{"id":94596,"date":"2015-06-30T09:54:59","date_gmt":"2015-06-30T12:54:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=94596"},"modified":"2015-06-30T09:54:59","modified_gmt":"2015-06-30T12:54:59","slug":"deus-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/06\/30\/deus-feminino\/","title":{"rendered":"DEUS FEMININO"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/FOTO-ARTIGOS-JULIO-GOMES.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"250\" \/>H\u00e1 quem acredite que em mesa de bar nada h\u00e1 que possa prestar. Em parte \u00e9 verdade. Mas em parte \u00e9 um grande equ\u00edvoco.<\/p>\n<p>Em animada palestra regada a cerveja para a maioria e a refrigerante e suco para alguns poucos, em Ilh\u00e9us, numa mesa situada na Barrak\u00edtica (olha o marketing!!! rsrsrsrs), convers\u00e1vamos &#8211; ou discut\u00edamos &#8211; entre outras coisas sobre a presen\u00e7a da divindade nas sociedades humanas, quando uma jovem questionou o fato de Deus estar sempre identificado com o g\u00eanero masculino, o que refor\u00e7a a concep\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica machista historicamente dominante em quase todas as sociedades e \u00e9pocas.<\/p>\n<p>A pergunta, feita com a criticidade e aud\u00e1cia t\u00edpica das jovens que frequentam os movimentos que questionam o <em>\u201cstatus quo\u201d<\/em> dominante, tais como s\u00e3o os que lutam pelos direitos das mulheres, al\u00e9m de ser inteligente, possibilita uma reflex\u00e3o extremamente oportuna.<\/p>\n<p>De fato, por uma quest\u00e3o de l\u00f3gica, o Deus supremo, em uma concep\u00e7\u00e3o monote\u00edsta; e os deuses ligados \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, do ponto de vista polite\u00edsta, deveriam sim ser todos do g\u00eanero feminino. Assim, se antecedido de artigo definido deveria ser este do g\u00eanero feminino, ou seja: A Deus, e n\u00e3o O Deus. \u00c9 bem simples entender o porqu\u00ea disso. Veja:<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m concebe e cria em si mesmo a vida entre os humanos n\u00e3o s\u00e3o os homens, e sim as mulheres. Nelas se d\u00e1 a fecunda\u00e7\u00e3o. Dentro delas se desenvolve o \u00f3vulo, que se transformar\u00e1 em embri\u00e3o e em feto, e s\u00e3o elas que dar\u00e3o \u00e0 luz o novo ser. Pode doer no orgulho masculino, mas falando do ponto de vista estritamente biol\u00f3gico, s\u00f3 somos fundamentais para fornecer os espermatozoides. E s\u00f3, fisicamente falando.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Se s\u00e3o as mulheres as geradoras, as m\u00e3es da vida, Deus e os deuses associados \u00e0 cria\u00e7\u00e3o deveriam mesmo ser todos do g\u00eanero feminino \u2013 ou ent\u00e3o de g\u00eanero nenhum, se entendermos que Deus n\u00e3o tem sexo. \u00c9 de fato no m\u00ednimo impr\u00f3prio, il\u00f3gico mesmo, associ\u00e1-lo ao masculino.<\/p>\n<p>Deveria, sim, ser A Deus (ou A Deusa) M\u00e3e Toda Poderosa, criadora da vida, do c\u00e9u e da terra, e de tudo o que nela existe. Mas isso se chocaria frontalmente com o machismo predominante em todas as sociedades, e ainda nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Seria simplesmente inaceit\u00e1vel, imposs\u00edvel de ser assim em uma sociedade como a dos Hebreus (ou judeus), h\u00e1 dois mil anos atr\u00e1s, quando Jesus veio ao mundo, sendo que naquela sociedade as mulheres quase nada valiam, quase nada eram, e simbolizavam a fraqueza, a depend\u00eancia e a submiss\u00e3o quase total, al\u00e9m de ser-lhes imputadas todas as culpas, inclusive aquelas que cabiam aos homens, como ocorre na narrativa acerca de Ad\u00e3o, Eva e do fruto proibido, em que a culpa recai toda sobre Eva, como se Ad\u00e3o n\u00e3o tivesse a plena liberdade de ter dito: n\u00e3o!<\/p>\n<p>Em sociedades nas quais a mulher adultera era sumariamente assassinada por meio de apedrejamento p\u00fablico; em que os pais davam as filhas em casamento a quem bem entendessem; em que as mulheres eram seres de \u00faltima categoria porque n\u00e3o tinham a mesma for\u00e7a f\u00edsica do homem para a guerra e para os pesados servi\u00e7os daquela \u00e9poca; em que o homem tinha a mulher como mais um dos objetos de sua posse, podendo dela se desfazer quando bem lhe aprouvesse, jamais a divindade seria identificada com o g\u00eanero feminino, por ser tal fato uma grave amea\u00e7a ao poder total exercido pelos homens.<\/p>\n<p>Penso, particularmente, que Deus n\u00e3o tem sexo. Se tivesse, se casaria e \u2013 permitam-me a brincadeira, mesmo em um tema t\u00e3o s\u00e9rio &#8211; a vida dele viraria um inferno, sendo, ainda, comandado pela mulher!<\/p>\n<p>Concordo, pois, com a jovem questionadora e audaz: Se tiv\u00e9ssemos de atribuir um g\u00eanero \u00e0 divindade, deveria ser o feminino, e n\u00e3o o masculino.<\/p>\n<p><strong><em>Julio Cezar de Oliveira Gomes<\/em><\/strong><em> \u00e9 graduado em Hist\u00f3ria e em Direito pela UESC \u2013 Universidade Estadual de Santa Cruz. e-mail: juliogomesartigos@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>Permitida a reprodu\u00e7\u00e3o total ou parcial, desde que citada a autoria.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem acredite que em mesa de bar nada h\u00e1 que possa prestar. Em parte \u00e9 verdade. Mas em parte \u00e9 um grande equ\u00edvoco. 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