{"id":94447,"date":"2015-06-22T19:07:47","date_gmt":"2015-06-22T22:07:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=94447"},"modified":"2015-06-22T19:07:47","modified_gmt":"2015-06-22T22:07:47","slug":"luiz-castro-em-decolores-192","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/06\/22\/luiz-castro-em-decolores-192\/","title":{"rendered":"Luiz Castro em: DECOLORES"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/luiz-castro_novo-emaIL.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"118\" \/>O BURRO <\/strong><\/h1>\n<p>No tempo em que n\u00e3o havia autom\u00f3veis, na cocheira de um famoso pal\u00e1cio real, um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilh\u00e9rias dos companheiros de apartamento.<\/p>\n<p>Reparando-lhe o p\u00ealo maltratado, as fundas cicatrizes do lombo e a cabe\u00e7a tristonha e humilde, aproximou-se formoso cavalo \u00e1rabe que se fizera detentor de muitos pr\u00eamios, e disse, orgulhoso:<\/p>\n<p>&#8211; Triste sina a que recebeste! N\u00e3o invejas minha posi\u00e7\u00e3o em corridas?<\/p>\n<p>Sou acariciado por m\u00e3os de princesas e elogiado pela palavra dos reis!<\/p>\n<p>&#8211; Pudera! &#8211; exclamou um potro de fina origem inglesa:<\/p>\n<p>&#8211; Como conseguir\u00e1 um burro entender o brilho das apostas e o gosto da ca\u00e7a? O infortunado animal recebia os sarcasmos, resignadamente.<\/p>\n<p>Outro soberbo cavalo, de proced\u00eancia h\u00fangara, entrou no assunto e comentou:<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 dez anos, quando me ausentei de pastagem vizinha, vi este miser\u00e1vel sofrendo rudemente nas m\u00e3os do bruto amansador.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o covarde que n\u00e3o chegava a reagir, nem mesmo com um coice.<\/p>\n<p>N\u00e3o nasceu sen\u00e3o para carga e pancadas. \u00c9 vergonhoso suportar-lhe a companhia.<\/p>\n<p>Nisto, admir\u00e1vel jumento espanhol acercou-se do grupo, e acentuou sem piedade:<\/p>\n<p>&#8211; Lastimo reconhecer neste burro um parente pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>\u00c9 animal desonrado, fraco, in\u00fatil, n\u00e3o sabe viver sen\u00e3o sob pesadas disciplinas.<\/p>\n<p>Ignora o aprumo da dignidade pessoal e desconhece o amor-pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Aceito os deveres que me competem at\u00e9 o justo limite; mas se me constrangem a ultrapassar as obriga\u00e7\u00f5es, recuso-me \u00e0 obedi\u00eancia, pinoteio e sou capaz de matar.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es insultuosas n\u00e3o haviam terminado, quando o rei penetrou o recinto, em companhia do chefe das cavalari\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8211; Preciso de um animal para servi\u00e7o de grande responsabilidade, informou o monarca, um animal d\u00f3cil e educado, que mere\u00e7a absoluta confian\u00e7a. O empregado perguntou:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o prefere o \u00e1rabe, Majestade?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o &#8211; falou o soberano, \u00e9 muito altivo e s\u00f3 serve para corridas em festejos oficiais sem maior import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o quer o potro ingl\u00eas?<\/p>\n<p>&#8211; De modo algum. \u00c9 muito irrequieto e n\u00e3o vai al\u00e9m das extravag\u00e2ncias da ca\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o deseja o h\u00fangaro?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o. \u00c9 bravio, sem qualquer educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 apenas um pastor de rebanho.<\/p>\n<p>&#8211; O jumento espanhol serviria? &#8211; insistiu o servidor atencioso.<\/p>\n<p>&#8211; De maneira nenhuma. \u00c9 manhoso e n\u00e3o merece confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Decorridos alguns instantes de sil\u00eancio, o soberano indagou:<\/p>\n<p>&#8211; Onde est\u00e1 meu burro de carga?<\/p>\n<p>O chefe das cocheiras indicou-o, entre os demais.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio rei puxou-o carinhosamente para fora,<\/p>\n<p>mandou ajaez\u00e1-lo com as armas resplandecentes de sua Casa e confiou-lhe o filho ainda crian\u00e7a, para longa viagem.<\/p>\n<p>E ficou tranq\u00fcilo, sabendo que poderia colocar toda a sua confian\u00e7a naquele animal&#8230;<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\nColabora\u00e7\u00e3o de Luiz Castro<br \/>\nBacharel Administra\u00e7\u00e3o de Empresa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O BURRO No tempo em que n\u00e3o havia autom\u00f3veis, na cocheira de um famoso pal\u00e1cio real, um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilh\u00e9rias dos companheiros de apartamento. 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