{"id":94333,"date":"2015-06-16T15:35:24","date_gmt":"2015-06-16T18:35:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=94333"},"modified":"2015-06-16T15:35:24","modified_gmt":"2015-06-16T18:35:24","slug":"gordas-e-magras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/06\/16\/gordas-e-magras\/","title":{"rendered":"GORDAS E MAGRAS"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/FOTO-ARTIGOS-JULIO-GOMES.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"250\" \/>Quando era jovem, nas d\u00e9cadas de 1980 e 90, era bastante comum ver uma mo\u00e7a rica, prendada, com bons estudos e boas roupas, por\u00e9m gordinha e desajeitada. Com um lindo rosto de juvenil, mas com o corpo desalinhado pela obesidade.<\/p>\n<p>Em contrapartida, a empregada que trabalhava na mesma casa da mo\u00e7a descrita acima, era pobre, vestia-se com acentuada simplicidade e economia, tinha, como se dizia naquela \u00e9poca e se diz ainda hoje, o cabelo ruim \u2013 apesar de eu nunca ter visto cabelo matar nem fazer perversidade com ningu\u00e9m \u2013 mas era linda de corpo, uma verdadeira princesa de formosura.<\/p>\n<p>Isto ocorria porque at\u00e9 fins de 1990 e in\u00edcio do ano 2000 n\u00e3o havia, para o pobre, as possibilidades alimentares, ou melhor dizendo, a fartura que temos hoje.<\/p>\n<p>Explico melhor: Naquela \u00e9poca o pobre ganhava t\u00e3o mal que, se vacilasse, passava fome. As pessoas iam ao mercado e compravam o essencial: feij\u00e3o, arroz, farinha, a\u00e7\u00facar, sal, \u00f3leo, macarr\u00e3o e, sempre que poss\u00edvel, carne. \u00c0s vezes quando a situa\u00e7\u00e3o apertava, trocavam a carne por ovos, e faziam \u201cbife do zoi\u00e3o\u201d. E o dinheiro, n\u00e3o raro, acabava a\u00ed.<\/p>\n<p>Pobre n\u00e3o comprava creme de leite, nem biscoito recheado. No m\u00e1ximo, trazia biscoito do tipo poca-z\u00f3io. Pobre n\u00e3o comprava presunto, nem salaminho, nem queijos. Este \u00faltimo s\u00f3 muit\u00edssimo raramente, em uma festa de S\u00e3o Jo\u00e3o ou fim de ano, e s\u00f3.<\/p>\n<p>Pobre n\u00e3o comprava leite condensado, nem frutas como uvas ou ma\u00e7\u00e3s, nem todas as coisas diferentes, importadas e industrializadas, que o rico comia com invej\u00e1vel fartura.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Hoje a situa\u00e7\u00e3o mudou. A partir do governo de Fernando Henrique houve um pequeno aumento no poder de compra do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que melhorou as condi\u00e7\u00f5es alimentares da popula\u00e7\u00e3o mais pobre. Esta pol\u00edtica salarial teve ampla continuidade nos dois governos de Lula e nos de Dilma, a ponto de hoje termos uma sal\u00e1rio m\u00ednimo que equivale a cerca de 260 d\u00f3lares, quando na d\u00e9cada de 1980 o pobre tinha de sobreviver com um sal\u00e1rio que equivalia a inacredit\u00e1veis 75 d\u00f3lares mensais, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Por tudo isso o pobre, hoje, come com vontade, com gosto, at\u00e9 com excesso, porque comer \u00e9 bom e se torna ainda melhor quando se consome de tudo quanto era imposs\u00edvel degustar anteriormente, desde salaminho a frutas importadas, desde latas e mais latas de creme de leite at\u00e9 carne em fartura.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que hoje, as mo\u00e7as e mulheres ricas, que t\u00eam mais aceso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, se cuidam mais, se alimentando de forma mais racional e adequada, e por isso est\u00e3o magrinhas, esguias, com lindas formas que resultam de uma alimenta\u00e7\u00e3o balanceada, muitas vezes acompanhada de exerc\u00edcios f\u00edsicos.<\/p>\n<p>J\u00e1 as mo\u00e7as e, sobretudo, as mulheres pobres com mais de 30 anos est\u00e3o engordando visivelmente, quase sempre acima do peso, desajeitadas, sem cintura e com bem menos formosura. As vezes nem lembram as lindas mo\u00e7as que foram outrora!<\/p>\n<p>As mulheres pobres que se cuidem, porque al\u00e9m de se sujeitarem a ter mais complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, ainda correm grave risco de perder a corrida da beleza feminina para as ricas, que al\u00e9m de terem roupas melhores, mais instru\u00e7\u00e3o, serem mais produzidas e se exercitarem nas academias, se alimentam mais racionalmente, ficando, simplesmente, mais saud\u00e1veis e mais bonitas.<\/p>\n<p><strong><em>Julio Cezar de Oliveira Gomes<\/em><\/strong><em> \u00e9 graduado em Hist\u00f3ria e em Direito pela UESC \u2013 Universidade Estadual de Santa Cruz. e-mail: juliogomesartigos@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>Permitida a reprodu\u00e7\u00e3o total ou parcial, desde que citada a autoria.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando era jovem, nas d\u00e9cadas de 1980 e 90, era bastante comum ver uma mo\u00e7a rica, prendada, com bons estudos e boas roupas, por\u00e9m gordinha e desajeitada. 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