{"id":90915,"date":"2015-01-30T08:24:09","date_gmt":"2015-01-30T11:24:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=90915"},"modified":"2015-01-30T08:24:09","modified_gmt":"2015-01-30T11:24:09","slug":"brancos-negros-e-indios-ou-cronica-de-um-colonizador-arrependido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/01\/30\/brancos-negros-e-indios-ou-cronica-de-um-colonizador-arrependido\/","title":{"rendered":"BRANCOS, NEGROS E \u00cdNDIOS ou  CR\u00d4NICA DE UM COLONIZADOR ARREPENDIDO"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/FOTO-ARTIGOS-JULIO-GOMES.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"250\" \/>Um dia, h\u00e1 muito tempo, n\u00f3s brancos viemos com nossos navios e armas, e ap\u00f3s muito navegarmos descobrimos que havia novos mundos, novas terras, novas plantas e animais, e novas pessoas. Mas n\u00e3o reconhecemos as pessoas como pessoas.<\/p>\n<p>Atados ao orgulho, \u00e0 ilus\u00e3o que geramos a partir de nossas roupas e livros, imp\u00e9rios e armas, negamos aos irm\u00e3os a condi\u00e7\u00e3o de irm\u00e3os, e mergulhamos nos crimes mais hediondos.<\/p>\n<p>N\u00e3o vimos no \u00edndio, que convivia em paz e na harmonia poss\u00edvel com a natureza, nada al\u00e9m de pregui\u00e7a e primitivismo. N\u00e3o percebemos que, ao descansar na rede depois de ca\u00e7ar e pescar, ap\u00f3s cumprir as tarefas de cada dia, o \u00edndio se permitia gozar da alegria simples do dever cumprido, coisa que at\u00e9 hoje todos n\u00f3s tanto almejamos.<\/p>\n<p>N\u00e3o vimos no negro alegre e livre sen\u00e3o um bra\u00e7o a ser escravizado horrorosamente, destruindo sua fam\u00edlia, sua cultura e sua liberdade ao ponto destes irm\u00e3os n\u00e3o lamentarem mais, ap\u00f3s tantos sofrimentos, a perda da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o percebemos nas mulheres negras e \u00edndias nada al\u00e9m de objeto de gozo e abuso, negando-lhes estupidamente a condi\u00e7\u00e3o de pessoas e de mulheres dotadas de dignidade, raz\u00e3o e direito de viver. E o estupro que as infelicitou profundamente at\u00e9 hoje se reflete sobre a sociedade que originamos, em forma de graves desequil\u00edbrios familiares e morais, que mesmo ap\u00f3s 400 anos de Coloniza\u00e7\u00e3o ainda reverberam.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s crian\u00e7as nativas, simplesmente as massacramos ou ignoramos impiedosamente, abandonando-as a si pr\u00f3prias, como nem mesmo os animais fazem no seio da natureza. Nem sequer \u00e0quelas geradas conosco pelas nativas tivemos &#8211; em regra quase absoluta &#8211; a humanidade de reconhec\u00ea-las como leg\u00edtimos filhos e filhas.<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o aprendemos com a alegria simples e natural dos negros? Com a paci\u00eancia e sentimento de bem-estar com a natureza dos \u00edndios?<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o fizemos das nativas nossas mulheres para al\u00e9m do sexo? Por que n\u00e3o assumimos e amparamos nossos pr\u00f3prios filhos?<\/p>\n<p>Imprescind\u00edvel se faz vermos e reconhecermos tudo isto, pois se n\u00e3o mais agimos da mesma forma talvez n\u00e3o seja tanto porque n\u00f3s nos melhoramos, mas porque a sociedade e as leis do mundo atual n\u00e3o mais o permitem. E s\u00f3 por isso.<\/p>\n<p>Faz-se necess\u00e1rio bom uso da luz da raz\u00e3o e humildade. Amor ao pr\u00f3ximo e sabedoria. Sentimento e responsabilidade. Toler\u00e2ncia e respeito. Para que n\u00f3s &#8211; brancos e n\u00e3o brancos, homens e mulheres \u2013 n\u00e3o venhamos a cometer os mesmos terr\u00edveis crimes, j\u00e1 agora disfar\u00e7ados sob a roupagem dos dias de hoje.<\/p>\n<p><strong><em>Julio Cezar de Oliveira Gomes<\/em><\/strong><em> \u00e9 graduado em Hist\u00f3ria e em Direito pela UESC \u2013 Universidade Estadual de Santa Cruz. e-mail: juliogomesartigos@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>Permitida a reprodu\u00e7\u00e3o total ou parcial, desde que citada a autoria.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia, h\u00e1 muito tempo, n\u00f3s brancos viemos com nossos navios e armas, e ap\u00f3s muito navegarmos descobrimos que havia novos mundos, novas terras, novas plantas e animais, e novas pessoas. Mas n\u00e3o reconhecemos as pessoas como pessoas. 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