{"id":92778,"date":"2015-04-06T21:04:56","date_gmt":"2015-04-07T00:04:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=92778"},"modified":"2015-04-06T21:04:56","modified_gmt":"2015-04-07T00:04:56","slug":"poncio-pilatos-e-a-crucificacao-de-jesus-uma-nova-visao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/04\/06\/poncio-pilatos-e-a-crucificacao-de-jesus-uma-nova-visao\/","title":{"rendered":"PONCIO PILATOS E A CRUCIFICA\u00c7\u00c3O DE JESUS: UMA NOVA VIS\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/FOTO-ARTIGOS-JULIO-GOMES.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"250\" \/>Para os crist\u00e3os, o romano Poncio Pilatos, governador civil e comandante das tropas romanas estacionadas na Judeia ao tempo da crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9, sem d\u00favida, o grande algoz do Mestre Salvador, pois foi aquele que decretou-lhe a morte e executou a senten\u00e7a.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o acima n\u00e3o est\u00e1 incorreta, j\u00e1 que a Hist\u00f3ria a confirma. Entretanto, se prestarmos mais aten\u00e7\u00e3o aos acontecimentos que antecederam \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de Jesus, poderemos perceber de forma muito mais rica e humana a atua\u00e7\u00e3o de Pilatos neste epis\u00f3dio. Vejamos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ser tra\u00eddo por Judas, Jesus foi preso e conduzido, \u00e0 presen\u00e7a do principais sacerdotes judeus e, em seguida ao Governador da Judeia, ou seja, a Poncio Pilatos. Este, no entanto, n\u00e3o tendo encontrado nenhum motivo para submet\u00ea-lo \u00e0s dur\u00edssimas penas do Direito daquela \u00e9poca, o remeteu de volta aos pr\u00edncipes Judeus, na pessoa de Herodes (Lucas, 23:07), de forma a tirar a si pr\u00f3prio e ao Governo Romano daquilo que entendia ser uma disputa entre Judeus relacionada \u00e0s suas quest\u00f5es religiosas e pol\u00edticas, j\u00e1 que os judeus n\u00e3o separavam pol\u00edtica de religi\u00e3o. Assim, Pilatos tentou abster-se de condenar algu\u00e9m que tinha por inocente, pois se assim n\u00e3o fosse teria sentenciado Jesus naquela primeira ocasi\u00e3o (Lucas, 23:04).<\/p>\n<p>Ao retornar para as autoridades judaicas, Jesus \u00e9 levado \u00e0 presen\u00e7a de Herodes, por quem \u00e9 interrogado e onde \u00e9 novamente espancado, saindo de l\u00e1 para ser levado de volta a Pilatos, sob acusa\u00e7\u00e3o de dizer-se rei dos Judeus e, portanto, um perigo fatal para a ordem e a domina\u00e7\u00e3o exercida pelo Imp\u00e9rio Romano.<\/p>\n<p>Diz-nos a b\u00edblia, no entanto, que a esposa de Pilatos tivera um sonho com Jesus e, a partir de tal fato, suplicou com toda a veem\u00eancia para que seu marido nada de mal fizesse \u00e0quele Jesus (Mateus, 27:19).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Pode-se depreender seguramente, sobretudo a partir de quando Pilatos recebe Jesus pela segunda vez, que o governador romano, de fato, tudo fez para tentar impedir a condena\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de Jesus. Preste aten\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Sem op\u00e7\u00e3o ante o pedido de execu\u00e7\u00e3o feito pelos mais importantes l\u00edderes judeus, Pilatos tenta uma manobra pol\u00edtica para tentar obter a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o da pena de morte imputada a Jesus, colocando-o com apenas mais um outro acusado para que um deles pudesse ser beneficiado com o perd\u00e3o e a soltura, em virtude de antigo costume existente de, na P\u00e1scoa, indultar um acusado condenado \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Para suprema decep\u00e7\u00e3o de Pilatos, o povo daquela \u00e9poca, incitado pelos fariseus, doutores da lei e sacerdotes, prefere Barrab\u00e1s a Jesus, pedindo o perd\u00e3o da pena de morte em favor t\u00e3o-somente de Barrab\u00e1s (Lucas, 23:20-21).<\/p>\n<p>Completamente desesperado, Poncio Pilatos pergunta \u2013 por nada menos de tr\u00eas vezes seguidas (Lucas, 23:22) \u2013 o que fazer com Jesus, ao que o povo responde aos gritos: Crucifica-o! (Mateus, 27:22-23; Marcos 15:14)<\/p>\n<p>Pilatos sabia que os judeus, em virtude de suas convic\u00e7\u00f5es religiosas, entendiam ser a domina\u00e7\u00e3o romana uma afronta ao seu Deus e \u00e0 sua religi\u00e3o, e que por isso estavam sempre pronto a sublevar-se, assentando-se a domina\u00e7\u00e3o romana, nesta situa\u00e7\u00e3o, unicamente na efic\u00e1cia da a\u00e7\u00e3o militar de seu disciplinado Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Entretanto, Pilatos dispunha somente de uma tropa com algumas centenas de soldados, que dificilmente conteriam um levante de uma cidade com algo em torno de 30 mil pessoas, que era como Jerusal\u00e9m deveria encontrar-se durante os festejos pascais.<\/p>\n<p>Lembremos, por fim, que com Pilatos estavam sua esposa e, por \u00f3bvio, filhos, pelo que um levante judeu bem sucedido ceifaria n\u00e3o s\u00f3 a vida do governador, mas de toda sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A este homem, decerto frio e calculista; por\u00e9m tamb\u00e9m certamente tocado pelos inexplic\u00e1veis sentimentos de amor e temor que aquele singular\u00edssimo acusado lhe provocava, n\u00e3o restou sa\u00edda sen\u00e3o lavar as m\u00e3os em p\u00fablico do sangue daquele inocente, fazendo-o da forma mais expl\u00edcita poss\u00edvel, marcando a hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>Penso ser oportuno esta vis\u00e3o do Pilatos homem, do Pilatos esposo, do Pilatos pai de fam\u00edlia, cheio de medo, amargura, frustra\u00e7\u00e3o e impot\u00eancia, ante o \u00f3dio imenso do mundo.<\/p>\n<p>Decerto que Pilatos sucumbiu aos interesses mundanos ao permitir \u2013 na pr\u00e1tica, sem alternativas \u2013 \u00e0 crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus. Condenou-o, dando cumprimento \u00e0s profecias, ao que estava escrito e que ele talvez jamais pudesse mudar.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, talvez tenha mudado a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, diante do condenado de nome Jesus.<\/p>\n<p><strong><em>Julio Cezar de Oliveira Gomes<\/em><\/strong><em> \u00e9 graduado em Hist\u00f3ria e em Direito pela UESC \u2013 Universidade Estadual de Santa Cruz. e-mail: juliogomesartigos@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>Permitida a reprodu\u00e7\u00e3o total ou parcial, desde que citada a autoria.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para os crist\u00e3os, o romano Poncio Pilatos, governador civil e comandante das tropas romanas estacionadas na Judeia ao tempo da crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9, sem d\u00favida, o grande algoz do Mestre Salvador, pois foi aquele que decretou-lhe a morte e executou a senten\u00e7a. A vis\u00e3o acima n\u00e3o est\u00e1 incorreta, j\u00e1 que a Hist\u00f3ria a confirma. 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