{"id":95343,"date":"2015-08-23T09:13:28","date_gmt":"2015-08-23T12:13:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=95343"},"modified":"2015-08-23T09:13:28","modified_gmt":"2015-08-23T12:13:28","slug":"a-cigana-leu-a-minha-mao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/08\/23\/a-cigana-leu-a-minha-mao\/","title":{"rendered":"A CIGANA&#8230; leu a minha m\u00e3o&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_95344\" style=\"width: 343px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/ALEONARDO-CIGANA.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-95344\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/ALEONARDO-CIGANA.jpg\" alt=\"Leonardo Garcia Diniz\" width=\"333\" height=\"147\" class=\"size-full wp-image-95344\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/ALEONARDO-CIGANA.jpg 333w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/ALEONARDO-CIGANA-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-95344\" class=\"wp-caption-text\">Leonardo Garcia Diniz<\/p><\/div>Passava o ano de 1970, viv\u00edamos o sonho de sermos tricampe\u00f5es no futebol, as discotecas fervilhavam, ouvir Bee Gees e ser f\u00e3 de Donna Summer era o m\u00e1ximo, os Mutantes com Rita Lee \u00e0 frente arrasavam e, melhor, contava eu meus 16 anos nesta vida&#8230;<\/p>\n<p>Perambulava, num determinado fim de semana, pelas ruas, quando pela principal surge, no meio da multid\u00e3o, ela, uma cigana, linda, cintura fininha, quadris largos, olhos verdes, ombros descobertos, seios fartos, pele cor de jambo, vestido rodado de escamas, vermelhas, que chacoalhavam ao caminhar e aquele seu conjunto transformou-a, de imediato, na vis\u00e3o mais perfeita at\u00e9 ent\u00e3o vista por meus inocentes e infantis olhos.<\/p>\n<p>Apaixonado, louco de amor no seu rastro, segui seus passos rua a dentro inebriando-me com seu perfume&#8230;<\/p>\n<p>Oferecia-se a cigana para ler m\u00e3os, o que fiz, durante sua caminhada pela cidade, por tr\u00eas vezes, em diferentes pontos.<\/p>\n<p>Lia a Cigana minha m\u00e3o enquanto eu inebriava-me com a vis\u00e3o de seus seios apertados dentro de um espartilho cheio de cadar\u00e7os e fitas.<\/p>\n<p>Mentirosa!,&#8230; <\/p>\n<p>me prometeu um destino completamente diferente do que se deu&#8230;  mas,  a avassaladora figura descontrolou minha tenra experi\u00eancia e exist\u00eancia, talvez, por ser minha primeira paix\u00e3o, por 1\u00aa vista, eu tenha sucumbido a tenta\u00e7\u00e3o de assedia-la e cheio de novas emo\u00e7\u00f5es convidei-a para comigo namorar.<\/p>\n<p>Sou casada!,&#8230;<br \/>\n&#8211; eu n\u00e3o ligo!,&#8230;<br \/>\nMeu Marido!,&#8230;<br \/>\n&#8211; que \u00e9 que tem!,&#8230;<br \/>\nMeu acampamento \u00e9 muito vigiado!<br \/>\n&#8211; eu invado!<br \/>\nEu cobro caro!<br \/>\n&#8211; eu pago!<br \/>\nSabe onde acampamos!<br \/>\n&#8211; sei!,&#8230;<\/p>\n<p>V\u00e1 a meia noite e vigie a barraca em que o lampi\u00e3o piscar por cinco vezes \u00e9 a minha barraca; leve 100 cruzeiros, ser\u00e1 o seu pre\u00e7o para dormir comigo.<\/p>\n<p>Onde arranjar 100 cruzeiros um jovem de 16 anos nos idos de 1970?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Fui para casa desesperado e pedi a mam\u00e3e que, coitada, por n\u00e3o ter, negou de pronto.<\/p>\n<p>Corri a garagem da casa e fiz um assalto!,&#8230; roubei do papai a caixa de ferramentas, o estepe do fusca, peguei minha bicicleta velha, meu patins e a prancha de surf, ainda , para completar os 100 cruzeiros tive que vender at\u00e9 o meu melhor par de bamba.