{"id":98235,"date":"2015-12-28T20:16:37","date_gmt":"2015-12-28T23:16:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=98235"},"modified":"2015-12-28T20:16:37","modified_gmt":"2015-12-28T23:16:37","slug":"do-narcisismo-e-da-megalomania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2015\/12\/28\/do-narcisismo-e-da-megalomania\/","title":{"rendered":"Do Narcisismo e da Megalomania"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>POR GUILHERME ALBAGLI DE ALMEIDA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ao longo do tempo, o Homem preservou tanto a mem\u00f3ria de fatos hist\u00f3ricos, reais, dignos de serem lembrados pelo seu potencial educativo, quanto criou mitos nem sempre baseados na realidade, com a mesma finalidade did\u00e1tica. Alguns destes mitos s\u00e3o o do\u00a0<em>Narciso<\/em>, da\u00a0<em>Torre de Babel<\/em>\u00a0e do\u00a0<em>\u00cdcaro<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Narciso, contam as diferentes vers\u00f5es deste mito, foi um belo jovem extasiado pela sua pr\u00f3pria beleza. Passou dias e dias ajoelhado \u00e0 beira de um lago \u00a0se mirando sem nada comer ou beber. De inani\u00e7\u00e3o desmaiou, na \u00e1gua tombou e ali se afogou.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Outro relato que nos alerta aos perigos da exagerada autoconfian\u00e7a encontramos no mito do \u00cdcaro, ambicioso ao extremo de desejar voar pr\u00f3ximo ao sol. Seu pai lhe fabricou asas artificiais e as colou \u00e0s suas costas, mas com cera de abelha que, no meio do caminho, derreteu-se, soltando-lhe as asas, despencando-se \u00a0o jovem que espatifou-se ao ch\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Outro relato semelhante, desta vez meio ver\u00eddico, \u00e9 o caso da Torre de Babel, cujos construtores desejavam que chegasse \u00e0s nuvens sem, contudo, calcularem bem a sua base de sustenta\u00e7\u00e3o. Como \u00cdcaro, a torre n\u00e3o resistiu e ruiu, estando os restos dos seus adobes ainda vis\u00edveis nas ru\u00ednas de Babil\u00f4nia, no atual Iraque.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Se maneirassem a vaidade e a autoconfian\u00e7a, Narciso poderia se admirar por muito mais tempo; \u00cdcaro teria voltado da sua explora\u00e7\u00e3o e se, em vez da cera, usasse correias de couro para prender as suas asas, e a torre teria chegado mais alto se houvesse maior preocupa\u00e7\u00e3o com a estabilidade da mesma, alargando convenientemente as suas partes mais baixas.<\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>O desastre s\u00f3cio-ambiental que destruiu 700 km de um rio brasileiro quase da sua nascente at\u00e9 mar adentro e que os engenheiros da mineradora respons\u00e1vel dizem\u00a0<em>&#8220;n\u00e3o saber o motivo&#8221;<\/em>, me faz lembrar de imediato tais antigos mitos.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pouca barragem para muita lama residual da minera\u00e7\u00e3o a ser contida. Autoconfian\u00e7a exagerada dos seus engenheiros. E vaidade exacerbada ao pensarem que tal barragem magrela conteria o cont\u00ednuo dep\u00f3sito desta lama t\u00f3xica. T\u00e3o fr\u00e1gil era a conten\u00e7\u00e3o da represa que, logo ap\u00f3s o desastre, prometeram mandar cinco mil ca\u00e7ambadas de terra para refor\u00e7ar a base da barragem. Est\u00e1 a\u00ed a simples resposta da origem do desastre.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vamos orar para que o Criador \u00a0amacie os nossos cora\u00e7\u00f5es, minimizando o nosso narcisismo e a nossa megalomania.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Voltemos a chamar a foz do Cachoeira pelo seu nome geograficamente correto. \u00c9 rid\u00edculo chamar a foz do Cachoeira &#8220;<em>Ba\u00eda do Pontal<\/em>&#8220;, por mais que amemos este peda\u00e7o do litoral brasileiro. Acho que nem a denomina\u00e7\u00e3o &#8220;<em>Enseada do Pontal<\/em>&#8221; , com justi\u00e7a, caberia neste caso.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nossos Tupinamb\u00e1, muito s\u00e1bios na constru\u00e7\u00e3o da sua l\u00edngua, a chamariam apenas\u00a0<em>Y-gua-pe<\/em>, isto \u00e9: &#8220;<em>lugar onde as \u00e1guas se re\u00fanem<\/em>&#8220;. Chega de &#8220;<em>Praia dos Milion\u00e1rios&#8221;<\/em>\u00a0e &#8220;<em>Point dos Bar\u00f5es<\/em>&#8221; pois milion\u00e1rios e bar\u00f5es verdadeiros devem estar mesmo pela Fl\u00f3rida ou pelo Caribe e n\u00e3o nas ruas e praias sujas da Zona Sul da Cidade<\/strong><\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uns vinte anos, uma cozinheira capixaba abriu um restaurante popular no<em>Quadrado de Trancoso.<\/em>\u00a0T\u00e3o pequeno era o espa\u00e7o, com uma s\u00f3 porta de entrada, que a dona p\u00f4s o nome mais simples poss\u00edvel ao seu pequeno empreendimento: &#8220;<em>A Portinha<\/em>&#8220;, que hoje \u00e9 um templo gastron\u00f4mico com no minimo tr\u00eas endere\u00e7os em tr\u00eas cidades. Outro exemplo: &#8220;<em>A Biboca<\/em>&#8220;, de um querido amigo que s\u00f3 fez crescer e reinvestir com a sua humilde biboca.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vamos olhar para cima, para frente, mas com o olho tamb\u00e9m ao ch\u00e3o, pois ali est\u00e3o buracos nos quais podemos trope\u00e7ar ou sermos de vez tragados por eles.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR GUILHERME ALBAGLI DE ALMEIDA Ao longo do tempo, o Homem preservou tanto a mem\u00f3ria de fatos hist\u00f3ricos, reais, dignos de serem lembrados pelo seu potencial educativo, quanto criou mitos nem sempre baseados na realidade, com a mesma finalidade did\u00e1tica. Alguns destes mitos s\u00e3o o do\u00a0Narciso, da\u00a0Torre de Babel\u00a0e do\u00a0\u00cdcaro. 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