{"id":99129,"date":"2016-02-20T22:07:23","date_gmt":"2016-02-21T01:07:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=99129"},"modified":"2016-02-20T22:07:23","modified_gmt":"2016-02-21T01:07:23","slug":"a-ceplac-e-unica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2016\/02\/20\/a-ceplac-e-unica\/","title":{"rendered":"A CEPLAC \u00c9 \u00daNICA"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A CEPLAC \u00c9 \u00daNICA<\/strong><\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>UMA CONTRIBUI\u00c7\u00c3O \u00c0 REVITALIZA\u00c7\u00c3O <\/strong><\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>DE UMA INSTITUI\u00c7\u00c3O, ONTEM MODELO E, HOJE, AMEA\u00c7ADA DE EXTIN\u00c7\u00c3O.<\/strong><\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Luiz Ferreira da Silva, 79<\/strong><\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Pesquisador aposentado da CEPLAC<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Ex-Diretor do CEPEC (1979-81), ex-Chefe da CEPLAC\/Amaz\u00f4nia (1982-85) e ex-Coordenador-Adjunto (1986).<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"mailto:luizferreira1937@gmail.com\">luizferreira1937@gmail.com<\/a><\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Cel. 99313-1030<\/span><\/h2>\n<div id=\"attachment_99130\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/LUIZ-FERREIRA-2016-ARTIGO-CEPLAC.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-99130\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-99130\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/LUIZ-FERREIRA-2016-ARTIGO-CEPLAC.jpg\" alt=\"LUIZ FERREIRA\" width=\"300\" height=\"378\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/LUIZ-FERREIRA-2016-ARTIGO-CEPLAC.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/LUIZ-FERREIRA-2016-ARTIGO-CEPLAC-238x300.jpg 238w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-99130\" class=\"wp-caption-text\">LUIZ FERREIRA<\/p><\/div>\n<p>De vez em quando, ou\u00e7o falar que a CEPLAC (Comiss\u00e3o Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) n\u00e3o tem mais sentido, por confluir suas atividades \u00e0s da EMBRAPA (Empresa Brasileira Agropecu\u00e1ria de Pesquisas) ou mesmo com a UESC (Universidade Santa Cruz). No primeiro caso, pela sobreposi\u00e7\u00e3o de atividades e, no segundo, por colidir no mesmo espa\u00e7o geogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>O modelo da CEPLAC transcende a qualquer institui\u00e7\u00e3o rural, quando sob uma mesma cabe\u00e7a, 4 membros se articulam de modo sist\u00eamico: Pesquisa, Extens\u00e3o, Ensino e Apoio ao desenvolvimento.<\/p>\n<p>Os resultados comprovam tal assertiva, incluindo a forma\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3o-de-obra de excel\u00eancia nos 3 pilares dos recursos humanos: t\u00e9cnico, operacional e administrativo.<\/p>\n<p>Esta concep\u00e7\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o de atividades voltadas ao homem do campo mereceu reconhecimento no pais (EMBRAPA) e internacionalmente (IICA\/OEA), ficando gravada nas palavras do Presidente Geisel quando assim se expressou: &#8211; Feliz do Brasil se tivesse v\u00e1rias CEPLACs.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a Institui\u00e7\u00e3o que me formou e, que hoje, vem se deteriorando a olhos vistos, sendo at\u00e9 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, haja vista a insensatez dos governos p\u00f3s-revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro mau sinal foi o encaixe no MAPA (Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento), \u00e0 martelo, como um corpo estranho e sem import\u00e2ncia. Uma figura d\u00edspar numa estrutura mais voltada a fun\u00e7\u00f5es normativas e de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s desta irrelev\u00e2ncia, o MAPA poderia preencher uma lacuna \u2013 a presen\u00e7a p\u00fablica no meio rural atendendo sobretudo aos pequenos e m\u00e9dios agricultores, criando um Instituto, a exemplo de tantos outros existentes em outros Minist\u00e9rios \u2013 INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais); INPA (Instituto de Pesquisas da Amaz\u00f4nia) \u2013 poderia preencher uma lacuna existente no MAPA, ao tempo em que fecharia o c\u00edrculo de abrang\u00eancia de suas a\u00e7\u00f5es agropecu\u00e1rias.