{"id":95505,"date":"2015-08-31T18:07:28","date_gmt":"2015-08-31T21:07:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=95505"},"modified":"2015-08-31T19:06:26","modified_gmt":"2015-08-31T22:06:26","slug":"luiz-castro-em-decolores-199","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/08\/31\/luiz-castro-em-decolores-199\/","title":{"rendered":"Luiz Castro em: DECOLORES"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0ENTERRO DE AN\u00c3O\u00a0 REALIZADO P<\/strong><strong>OR WANDECO<\/strong><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/luiz-castro_novo-emaIL.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"118\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Existe um grupo chamado &#8221; G\u00c7VA&#8221; (Grupo dos Ca\u00e7adores de Vel\u00f3rio de An\u00f5es) , que vive afoito atr\u00e1s dessa raridade. Eles conseguiram catalogar apenas 2 pessoas que frequentaram o vel\u00f3rio de algum an\u00e3o. Detalhe : ambas eram &#8220;penetras&#8221;.<\/p>\n<p>*****************************<\/p>\n<p>Jag\u00fa era um an\u00e3ozinho que morava em \u00c1guas Vermelhas. Uma cidade cheia de belezas naturais : belas montanhas, rios de \u00e1guas cristalinas e vales, mas os olhos dos habitantes de Aguas Vermelhas estavam voltados apenas para uma pessoa : Jag\u00fa.<\/p>\n<p>Sendo o \u00fanico de pequena estatura na cidade, era v\u00edtima constante de piadas e insinua\u00e7\u00f5es maldosas. Jag\u00fa convivia bem com as brincadeiras, pelo menos aparentava. Ele levava tudo sempre na esportiva. O pr\u00f3prio Jag\u00fa tamb\u00e9m gostava de contar piada de an\u00f5es. Olha s\u00f3, uma que ele contou para um grupo de colegas :<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p>No metr\u00f4, um an\u00e3o come\u00e7ou a escorregar pelo banco e um passageiro solid\u00e1rio, o recolocou na posi\u00e7\u00e3o.Pouco depois, o an\u00e3o escorregou novamente e o mesmo passageiro o recolocou no assento. Quando a situa\u00e7\u00e3o se repetiu pela quinta vez, o homem, j\u00e1 irritado, esbravejou: &#8211; Ser\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o consegue ficar sentado sem escorregar?<\/p>\n<p>Ao que o an\u00e3ozinho respondeu: &#8211; Meu amigo, j\u00e1 passamos por cinco esta\u00e7\u00f5es, estou tentando desembarcar, mas o senhor n\u00e3o deixa!<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nJag\u00fa tinha um senso de humor agu\u00e7ado, mas o G\u00c7VA aguardava impacientemente apenas por um coisa : pela morte do pobre coitado. Mas quanto tempo seria necess\u00e1rio ? O pequeno not\u00e1vel esbanjava sa\u00fade por todos os poros .Teriam que esperar Jag\u00fa envelhecer ?<\/p>\n<p>Num belo dia&#8230; ou melhor, num triste dia, Jag\u00fa foi comprar alguns quilos de batatas. O carroceiro Jos\u00e9, na sua distra\u00e7\u00e3o, vinha em alta velocidade e n\u00e3o se deu conta que o pobrezinho cruzava a rua.<\/p>\n<p>As patas do cavalo esmagaram o pobre Jag\u00fa. O animal parecia que tinha prazer em &#8220;assassinar&#8221; o pobre an\u00e3o. As patadas eram firmes e ritmadas, como numa coreografia.<\/p>\n<p>A impress\u00e3o que t\u00ednhamos era que o bicho tinha premeditado o tal crime. Por fim, ele relinchou , exibindo todos os dentes amarelos e seguiu o seu caminho como se nada tivesse ocorrido. A not\u00edcia espalhou-se pela cidade como fogo no \u00e1lcool ou \u00e1lcool no fogo. A verdade era que todos estavam dispostos a comparecer naquele vel\u00f3rio. V\u00e1rios compromissos foram adiados, s\u00f3 por causa de Jag\u00fa.<\/p>\n<p>O prefeito tomou a frente e liberou o clube da cidade. A prefeitura responsabilzou-se pelas flores, as coroas e os dizeres sobre as faixas roxas com as bordas amarelas.<\/p>\n<p>A multid\u00e3o chegava euforica e cheia de aparatos modernos como m\u00e1quinas digitais, celulares, filmadoras e tudo o que tinham direito. O momento era para ficar registrado.<\/p>\n<p>Dentro do caix\u00e3ozinho bege ,aberto, no centro do clube, estava o saudoso Jag\u00fa. Na testa ainda estava cravada a ferradura do assassino.<\/p>\n<p>Sem cerim\u00f4nias as pessoas aproximavam-se da pequena urna para tirar fotos. Alguns mais empolgados faziam o sinal de &#8220;legal&#8221; com o dedo polegar, bem pr\u00f3ximo ao rosto de Jag\u00fa. Outros eram filmados sorrindo e alisando o rosto do pequeno defunto. Os mais ousados encostavam os seus rostos ao do &#8220;mortinho&#8221; para uma foto mais extravagante. Os flashes emanavam de todos os cantos.<\/p>\n<p>Seu Pedro Bod\u00e3o, figura conhecida na cidade, teve a id\u00e9ia de contratar seu primo que se fantasiou de palha\u00e7o e contou umas 25 piadas de an\u00e3o durante o vel\u00f3rio. Ao fundo ouvia-se um forr\u00f3 &#8221; quente&#8221; cujo texto tinha duplo sentido.