{"id":92221,"date":"2015-03-17T23:03:35","date_gmt":"2015-03-18T02:03:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=92221"},"modified":"2015-03-17T23:34:18","modified_gmt":"2015-03-18T02:34:18","slug":"92221","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/03\/17\/92221\/","title":{"rendered":"ORIGENS E RA\u00cdZES DA FRANCO-MA\u00c7ONARIA &#8211; PARTE IV"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<h2><strong><em>Por Jos\u00e9 Everaldo Andrade Souza<\/em><\/strong><\/h2>\n<div style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Irm%C3%A3o-Everaldo-paramentado.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"337\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><strong>Ir.&#8217;. Everaldo<\/strong><\/p><\/div>\n<p><em><strong>Car\u00edssimos leitores e seguidores do R2CPRESS, integrantes e interessados na hist\u00f3ria da Franco-Ma\u00e7onaria.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> Conforme anunciamos na edi\u00e7\u00e3o anterior desse estudo, dedicado \u00e0s origens e ra\u00edzes da Sublime Ordem dos Cavaleiros da Arte Real, prosseguiremos destacando os seus prov\u00e1veis ancestrais, ordenados de acordo com os listados anteriormente.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>CORPORA\u00c7\u00c3O OPER\u00c1RIA<\/p>\n<p>As guildas oper\u00e1rias apareceram da Fran\u00e7a antes de serem inicialmente notadas na Inglaterra e na Alemanha. Uma organiza\u00e7\u00e3o de pedreiros existiu na Fran\u00e7a desde 1365 e, nos arquivos da cidade de Amiens, encontra-se um c\u00f3digo, datado de 1407, que regia as suas pr\u00e1ticas. H\u00e1 a men\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo anterior, datando de 1260, que se refere a Carlos Martel, o av\u00f4 de Carlos Magno e um dos homens para quem, alega-se, os segredos dos antigos construtores foram transmitidos.<br \/>\nEntretanto, h\u00e1 outra organiza\u00e7\u00e3o francesa que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos que buscam o verdadeiro ancestral da Ma\u00e7onaria: a Compagnonnage (a Corpora\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria).<br \/>\nEm 1841, um historiador franc\u00eas, Agricol Perdiguer, publicou Le livre du Compagnonnage ( O Livro da Corpora\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria), que apresenta o relato detalhado de uma misteriosa organiza\u00e7\u00e3o de pedreiros a qual, conforme o livro, era composta dos Filhos de Salom\u00e3o, dos Filhos de Soubise e os Filhos do Mestre Jacques.<br \/>\nConta a lenda que Mestre Jacques era um dos mestres pedreiros que trabalhou no Templo de Salom\u00e3o e foi colega de Hiram Abiff, o mestre pedreiro de Tiro enviado a Jerusal\u00e9m para ajudar a construir o Templo.<br \/>\nEntretanto, como o livro foi publicado somente um s\u00e9culo depois de a Grande Loja ter sido fundada em Londres, \u00e9 bem poss\u00edvel que o autor tenha feito uso do conhecimento de seus rituais para descrever os rituais da Compagnonnage.<br \/>\nAl\u00e9m disso, na Inglaterra, os rituais dos pedreiros foram adotados pelos Franco-Ma\u00e7ons. Na Fran\u00e7a, a Compagnonnage permaneceu separada da Ma\u00e7onaria ali estabelecida. Juntando tais fatos, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que a Compagnonnage tenha sido a progenitora direta da Ma\u00e7onaria.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>OS DRUIDAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><!--more--><\/p>\n<p>O Druidismo era amplamente praticado nas Ilhas Brit\u00e2nicas h\u00e1 mais de 2 mil anos, antes de ser for\u00e7ado ao isolamento pelos conquistadores romanos. Os druidas parecem ter combinado as fun\u00e7\u00f5es de sacerdotes, ju\u00edzes e pol\u00edticos, praticando seus ritos em bosques sagrados de carvalhos. Nos s\u00e9culos XVIII e XIX, houve um ressurgimento de interesse no Druidismo, mas o conhecimento das cren\u00e7as e das cerim\u00f4nias originais \u00e9 apenas superficial. Se h\u00e1 alguma liga\u00e7\u00e3o entre liga\u00e7\u00e3o entre o Druidismo e a Franco-Ma\u00e7onaria, ela se perdeu nas brumas do tempo.