{"id":9100,"date":"2011-02-20T22:24:27","date_gmt":"2011-02-21T01:24:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=9100"},"modified":"2011-02-20T22:24:27","modified_gmt":"2011-02-21T01:24:27","slug":"marli-goncalves-em-conga-la-conga-bunga-bunga-ye-ye-ye","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/02\/20\/marli-goncalves-em-conga-la-conga-bunga-bunga-ye-ye-ye\/","title":{"rendered":"Marli Gon\u00e7alves em: Conga la Conga, Bunga-Bunga, y\u00ea-y\u00ea-y\u00ea."},"content":{"rendered":"<p><font color = \"red\"><b><i>Um passinho pra frente, dois passinhos pra tr\u00e1s. Avan\u00e7a no tempo. Nas descobertas. E retrocede na sabedoria e m\u00ednima no\u00e7\u00e3o. Assim caminha a humanidade. Ou melhor, assim dan\u00e7a a humanidade, conforme a m\u00fasica. A gente consegue at\u00e9 ouvi-la em determinadas ocasi\u00f5es.<\/i><\/b><\/font> <\/p>\n<p><img align = \"left\" src = \"http:\/\/lh6.ggpht.com\/_PQy7A06gDto\/TMszWPVuHuI\/AAAAAAAAt3M\/va7UPbq3dc8\/marli%20gon%C3%A7alves%20nova.jpg\"\/><i>&#8220;&#8230;Besame, besame mucho&#8230;Como si fuera esta noche la ultima vez&#8221;&#8230;<\/i> O belo bolero que uniu em romance fugaz uma ministra da Economia e um ministro da Justi\u00e7a chegou at\u00e9 n\u00f3s na forma de planos mirabolantes e expropriantes do rancor de um amor perdido. O presidente bossa-nova JK nos lembrava e estimulava que criassem uma m\u00fasica doce, suave, cantada baixinho. Os hinos ufanistas nos torturaram por mais de duas d\u00e9cadas, interrompidos por rompantes do y\u00ea-y\u00ea-y\u00ea e protestos tropicalistas. Sim, nossa hist\u00f3ria \u00e9 m\u00fasica, sim. E dan\u00e7a. Nossos quadris est\u00e3o sempre rebolando, um bambol\u00ea danado.<\/p>\n<p>Mas, convenhamos, h\u00e1 muito n\u00e3o aparecia algo t\u00e3o ritmado e expressivo do que o nome da dancinha predileta do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi &#8211; a <b><i>Bunga-Bunga<\/i><\/b>. Detonou a nossa ing\u00eanua Conga la Conga, de Gretchen. Detonou a dancinha da descida na garrafa de Carla Perez e seus 105 cm de pot\u00eancia. N\u00e3o sobrou nada nem para a coitada da eguinha pocot\u00f3. Rebolation!<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><b><i>Bunga-Bunga<\/i><\/b> pode ser uma dan\u00e7a africana do come\u00e7o do s\u00e9culo. Ou ser\u00e1 caribenha? Pode ser uma flor, uma ilha. Daqui para frente ser\u00e1 o nome de muitas coisas, como de bares, boates, bronzeador, at\u00e9 uma cerveja cairia bem. Cerveja <b><i>Bunga-Bunga<\/i><\/b>, desce dan\u00e7ando. Excitante. <\/p>\n<p>Mas hoje, na verdade, <b><i>Bunga-Bunga<\/i><\/b> \u00e9 s\u00f3 a dancinha que enrascou Berlusconi. Segundo uma das <i>bunga-bunguetes<\/i>, Ruby, ele pedia que as meninas (variadas, v\u00e1rias idades e nacionalidades) fizessem tudo para ele, nuas, brincando entre si, e bem perto, como lhe teria sido ensinado pelo ditador l\u00edbio Muammar Gadaffi (\u00e9, essa bola da vez que est\u00e1 na berlinda agora, e se defende mandando matar e censurar). Acreditem. O italiano velhinho safo que vai se fritar na m\u00e3o de tr\u00eas ju\u00edzas ainda precisou aprender! Ser\u00e1 que quando veio ao Brasil dan\u00e7aram <b><i>Bunga-Bunga<\/i><\/b> para ele? Temos aqui formatos nacionalizados, varia\u00e7\u00f5es bungais.