{"id":98995,"date":"2016-02-15T19:08:00","date_gmt":"2016-02-15T22:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=98995"},"modified":"2016-02-15T19:08:00","modified_gmt":"2016-02-15T22:08:00","slug":"reestruturar-desmontar-ou-mutilar-a-ceplac","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2016\/02\/15\/reestruturar-desmontar-ou-mutilar-a-ceplac\/","title":{"rendered":"REESTRUTURAR, DESMONTAR OU MUTILAR A CEPLAC?"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Luiz Ferreira da Silva<\/strong><\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Pesquisador aposentado da CEPLAC, Escritor<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">luizferreira1937@gmail.com.<\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 311px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Luiz-Ferreira-_-2012-ufrrj.jpg\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"226\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><strong>Luiz Ferreira<\/strong><\/p><\/div>\n<p>Publiquei este artigo, em <strong>dezembro de 1989<\/strong>, no <strong><em>JORNAL AGORA<\/em><\/strong>, de Itabuna, <strong>portanto h\u00e1 26 anos atr\u00e1s<\/strong>, quando s\u00f3 se falava em reduzir o quadro da CEPLAC, sem a preocupa\u00e7\u00e3o de torn\u00e1-la eficaz e atualizada para o momento requerido. A s\u00edndrome era que a Institui\u00e7\u00e3o tinha muita gente e o \u201cmote\u201d era demitir, por em disponibilidade e desestimular os mais velhos. Veja no que deu! Como agora<strong><em>, <\/em>ano 2016<\/strong>, se fala numa outra CEPLAC, creio que o modesto documento possa ter alguma serventia para os formatadores de um novo modelo que se anuncia, apesar de tempos outros, advertindo-os que se trata de um Patrim\u00f4nio Agr\u00edcola Institucional sem precedentes, cujo modelo sui generis foi reconhecido at\u00e9 internacionalmente (IICA-OEA).<\/p>\n<p>___________________________________________<\/p>\n<p>Quando se tenciona reestruturar uma organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental que se defina qual ser\u00e1 o papel. Isso porque a estrutura \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia, vindo depois desta defini\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que uma simples mudan\u00e7a de \u201cquadrinhos\u201d n\u00e3o \u00e9 panac\u00e9ia. Por outro lado, h\u00e1 que se atentar para o estabelecimento de diretrizes, programas, metas e meios para se atingir os objetivos propostos, sem esquecer a decis\u00e3o firme, o comprometimento e a <strong>obstina\u00e7\u00e3o do fazer<\/strong>.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico da CEPLAC, primeiramente tem que se saber qual ser\u00e1 o seu \u201cneg\u00f3cio\u201d. O que a sociedade espera e quer do \u00d3rg\u00e3o? Quais os anseios e as expectativas dos seus usu\u00e1rios? Que produtos ela pode fornecer?<\/p>\n<p>A resposta a estas indaga\u00e7\u00f5es \u00e9 que vai possibilitar a necessidade de adaptar, modificar, mudar os rumos e inovar, identificando os instrumentos capazes de se atingir \u00e0quela doutrina preestabelecida<\/p>\n<p>Da\u00ed, primordialmente, h\u00e1 que se discutir o papel da CEPLAC para os novos momentos: (a) \u00d3rg\u00e3o voltado exclusivamente para o cultivo do cacau?; (b) \u00d3rg\u00e3o tamb\u00e9m voltado para outros cultivos de interesse regional?; (c) \u00d3rg\u00e3o de desenvolvimento rural integrado?; ou \u00d3rg\u00e3o de desenvolvimento regional?<\/p>\n<p>Este \u00e9 o primeiro passo que vai exigir uma discuss\u00e3o ampla e aberta, procurando analisar o cacau no epicentro de uma regi\u00e3o de alto potencial agr\u00edcola e posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica invej\u00e1vel, por\u00e9m com uma <strong>economia desarticulada<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que o gol a se atingir \u00e9 o desenvolvimento regional, independentemente da fun\u00e7\u00e3o que a CEPLAC venha a exercer. O que a sociedade almeja \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o e o crescimento simult\u00e2neo da agricultura em concomit\u00e2ncia com a solu\u00e7\u00e3o dos problemas econ\u00f4micos, sociais, ambientais, pol\u00edticos, culturais e institucionais, diferentemente da atual economia espasm\u00f3dica, merc\u00ea dos altos e baixos da monocultura do cacau.