<\/p>\n<p>OS ESS\u00caNIOS<\/p>\n<p>Os membros dessa confraria judaica, fundada no s\u00e9culo II a.C., viviam uma vida mon\u00e1stica na regi\u00e3o do Mar Morto, em Israel. Diferentes dos seguidores de outras religi\u00f5es contempor\u00e2neas, eles n\u00e3o adotaram o sacrif\u00edcio de animais como meio de agradar ao seu deus. Eles eram renomados pela sua piedade, virtude e estrita observ\u00e2ncia do Shabat. Os ess\u00eanios eram mais ou menos autossuficientes, mantendo-se por meio do trabalho manual, e eram generosos para com os outros. Eles viviam em companheirismo e consideravam que as posses de um eram as posses de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>OS CAVALEIROS TEMPL\u00c1RIOS<\/strong><\/p>\n<p>Talvez os mais rom\u00e2nticos dos supostos ancestrais da Franco-Ma\u00e7onaria, e certamente o tema sobre o qual mais se escreveu, sejam os Cavaleiros Templ\u00e1rios. A Ordem foi fundada em 1118 por Hugues(ou Hugo) de Payens e por outros oito cavaleiros franceses, os quais se propuseram a proteger os pelegrinos que viajavam do porto de Jafa a Jerusal\u00e9m, na Terra Santa. Os cavaleiros tomaram os votos mon\u00e1sticos e estabeleceram seu quartel-general na \u00e1rea do Templo de Salom\u00e3o, do qual deriva seu nome.<br \/>\nEles foram finalmente expulsos de Jerusal\u00e9m ap\u00f3s a queda de Acre, em 1291; mais tarde, a Ordem foi suprimida principalmente por inveja da sua riqueza e poder.<br \/>\nNa Fran\u00e7a, onde a Ordem foi suprimida com particular crueldade, sua fortaleza foi tomada pelos Cavaleiros de S\u00e3o Jo\u00e3o. Mais tarde, a velha torre da constru\u00e7\u00e3o tornou-se a pris\u00e3o onde Luis XVI e sua fam\u00edlia foram encarcerados antes de sua execu\u00e7\u00e3o e a de sua rainha Maria Antonieta, em 1793.<br \/>\nDe acordo com alguns historiadores da Franco-Ma\u00e7onaria, \u00e9 poss\u00edvel que os Templ\u00e1rios tenham compartilhado alguns de seus conhecimentos e rituais com os mestres pedreiros que empregavam e que, mais tarde, esses mestres artes\u00e3os tenham incorporado o conhecimento e os rituais aprendidos deles em suas pr\u00f3prias tradi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEvid\u00eancias encontradas em 1867 afirmam que, ap\u00f3s escavarem as ru\u00ednas do Templo de Salom\u00e3o, eles descobriram algo de enorme valor espiritual ou material. Uma coisa \u00e9 certa, ficaram imensamente ricos quase que de imediato, em termos hist\u00f3ricos. Algumas pessoas se perguntam se seria poss\u00edvel que os segredos dos pedreiros de Salom\u00e3o estivessem juntos ao que os Templ\u00e1rios descobriram?<br \/>\nVoltando para a Fran\u00e7a, em 1305, o rei Felipe IV, beirando a fal\u00eancia, confiscou as terras e as posses dos judeus franceses. Dois anos mais tarde, havendo dissipado tudo o que roubara, Felipe decidiu fazer o mesmo com os Templ\u00e1rios. N\u00e3o satisfeito em requisitar suas terras e posses, conseguiu do papa Clemente V autoriza\u00e7\u00e3o para instruir a Inquisi\u00e7\u00e3o a extrair, sob tortura, informa\u00e7\u00f5es dos Templ\u00e1rios capturados, que legitimou o que veio a ser descrito como \u201co grande latroc\u00ednio\u201d.<br \/>\nAlguns Templ\u00e1rios conseguiram fugir do pa\u00eds com suas fam\u00edlias e uma parte de seus bens, e \u00e9 a partir desse \u00eaxodo da Fran\u00e7a para outros pa\u00edses da Europa, particulamente para a Esc\u00f3cia, que surge a fonte de grande parte do folclore da Franco-Ma\u00e7onaria.