<\/p>\n<p>Brincadeiras e fantasias \u00e0 parte, que o Carnaval vem a\u00ed, al\u00e9m de me divertir com o ritmo <i>Bora-Bora<\/i> da <b><i>Bunga-Bunga<\/i><\/b>, pensei como m\u00fasicas e dan\u00e7as s\u00e3o marcantes em per\u00edodos e gera\u00e7\u00f5es. Como tamb\u00e9m podem ser marcantes na vis\u00e3o do relacionamento entre o homem e a mulher. Lembrei-me da valsa dos sal\u00f5es antigos. As mulheres de longos com anquinhas, o silicone da \u00e9poca; os homens, elegantes, com um bra\u00e7o para tr\u00e1s, em volteios, gentilezas, mesuras e salamaleques para as damas. \u00c9 o mestre-sala e a porta-bandeira na avenida, o homem fazendo defer\u00eancias, conduzindo a mulher, com respeito e paparicos. Lembrei-me tamb\u00e9m da exposi\u00e7\u00e3o &#8211; at\u00e9 pudica &#8211; das pernas no <i>cancan<\/i>. E revi os sonhos de liberdade expressos nos v\u00f4os de Isadora Duncan.<\/p>\n<p>As mulheres v\u00eam atravessando todas essas fases, em busca de seu lugar no palco, no tablado e no ch\u00e3o da f\u00e1brica. Cantaram e dan\u00e7aram &#8220;as dores e as ang\u00fastias de ser uma mulher&#8221;, de Atenas, ou Geni. Ou as que ganharam seus nomes eternizados em poemas de Tom, s\u00f3 pela gra\u00e7a que emanavam. A ovelha negra da Rita, e o <b>au\u00ea<\/b> de seu lan\u00e7a-perfume. Ao lado de tigresas, fren\u00e9ticas, camaleoas olhando com seus peitos direitos, Marinas morenas. E Am\u00e9lias. Os sertanejos voltaram com o amor em rimas f\u00e1ceis para todos cantarem. E o ax\u00e9, para levantar do ch\u00e3o, beijo na boca, seja l\u00e1 quantos e de quem for. <\/p>\n<p>Conseguimos. Estamos a\u00ed, inclusive cantando lindamente, com muitas cantoras que amam outras mulheres, mais livremente. Gretchen j\u00e1 casou um <i>sei-l\u00e1-quantas<\/i>, vezes, e ainda faz o<b><i> chica bum,<\/i><\/b> girar na Conga la Conga. Elza Soares d\u00e1 entrevistas sobre sexo com o marido jovem como receita de vitalidade.<\/p>\n<p>Presidentes mulheres mandam aqui e em outras plagas. H\u00e1 ju\u00edzas, ministras, governadoras, prefeitas, senadoras, deputadas. Acaba de chegar uma maestrina para reger a maior orquestra. E no Rio a mulher com nome de miss p\u00f5e a pol\u00edcia na m\u00e1quina de lavar e torcer corruptos. As mulheres est\u00e3o chegando. <b><i>Abram alas!<\/i><\/b><br \/>\nMas, com tanta m\u00fasica que ainda h\u00e1 para inventar, cantar e dan\u00e7ar \u00e9 terr\u00edvel ainda precisarmos ouvir falar em algumas de n\u00f3s tendo de viver de fazer <b><i>Bunga-Bunga<\/i><\/b> para ricos bab\u00f5es, pol\u00edtico bund\u00e3o, em troca dos trocados. Ou estrelato.<br \/>\nOu apenas pela submiss\u00e3o e pelo medo.<\/p>\n<p><b><i>Pata-pata. Conga-conga-conga! <\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>S\u00e3o Paulo, aberta a temporada de levar muitos rebolados na cara, 2011<\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>\u2022 (*) Marli Gon\u00e7alves \u00e9 jornalista<\/i><\/b>. <i>H\u00e1 muitos e muitos anos uma senhora se aproximou de mim, pedindo um aut\u00f3grafo. Como assim? Eu n\u00e3o era a Gretchen? Que absurdo voc\u00ea t\u00e3o famosa mentir para n\u00e3o dar um simples aut\u00f3grafo!- a mulher gritava. E realmente brigou comigo. Fiquei apavorada. Outras vezes tamb\u00e9m me confundiram. Eu tinha cabel\u00e3o, os olhos fundos, grandes, e o nariz, digamos, expressivo, que aumentavam a confus\u00e3o. Mas sempre fui mais rock n`roll.<\/i> Melhor assim. Muito melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um passinho pra frente, dois passinhos pra tr\u00e1s. Avan\u00e7a no tempo. Nas descobertas. E retrocede na sabedoria e m\u00ednima no\u00e7\u00e3o. Assim caminha a humanidade. Ou melhor, assim dan\u00e7a a humanidade, conforme a m\u00fasica. 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