{"id":95155,"date":"2015-08-15T17:18:35","date_gmt":"2015-08-15T20:18:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=95155"},"modified":"2015-08-15T17:18:35","modified_gmt":"2015-08-15T20:18:35","slug":"projeto-resgata-cultura-do-bordado-richelieu-em-terreiros-de-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/08\/15\/projeto-resgata-cultura-do-bordado-richelieu-em-terreiros-de-salvador\/","title":{"rendered":"Projeto resgata cultura do bordado richelieu em terreiros de Salvador"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a Aboli\u00e7\u00e3o, a t\u00e9cnica francesa do richelieu garantiu a sobreviv\u00eancia de ex-escravas, que passaram a ganhar a vida como bordadeiras, atendendo \u00e0s fam\u00edlias abastadas de Salvador. Com o tempo, o bordado que est\u00e1 presente nos trajes cerimoniais das religi\u00f5es de matriz africana e nas vestimentas t\u00edpicas das baianas, deixou de ser produzido na cidade. <\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo retomada por meio do projeto \u2018Richelieu e Bordados Ancestrais\u2019, desenvolvido com apoio da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado (Setre). As primeiras pe\u00e7as produzidas ser\u00e3o apresentadas no pr\u00f3ximo dia 20, \u00e0s 20h, no Instituto Goethe (Icba), no Corredor da Vit\u00f3ria. <\/p>\n<p>O projeto \u00e9 implementado em uma rede de seis terreiros de candombl\u00e9, capitaneados pelo Il\u00ea Ax\u00e9 Ya Onira, formando o n\u00facleo produtivo, e os n\u00facleos comerciais com os outros terreiros, que contam com investimentos de R$ 181 mil da Setre, captados via Edital 001\/2014 de Apoio aos Empreendimentos de Economia Solid\u00e1ria de Matriz Africana, lan\u00e7ado ano passado. <\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nO objetivo \u00e9 resgatar, produzir e comercializar bordados antigos da Bahia, com \u00eanfase no richelieu, t\u00e9cnica que cria pe\u00e7as semelhantes a rendas. No total, s\u00e3o beneficiadas 30 mulheres, a maioria integrante dos terreiros que integram o projeto. Elas aprenderam os diferentes tipos de bordados e, a partir de agora, funcionar\u00e3o como multiplicadores para outros membros de suas comunidades. <\/p>\n<p>De acordo com o babalorix\u00e1 Roberto de Ians\u00e3, que preside a Associa\u00e7\u00e3o Filhos de B\u00e1rbara e coordena a iniciativa, a t\u00e9cnica estava quase em extin\u00e7\u00e3o na Bahia. \u201cAtualmente, ainda temos que comprar roupas feitas nos estados de Sergipe e Cear\u00e1. Por isso, acredito que as nossas alunas tenham um campo de trabalho grande\u201d. Ele enfatiza que, por sua import\u00e2ncia, o projeto ganhou o apoio da Petrobras para avan\u00e7ar ainda mais.<\/p>\n<p>A coordenadora t\u00e9cnica de Empreendorismo Negro da Setre, Juci Santana, tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia do resgate de uma pr\u00e1tica quase extinta no estado. \u201cO Edital de Matriz Africana tem justamente o sentido apoiar o resgate e perpetua\u00e7\u00e3o da cultura. Hoje, no total, temos 54 projetos selecionados e 35 em execu\u00e7\u00e3o, a exemplo do \u2018Richelieu e Bordados Ancestrais\u2019.<\/p>\n<p>Desfile e feira <\/p>\n<p>Para quem ainda n\u00e3o conhece, a t\u00e9cnica do richelieu consiste em, manualmente, cortar certos espa\u00e7os vazios do tecido e, entre eles, construir bordados, vazando \u00e1reas estrat\u00e9gicas ao redor. O nome vem do Cardeal Richelieu, uma das figuras mais poderosas da corte do rei Luis XIII (s\u00e9culo XVII). Conta-se que, naquela \u00e9poca, o cardeal chegou a criar oficinas para o preparo de pe\u00e7as destinadas \u00e0 monarquia. <\/p>\n<p>O desfile com pe\u00e7as produzidas ao longo de um ano do projeto ser\u00e1 uma oportunidade para o p\u00fablico ver o resultado do trabalho e entender como uma antiga tradi\u00e7\u00e3o francesa vem sendo resgatada, por meio das comunidades afrodescendentes baianas. No pr\u00f3ximo dia 22, o p\u00fablico poder\u00e1 adquirir as pe\u00e7as feitas pelas artes\u00e3s em uma feira que vai acontecer na sede do Il\u00ea Ax\u00e9 Y\u00e1 Onira, das 10 \u00e0s 15h, com pre\u00e7os acess\u00edveis. <\/p>\n<p>Nas duas iniciativas, a proposta \u00e9 dar visibilidade aos primeiros trabalhos resultantes do projeto. \u201cAcredito muito no potencial desta a\u00e7\u00e3o, uma vez que o richelieu hoje \u00e9 usado cada vez mais, n\u00e3o s\u00f3 em trajes religiosos, mas por profissionais, que costumam utilizar pe\u00e7as brancas, como os da \u00e1rea de sa\u00fade, ou simplesmente por quem aprecia a beleza do bordado para aplica\u00e7\u00e3o em roupas e pe\u00e7as de decora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a Aboli\u00e7\u00e3o, a t\u00e9cnica francesa do richelieu garantiu a sobreviv\u00eancia de ex-escravas, que passaram a ganhar a vida como bordadeiras, atendendo \u00e0s fam\u00edlias abastadas de Salvador. 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