<br \/>\nTal como grande parte da hist\u00f3ria da Ma\u00e7onaria, nunca teremos certeza a seu respeito. Se existe uma liga\u00e7\u00e3o entre os Cavaleiros Templ\u00e1rios e a Franco-Ma\u00e7onaria Moderna, na melhor ou na pior das hip\u00f3teses, pode ser apenas um mero mito. Entretanto, o que deve ser dito \u00e9 que a conex\u00e3o templ\u00e1ria proporciona romance e colorido \u00e0 hist\u00f3ria da Ma\u00e7onaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>OS ROSA &#8211; CRUZES<\/strong><\/p>\n<p>A partir do final da Idade M\u00e9dia, homens conhecidos como Cabalistas estavam muito ocupados em conceber e em decifrar f\u00f3rmulas m\u00e1gicas e anagramas, e na procura da Pedra Filosofal que transformaria metal b\u00e1sico em ouro. Esse particular grupo cabalista apareceu pela primeira vez em 1614, quando o manuscrito Fama Fraternitatis des Loblichen Ordens des Rosenkreuzes ( A Reforma Universal e Geral de Todo o Mundo pela Ordem de Rosenkreutz) foi publicado em Kassel, na regi\u00e3o alem\u00e3 do Reno.<br \/>\nO manuscrito descrevia como, alguns anos antes, o t\u00famulo de um indiv\u00edduo m\u00edtico chamado Christian Rosenkreutz havia sido descoberto em uma densa floresta. Rosenkreutz escrevera a respeito de uma \u00e9poca em que o homem seria um com o \u201cSer Supremo\u201d, que n\u00e3o fazia distin\u00e7\u00e3o de religi\u00f5es e concedia toler\u00e2ncia religiosa a todos. Diversos especialistas indicaram que mesmo que os rosacruzes existissem no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII, as Lojas ma\u00e7\u00f4nicas, que viriam a evoluir na Franco-Ma\u00e7onaria, j\u00e1 estavam amplamente distribu\u00eddas nas Ilhas Brit\u00e2nicas e, particularmente, na Esc\u00f3cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>ARQUITETOS ITINERANTES<\/strong><\/p>\n<p>Em um de seus di\u00e1rios, John Aubrey, contepor\u00e2neo de Samuel Pepys e, tal como ele, um cronista da \u00e9poca, registra uma observa\u00e7\u00e3o feita por um colega antiqu\u00e1rio que, aproximadamente, na \u00e9poca de Henrique III (1207-1272), o papa autorizara uma \u201cCompanhia de Arquitetos Italianos\u201d a viajar pela Europa para construir igrejas. Aubrey escreve que, de acordo com a sua fonte, \u201cdesse grupo derivou a Franco-Ma\u00e7onaria\u201d. Infelizmente, buscas nos arquivos do Vaticano n\u00e3o conseguiram ainda encontrar qualquer evid\u00eancia documentada para dar suporte a essa teoria e, mesmo que a ocupa\u00e7\u00e3o principal desse grupo fosse construir igrejas, ela nunca teria sido exclusiva. Na qualidade de agentes independentes, esses arquitetos trabalhariam para quem tivesse dinheiro para remuner\u00e1-los, tanto sacerdotes quanto leigos.<\/p>\n<p>Em breve retornaremos com mais uma abordagem relativa ao assunto em pauta.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>JOS\u00c9 EVERALDO ANDRADE SOUZA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>MESTRE MA\u00c7OM DA LOJA ELIAS OCK\u00c9 N\u00b0 1841<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>FEDERADA AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL &#8211; RITO BRASILEIRO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>ORIENTE DE ILH\u00c9US &#8211; BAHIA<\/strong><\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIA BIBLIOGR\u00c1FICA:<\/strong><br \/>\nJohnstone, Michael<br \/>\nOs Franco-Ma\u00e7ons &#8211; trad &#8211; F\u00falvio Lubisco &#8211; S\u00e3o Paulo: Madras, 2010<br \/>\nT\u00edtulo original: The Freemasons.<\/p>\n<p><strong>&#8212;<br \/>\n<span style=\"color: #0000ff;\">PARA LER A PARTE I CLIQUE<\/span><\/strong> <a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/02\/25\/origens-e-raizes-da-franco-maconaria-parte-i\/\" target=\"_NEWS\"><b>AQUI.<\/b><\/a><br \/>\n<strong><span style=\"color: #0000ff;\">PARA LER A PARTE II CLIQUE<\/span><\/strong> <a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/03\/02\/origens-e-raizes-da-franco-maconaria-parte-ii\/\" target=\"_NEWS\"><b>AQUI.<\/b><\/a><br \/>\n<strong><span style=\"color: #0000ff;\">PARA LER A PARTE III CLIQUE<\/span><\/strong> <a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/03\/10\/origens-e-raizes-da-franco-maconaria-parte-iii\/\" target=\"_NEWS\"><b>AQUI.<\/b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Everaldo Andrade Souza Car\u00edssimos leitores e seguidores do R2CPRESS, integrantes e interessados na hist\u00f3ria da Franco-Ma\u00e7onaria. 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