{"id":93284,"date":"2015-05-01T23:26:31","date_gmt":"2015-05-02T02:26:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=93284"},"modified":"2015-05-01T23:26:31","modified_gmt":"2015-05-02T02:26:31","slug":"construido-com-oleo-de-baleia-verdade-ou-mito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/05\/01\/construido-com-oleo-de-baleia-verdade-ou-mito\/","title":{"rendered":"CONSTRU\u00cdDO COM \u00d3LEO DE BALEIA: VERDADE OU MITO?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_93285\" style=\"width: 264px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Alan-Dick-Megi.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-93285\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-93285\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Alan-Dick-Megi.jpg\" alt=\"Alan Dick Megi\" width=\"254\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Alan-Dick-Megi.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Alan-Dick-Megi-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-93285\" class=\"wp-caption-text\">Alan Dick Megi<\/p><\/div>\n<p>Quando iniciava minha carreira em Ilh\u00e9us, no in\u00edcio dos anos 80, ouvi com surpresa uma afirma\u00e7\u00e3o a respeito de constru\u00e7\u00f5es antigas: <em>\u201cEssa constru\u00e7\u00e3o foi feita com \u00f3leo de baleia! Ela \u00e9 muito forte!\u201d<\/em><\/p>\n<p>Estranhei, mas n\u00e3o pensei muito no assunto e continuei construindo da forma que tinha aprendido na faculdade de arquitetura, utilizando cimento e evitando qualquer contamina\u00e7\u00e3o da massa ou do concreto com subst\u00e2ncias estranhas, com \u00e1gua suja e tamb\u00e9m com qualquer tipo de \u00f3leo.<\/p>\n<p>Sim, sempre soube que se o concreto entrar em contato com \u00f3leo, de qualquer tipo, sua qualidade fica comprometida, pois o \u00f3leo impede ou dificulta a ader\u00eancia das part\u00edculas que comp\u00f5em a argamassa ou o concreto, diminuindo sua resist\u00eancia. Aprendi na faculdade que os aglomerantes utilizados na constru\u00e7\u00e3o civil, desde a antiguidade, foram as argilas, a cal, as pozolanas, o gesso, at\u00e9 chegarmos ao cimento Portland, criado em 1824. Hoje j\u00e1 se usam outras colas sint\u00e9ticas para substituir algumas argamassas, por\u00e9m, continua sendo o cimento o grande insumo da constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, que propriedade milagrosa teria esse \u00f3leo do maior mam\u00edfero aqu\u00e1tico da terra, a ponto de gerar um efeito contr\u00e1rio aos outros \u00f3leos, cujas caracter\u00edsticas comuns impedem a aglutina\u00e7\u00e3o ou a liga das areias e pedras que s\u00e3o misturadas nas argamassas? Ou ent\u00e3o n\u00e3o seria um \u00f3leo. Quem sabe n\u00e3o seria uma prote\u00edna?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Afinal, por que tantas pessoas e at\u00e9 engenheiros e arquitetos repetem essa afirma\u00e7\u00e3o de que as constru\u00e7\u00f5es do passado eram feitas com \u00f3leo de baleia e tinham uma resist\u00eancia superior?<\/p>\n<p>Resolvi ent\u00e3o buscar informa\u00e7\u00f5es sobre o assunto e descobri que na verdade nunca se usou \u00f3leo de baleia nas argamassas de nossas constru\u00e7\u00f5es. NUNCA!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o de onde surgiu tal mito? Por que tantas vezes se repete essa afirma\u00e7\u00e3o com tanta certeza e de forma t\u00e3o categ\u00f3rica? Outro dia, passando por nosso centro hist\u00f3rico, um grupo de turistas provenientes de um dos transatl\u00e2nticos que aportou em nossa cidade, recebia do guia tur\u00edstico uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es a respeito de nossa hist\u00f3ria e de nossas est\u00f3rias, quando eu ouvi do guia novamente a afirma\u00e7\u00e3o acerca do \u00f3leo milagroso que teria propriedades diferentes de todos os outros \u00f3leos. Sorri internamente e resolvi escrever sobre o assunto.<\/p>\n<p>Na verdade o \u00f3leo de baleia foi um importante e valioso produto nos s\u00e9culos passados, pois um dos principais usos era na ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, como combust\u00edvel dos lampi\u00f5es. Naquela \u00e9poca, muitos produtores e comerciantes enriqueceram e se tornaram grandes investidores na constru\u00e7\u00e3o de imensos casar\u00f5es, tanto para uso residencial como tamb\u00e9m comercial. Grande parte dos edif\u00edcios antigos de Salvador foi financiada pelos comerciantes e produtores do \u00f3leo de baleia e por isso se dizia de peito estufado: \u201cIsso tudo eu constru\u00ed com o \u00f3leo de baleia!\u201d, \u201ctodos esses edif\u00edcios foram constru\u00eddos com o \u00f3leo de baleia\u201d, ou seja, com o dinheiro auferido com a comercializa\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de baleia. Da mesma forma que na regi\u00e3o cacaueira muito se construiu com o cacau! Na regi\u00e3o do caf\u00e9, os ricos produtores tamb\u00e9m constru\u00edram com o resultado de seus ganhos, por\u00e9m nunca se usou as sementes de cacau ou caf\u00e9 misturadas na argamassa. Essa \u00e9 apenas uma forma de express\u00e3o que, com o passar dos anos, teve mudado o seu sentido original, fazendo-nos crer nos efeitos milagrosos do \u00f3leo.<\/p>\n<p>Portanto, caros colegas arquitetos e construtores, contentemo-nos por enquanto com as propriedades do velho e amigo cimento, e deixemos de acreditar que no passado havia um \u00f3leo que o substitu\u00eda.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><em><strong>Alan Dick Megi \u00e9 Arquiteto e Urbanista e Conselheiro do CAU-BA.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando iniciava minha carreira em Ilh\u00e9us, no in\u00edcio dos anos 80, ouvi com surpresa uma afirma\u00e7\u00e3o a respeito de constru\u00e7\u00f5es antigas: \u201cEssa constru\u00e7\u00e3o foi feita com \u00f3leo de baleia! 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