<\/p>\n<p>Em base a esses pressupostos, um caminho seria a CEPLAC atuar como part\u00edcipe do sistema de desenvolvimento regional, na condi\u00e7\u00e3o de gestora das a\u00e7\u00f5es integrativas da produ\u00e7\u00e3o, esp\u00e9cie de <strong>agente de desenvolvimento rural integrado<\/strong>. Isso n\u00e3o significaria e nem seria desej\u00e1vel que ela fizesse tudo, mas poderia indicar, orientar, aglutinar e coordenar a\u00e7\u00f5es governamentais. Tampouco, negligenciaria o seu forte \u2013 excel\u00eancia no campo agr\u00edcola \u2013 mas cooptaria outros parceiros em a a\u00e7\u00f5es de m\u00e3o dupla, possibilitando incrementos nas \u00e1reas de biotecnologia, agroind\u00fastria, engenharia da produ\u00e7\u00e3o, estudos da conjuntura regional, \u201cf\u00e1brica de projetos\u201d, e capta\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p>Isso tudo converge a uma id\u00e9ia existente de se criar um <strong>Conselho de Desenvolvimento<\/strong> <strong>Regional<\/strong>, como um f\u00f3rum representativo, onde participantes de diversos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e entidades privadas estabelecem o consenso relativo a objetivos e estrat\u00e9gias para desenvolver a regi\u00e3o. Neste contexto, a CEPLAC coordenaria as a\u00e7\u00f5es, concentrando esfor\u00e7os e captando recursos, direcionando-os \u00e0quelas atividades de maior retorno \u00e0 comunidade cacaueira. Seria um conselho presidido pela Secretaria de Planejamento da Bahia, com uma secretaria exercida pela CEPLAC, comprometendo o Estado com a regi\u00e3o, numa interdepend\u00eancia apoiada nas a\u00e7\u00f5es integrativas e interesses comuns.<\/p>\n<p>Em quaisquer circunst\u00e2ncias, \u00e9 imprescind\u00edvel que se tenha uma CEPLAC forte, moderna e atuante, envidando-se esfor\u00e7os para sua revitaliza\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de se perder tempo em atac\u00e1-la e at\u00e9 denegrir seu corpo funcional, como s\u00f3i acontecer na atualidade. Da mesma maneira, que sejam fortalecidas as demais institui\u00e7\u00f5es regionais: Cooperativas, Universidade, CNPC, dentre outras.<\/p>\n<p>Assim colocada a quest\u00e3o, qualquer outro caminho de reestrutura\u00e7\u00e3o da CEPLAC, em que n\u00e3o se considerem os embasamentos doutrin\u00e1rios, as caracter\u00edsticas \u201csui generis \u201cda regi\u00e3o e nem se facultem discuss\u00f5es profundas com os diversos segmentos da sociedade, <strong>n\u00e3o passa de um desmonte<\/strong>, <strong>com poss\u00edveis riscos de se depredar um patrim\u00f4nio dessa magnitude<\/strong>, pe\u00e7a fundamental ao desenvolvimento do sudeste da Bahia.<\/p>\n<p>Finalizando, \u00e9 oportuno frisar que estas considera\u00e7\u00f5es, mesmo sem querer imp\u00f4-las como verdade absoluta, podem pelo menos servir de alerta para muitas pessoas que, ao visualizarem um s\u00f3 \u00e2ngulo do problema, n\u00e3o se apercebem da sua complexidade. Reestruturar n\u00e3o \u00e9 simplesmente fundir unidades, remover pessoal, extinguir atividades e nem trocar \u201cfigurinhas\u201d. \u00c9 muito e muito mais; positivamente n\u00e3o \u00e9 tarefa para poucas pessoas e, tampouco, para amadores (<strong>publicado em 10-12-1998).<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Ferreira da Silva Pesquisador aposentado da CEPLAC, Escritor luizferreira1937@gmail.com. &nbsp; Publiquei este artigo, em dezembro de 1989, no JORNAL AGORA, de Itabuna, portanto h\u00e1 26 anos atr\u00e1s, quando s\u00f3 se falava em reduzir o quadro da CEPLAC, sem a preocupa\u00e7\u00e3o de torn\u00e1-la eficaz e atualizada para o momento requerido. 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