<\/p>\n<p>Arranjados os 100 cruzeiros parti, conforme o combinado, para pr\u00f3ximo ao acampamento cigano esperando que de uma daquelas muitas barracas viesse o sinal combinado; deu meia noite e nada!,&#8230; uma hora da manh\u00e3 e nada!,&#8230; quase duas horas da manh\u00e3 e finalmente, eu congelando pelo vento frio da beira do rio, veio o sinal; cinco vezes, apagou-se e acendeu a luz de um lampi\u00e3o.<\/p>\n<p>Corri para a barraca indicada pelo sinal e l\u00e1 estava ela toda esvoa\u00e7ante numa camisola de cetim bege, sex, que muito combinava com a sua cor; virou-se para mim que me sentia a meio metro do ch\u00e3o embebido com o seu perfume e disse: deite-se ai que j\u00e1 volto; joguei-me de costas num amontoado de almofadas acetinadas para esperar a minha CIGANA.<\/p>\n<p>Quando abri os olhos deparei-me com a vis\u00e3o do inferno&#8230;<\/p>\n<p>Um cigano de quase dois metros de altura me espreitava de frente&#8230;<\/p>\n<p>Deitado, ao ch\u00e3o, sobre cetins, foi essa a impress\u00e3o que tive de sua altura, trazia nas m\u00e3os uma espingarda, enorme, que tinha seu cano quase que encostado em minha testa.<\/p>\n<p>Disse-me o cigano:<br \/>\nPrometeu pagar 100 cruzeiros para dormir com minha mulher?<br \/>\n&#8211; sisisisisisisisisisismmmmmmm<br \/>\nCad\u00ea o dinheiro?<br \/>\n&#8211; tirei o dinheiro do bol\u00e7o, bem devagarinho, que ele tomou de um s\u00f3 golpe.<br \/>\nPagou para dormir?,&#8230; Vai dormir!,&#8230;<br \/>\n&#8211; n\u00e3o precisa n\u00e3o, eu me enganei&#8230;.<br \/>\nCala a boca que quem manda aqui sou eu!<br \/>\n&#8211; sim senhor!<br \/>\n\u00c9 para dormir!,&#8230; se se virar nas almofadas leva um bala\u00e7o entendeu?<br \/>\n&#8211; sim senhor!<\/p>\n<p>Entrou a cigana no ambiente e beijando o cigano, na minha frente, se deitou ao meu lado sem qualquer cerimonia, virou-se para o lado e dormiu na maior&#8230;<\/p>\n<p>O cigano sentou-se numa cadeira, ao meu lado, mantendo a espingarda voltada para meu rosto por todo o fim da noite; eu me mijei todo nas cal\u00e7as sem sequer me mexer at\u00e9 o amanhecer.<\/p>\n<p>Quando do crep\u00fasculo a cigana acordou, espregui\u00e7ou-se toda por cima de mim e o cigano ainda me vigiando falou-me:<\/p>\n<p>Rape fora seu moleque!,&#8230; nunca mais volte aqui !,&#8230; se n\u00e3o morre!<\/p>\n<p>As dores do corpo provocadas por inercia ao longo mais de tr\u00eas horas foi o que me impediu de sair dali mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Fiquei traumatizado!,&#8230;<\/p>\n<p>ainda hoje, 60 anos, 43 anos depois desse epis\u00f3dio, morro de medo de CIGANAS.<\/p>\n<p>Nem que elas me prometam a vida eterna quero meia com elas&#8230;<\/p>\n<p>Acontecimentos dessa magnitude \u00e9 que d\u00e3o beleza \/ leveza e entendimento das boas coisas da vida; quem nunca viveu uma grande emo\u00e7\u00e3o amorosa ou fez uma loucura em nome do amor, como mesmo disse o poeta, passou pela vida e n\u00e3o viveu&#8230;<\/p>\n<p>A CIGANA leu a minha m\u00e3o!,&#8230; pra nunca mais!<\/p>\n<p>Leonardo Garcia Diniz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passava o ano de 1970, viv\u00edamos o sonho de sermos tricampe\u00f5es no futebol, as discotecas fervilhavam, ouvir Bee Gees e ser f\u00e3 de Donna Summer era o m\u00e1ximo, os Mutantes com Rita Lee \u00e0 frente arrasavam e, melhor, contava eu meus 16 anos nesta vida&#8230; 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