-01-05T13:01:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=90164"},"modified":"2015-01-06T15:34:17","modified_gmt":"2015-01-06T18:34:17","slug":"utopia-justo-julgamento-dos-zaqueus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/01\/05\/utopia-justo-julgamento-dos-zaqueus\/","title":{"rendered":"UTOPIA: JUSTO JULGAMENTO DOS ZAQUEUS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Por JUVENTINO RIBEIRO\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<div style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Juventino-Ribeiro_.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"340\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Juventino Ribeiro<\/p><\/div>\n<p>Para completa justi\u00e7a no julgamento dos ladr\u00f5es das licita\u00e7\u00f5es, do mensal\u00e3o, da Petrobr\u00e1s e de tantos divulgados com menos estardalha\u00e7o, na aplica\u00e7\u00e3o das penas os julgadores deveriam se inspirar num trecho do longo serm\u00e3o proferido pelo Padre Ant\u00f4nio Vieira, na Capela Real de Lisboa, em 1650.<\/p>\n<p>Vieira cita um trecho b\u00edblico no qual Jesus, rumava para Jerusal\u00e9m e, em sua passagem por Jeric\u00f3, encontrara-se com Zaqueu, um voraz publicano (cobrador de tributos do Imp\u00e9rio Romano). Considerado traidor, era odiado pelos compatriotas. Era de pequena estatura, dono de grande fortuna, amealhada por meios il\u00edcitos.<\/p>\n<p>A multid\u00e3o que acompanhava Jesus ficou furiosa pela visita a Zaqueu, mas a atitude do Mestre o comoveu e o fizera seguidor de seus ensinamentos. Em exame escrupuloso de consci\u00eancia sobre o que houvera roubado, Zaqueu fizera estas contas:<\/p>\n<p><em>\u201cSe eu n\u00e3o roubara a Fulano, tivera ele seu dinheiro; se o tivera, n\u00e3o perdera o que perdeu, adquirira o que n\u00e3o adquiriu, n\u00e3o padecera o que padeceu. Ah sim! Pois para que a minha satisfa\u00e7\u00e3o seja igual \u00e0 minha culpa, d\u00ea-se a cada um quatro vezes tanto como lhe eu houver defraudado. Com a primeira parte se pagar\u00e1 o que lhe tomei; com a segunda, o que perdeu; com a terceira, o que n\u00e3o adquiriu e, com a quarta, o que padeceu\u201d. <\/em><\/p>\n<p>(Continua o serm\u00e3o de Padre Vieira) \u201c<em>Aqui reparo: as leis da justa restitui\u00e7\u00e3o mandam que se pague o alheio em tanta quantidade como se tomou. Pois porque quer Zaqueu que da sua riqueza se paguem e se acrescentem tr\u00eas tantos mais<\/em><em>: <\/em><strong><em>Et si quid aliquem defraudavi reddo quadruplum<\/em><\/strong><em>? Se para a restitui\u00e7\u00e3o basta uma parte, as outras tr\u00eas a que fim se d\u00e3o? Eu o direi: d\u00e1-se uma parte para satisfa\u00e7\u00e3o do pecado, as outras tr\u00eas para satisfa\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias.<\/em> <strong><em>Hodie salus huic domui facta est<\/em><\/strong><em>. (hoje se p\u00f4s em estado de salva\u00e7\u00e3o esta casa)\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Se fosse aplicada esse tipo de pena aos infratores, a justi\u00e7a beiraria a perfei\u00e7\u00e3o. Os investidores que perderam com os desmandos na Petrobr\u00e1s estariam de bem com a vida e os contribuintes aliviados pela devolu\u00e7\u00e3o qu\u00e1drupla ao Tesouro.<\/p>\n<p>Repetindo o final do artigo anterior: pelo local onde foi proferido o serm\u00e3o, perante o rei de Portugal e sua corte, pela \u00e9poca em que foi proferido, Padre Vieira merece minha admira\u00e7\u00e3o. Continuo achando que ele tinha tr\u00eas culh\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por JUVENTINO RIBEIRO\u00a0 Para completa justi\u00e7a no julgamento dos ladr\u00f5es das licita\u00e7\u00f5es, do mensal\u00e3o, da Petrobr\u00e1s e de tantos divulgados com menos estardalha\u00e7o, na aplica\u00e7\u00e3o das penas os julgadores deveriam se inspirar num trecho do longo serm\u00e3o proferido pelo Padre Ant\u00f4nio Vieira, na Capela Real de Lisboa, em 1650. 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