<\/p>\n<p>Aquele evento estava longe de ser um vel\u00f3rio,mais se assemelhava a uma festa. Dona Maria levou seu microondas e vendeu pipoca durante todo o vel\u00f3rio. As crian\u00e7as corriam de um lado para o outro, esbarravam no caix\u00e3o o tempo inteiro e a pequena base da urna bege ficava troncha, disposta a cair. Sempre tinha aquele que gentilmente a recolova no seu devido lugar.<\/p>\n<p>Alguns comiam salgadinhos, pa\u00e7oca, pipoca em cima do caix\u00e3o aberto. O rosto de Jag\u00fa ficou forrado de farelo. Dona Donana solicitamente espanou toda o restolho da face do an\u00e3o ,com a fralda do beb\u00ea, e a empurrou para debaixo das flores.<\/p>\n<p>As mulheres mais despudoradas discutiam entre elas sobre os atributos f\u00edsicos do an\u00e3o. O an\u00e3o era tr\u00edpede ou n\u00e3o ? Eis a grande quest\u00e3o !<\/p>\n<p>O abuso foi brutal a ponto de muitas levaram as flores do vel\u00f3rio para enfeitar as suas pr\u00f3prias casas. Mulherada cara de pau !<\/p>\n<p>Os homens bebiam x\u00edcaras e mais x\u00edcaras de caf\u00e9 e riam alto. Seu Pedro Bod\u00e3o, como sempre inventando moda, puxou Dona Maria para dar uns passinhos de forr\u00f3. Dona Maria que n\u00e3o \u00e9 fraca, aceitou o convite toda prosa. Por fim, as crian\u00e7as , estimuladas pelas m\u00e3es, brincaram de roda em volta do caix\u00e3o.<\/p>\n<p>O G\u00c7VA fez a festa ! Registrou o vel\u00f3rio em fotos coloridas, s\u00e9pia e em preto e branco. As fotos ficaram lindas, bem enquadradas .<\/p>\n<p>Quando fecharam a urna o povo se decepcionou. Todos seguiram o cortejo at\u00e9 o cemit\u00e9rio da cidade. A cova j\u00e1 estava aberta a espera de Jag\u00fa.<\/p>\n<p>O padre Os\u00e9ias disse algumas palavras de conforto e afirmou que o nosso an\u00e3o j\u00e1 era um anjinho e estava no reino da gl\u00f3ria. Antes do corpo baixar a sepultura, chegou o b\u00eabado Marfu\u00ed que fez o seu discurso : &#8211; An\u00e3o ! An\u00e3o ! Onde est\u00e1 a gostosa da Branca de Neve ? Fala an\u00e3o, desgra\u00e7ado ! Acorda ! Voc\u00ea n\u00e3o era um dos sete ?<\/p>\n<p>As pessoas choravam de tanto rir e o padre tentava acalmar o povo irreverente. No final, quando a urna begezinha descia, o padre virou o p\u00e9, escorregou e caiu na cova junto com a urna de Jag\u00fa.<\/p>\n<p>O padre nervoso pedia para que lhe jogassem uma corda ou lhe estendessem a m\u00e3o para que pudesse sair do buraco \u00famido que cheirava a morte.<\/p>\n<p>O b\u00eabado entrou novamente em a\u00e7\u00e3o . O ex- frequentador do AA disse com a voz tr\u00f4pega : &#8211; N\u00e3o tira esse padre da\u00ed, n\u00e3o. Deixa ele fazer companhia ao an\u00e3o. Fica padre ! Ficaaaaaa no buraco fundo e escuro ! \u00c9 isso que o senhor merece !<\/p>\n<p>O povo mais uma vez n\u00e3o se conteve e caiu na gargalhada. Minutos depois o padre saiu do buraco com a batina cheia de terra e com os olhos arregalados.<\/p>\n<p>O prefeito da cidade tamb\u00e9m fez o seu discurso :- Povo de \u00c1guas Vermelhas ! Este pequeno grande homem era uma figura cativa em nossa cidade. Ele era a prova de que os pequenos tamb\u00e9m podiam. Este pequeno grande homem tinha a padoca pequena, mas um grande cora\u00e7\u00e3o. Estatura de crian\u00e7a, mas alma de guerreiro ! Descanse em paz, pequena criatura !<\/p>\n<p>A equipe do prefeito, a seu mando, investigou a vida de Jag\u00fa. Algumas semanas depois descobriram que este tinha mais um irm\u00e3o, que por coincid\u00eancia tamb\u00e9m era an\u00e3o.<\/p>\n<p>A prefeitura fez quest\u00e3o de pagar todas as despesas para a vinda de Jig\u00fa, o irm\u00e3o gem\u00eao do finado Jag\u00fa. O irm\u00e3o foi morar em \u00c1guas Vermelhas na mesma casa do falecido.<\/p>\n<p>Na verdade, todos aguardavam pacientemente ou impacientemente o falecimento do irm\u00e3o de Jag\u00fa para fazerem uma festa mais animada que a do vel\u00f3rio de Jag\u00fa. Muitos acreditavam que aquele seria o segundo e \u00faltimo vel\u00f3rio de an\u00e3o que presenciariam em toda a sua vida.<\/p>\n<p>Colabora\u00e7\u00e3o de Luiz Castro<\/p>\n<p>Bacharel Administra\u00e7\u00e3o de Empresa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0ENTERRO DE AN\u00c3O\u00a0 REALIZADO POR WANDECO\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Existe um grupo chamado &#8221; G\u00c7VA&#8221; (Grupo dos Ca\u00e7adores de Vel\u00f3rio de An\u00f5es) [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[10],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95505"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95505"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95505\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95515,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95505\/revisions\/95515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}