{"id":90718,"date":"2015-01-23T19:24:43","date_gmt":"2015-01-23T22:24:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=90718"},"modified":"2015-01-23T19:24:43","modified_gmt":"2015-01-23T22:24:43","slug":"fecha-as-pernas-menina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/01\/23\/fecha-as-pernas-menina\/","title":{"rendered":"FECHA AS PERNAS, MENINA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/FOTO-ARTIGOS-JULIO-GOMES.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"250\" \/>Causa-me forte impress\u00e3o o descuido de muitas m\u00e3es de hoje em dia com a conduta de suas filhas ainda crian\u00e7as, tanto nas classes mais populares como, at\u00e9 mesmo, nas mais abastadas e bem escolarizadas.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca em que era crian\u00e7a \u2013 nasci em 1965 \u2013 cresci ouvindo as m\u00e3es advertindo suas filhas para que tivessem \u201cmodos\u201d e \u201ccuidado\u201d. Uma das express\u00f5es mais ouvidas, quando as meninas se sentavam displicentemente, com as pernas abertas, mostrando em p\u00fablico a calcinha ou parte dela, era o famoso: <em>\u201cfecha as pernas, menina, e senta direito.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Isso valia para ricos e pobres. Para negros e brancos. Para filhas de doutor ou de trabalhador rural. A preocupa\u00e7\u00e3o das m\u00e3es com o pudor e com n\u00e3o expor suas filhas permeava toda a sociedade.<\/p>\n<p>Hoje, no Brasil, temos \u00edndices vergonhosos de viol\u00eancia sexual praticada contra crian\u00e7as. Incorporou-se plenamente ao vocabul\u00e1rio cotidiano uma palavra antes quase desconhecida, que designa este tipo de crime: pedofilia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o alarmantes: Segundo o Mapa da Viol\u00eancia 2012 \u2013 Crian\u00e7as e Adolescentes no Brasil, publicado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino Americanos, com base em registros do SINAN, foram atendidos, em 2011, um total de 10.425 crian\u00e7as e adolescentes v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual. A grande maioria do sexo feminino: 83,2%, sendo que a maior incid\u00eancia de atendimentos registra-se na faixa de 10 a 14 anos.<\/p>\n<p>Estes n\u00fameros n\u00e3o traduzem sen\u00e3o muito palidamente a realidade, que \u00e9 muit\u00edssimo pior, pois a crian\u00e7a ou adolescente simplesmente n\u00e3o disp\u00f5e, na imensa maioria das vezes, de meios para denunciar seu agressor, que quase sempre \u00e9 um familiar com forte ascend\u00eancia sobre ela, passando a sofrer a viol\u00eancia calada, por anos a fio.<\/p>\n<p>Acrescente-se que, em muitos casos, ap\u00f3s cometer o abuso ou a viol\u00eancia sexual, o criminoso, buscando n\u00e3o ser identificado, mata barbaramente a crian\u00e7a indefesa, trazendo-nos outra palavra bem pouco pronunciada em anos passados: infantic\u00eddio.<\/p>\n<p>Para constatarmos esta avalanche de viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o precisamos recorrer \u00e0s estat\u00edsticas oficiais. Basta ligarmos o r\u00e1dio, a TV ou acessarmos \u00e0 internet, e todos os dias nos depararemos com casos similares.<\/p>\n<p>No Brasil em que as leis s\u00e3o normalmente ineficazes para conter a pr\u00e1tica de crimes, resta \u00e0s fam\u00edlias &#8211; sobretudo \u00e0s m\u00e3es &#8211; dar as orienta\u00e7\u00f5es cab\u00edveis quanto \u00e0 conduta e manter a vigil\u00e2ncia necess\u00e1ria em favor de suas filhas e filhos. E denunciar imediatamente qualquer fato suspeito.<\/p>\n<p>Aqui, mais do que nunca, mais vale prevenir do que remediar.<\/p>\n<p><strong>&#8212;\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Julio Cezar de Oliveira Gomes<\/em><\/strong><em> \u00e9 graduado em Hist\u00f3ria e em Direito pela UESC \u2013 Universidade Estadual de Santa Cruz. e-mail: juliogomesartigos@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>Permitida a reprodu\u00e7\u00e3o total ou parcial, desde que citada a autoria.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Causa-me forte impress\u00e3o o descuido de muitas m\u00e3es de hoje em dia com a conduta de suas filhas ainda crian\u00e7as, tanto nas classes mais populares como, at\u00e9 mesmo, nas mais abastadas e bem escolarizadas. 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