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Refiro-me sucintamente a um \u00d3rg\u00e3o com os mesmos segmentos existentes na CEPLAC, acrescido de uma Unidade de Cooperativismo ou Associativismo Rural, pela necessidade de se poder inserir a pequena produ\u00e7\u00e3o na economia de mercado, tornando-a competitiva. O seu \u201ccore\u201d seria os cultivos tropicais perenes das regi\u00f5es vocacionadas para o cultivo do cacau (Sul da Bahia, Rond\u00f4nia e Transamaz\u00f4nica), com \u00eanfase em sistemas de agricultura conservacionista e manejo do solo e da \u00e1gua; levantamento e monitoramento dos recursos naturais; ecologia florestal, sobretudo da Mata Atl\u00e2ntica; e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas.<\/p>\n<p>Haver\u00e3o de perguntar: E a EMBRAPA? N\u00e3o haveria nenhuma superposi\u00e7\u00e3o de atividades com a EMBRAPA, que \u00e9 uma empresa vinculada ao MAPA, com a fun\u00e7\u00e3o de desenvolver pesquisas agropecu\u00e1rias, n\u00e3o se constituindo em um \u00d3rg\u00e3o p\u00fablico, como seria o Instituto referido. Pelo contr\u00e1rio, poderia haver trabalhos em parcerias, sem qualquer competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a fundamental dessa nova CEPLAC \u00e9 a sua institucionaliza\u00e7\u00e3o como \u00d3rg\u00e3o voltado ao agricultor, independentemente da sua condi\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica, at\u00e9 com mais enfoque \u00e0 m\u00e9dia e pequena produ\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de um sistema integrado de a\u00e7\u00e3o (pesquisa, extens\u00e3o, ensino e organiza\u00e7\u00e3o do produtor e da produ\u00e7\u00e3o), diferentemente da EMBRAPA, que \u00e9 uma empresa, al\u00e9m de se constituir num valioso subs\u00eddio do governo ao meio rural, atrav\u00e9s de seus resultados. O bra\u00e7o p\u00fablico, pois, no meio rural, e mais ainda pela intera\u00e7\u00e3o, subsidiando \u00e0s outras a\u00e7\u00f5es do MARE, sejam as normativas, sejam as de coordena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a consecu\u00e7\u00e3o desse \u00f3rg\u00e3o (Instituto, Centro, Funda\u00e7\u00e3o), o MAPA tamb\u00e9m estaria em condi\u00e7\u00f5es de apoiar atividades de outros Minist\u00e9rios, como o da Reforma Agr\u00e1ria e o do Meio Ambiente.<\/p>\n<p>\u00c9 de bom alvitre refor\u00e7ar ainda mais a diferen\u00e7a entre as duas Institui\u00e7\u00f5es para melhor elucida\u00e7\u00e3o. A EMBRAPA possui diversos Centros de produtos, tais como soja, fruticultura e mandioca, arroz e feij\u00e3o, dentre outros. E adicionalmente, Centros de Recursos como o dos Cerrados, do Semi\u00e1rido. Diferentemente, o CEPEC (Centro de Pesquisas do Cacau), implantado pela CEPLAC em 1962, abrange tanto produtos como recursos, haja vista as pesquisas e levantamentos tanto nas disciplinas agron\u00f4micas (gen\u00e9tica, solos, fitopatologia, fisiologia vegetal, entomologia, engenharia da produ\u00e7\u00e3o, tecnologia de alimentos) quanto referentes aos recursos naturais (Pedologia, Bot\u00e2nica, Climatologia, Fitogeografia).<\/p>\n<p>Dessa forma, o CEPEC, al\u00e9m das tecnologias de produtos, executa detalhados trabalhos fitogeogr\u00e1ficos, pedol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos, al\u00e9m dos acervos importantes como o herb\u00e1rio, arboretos; de a\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas na Esta\u00e7\u00e3o Pau Brasil, em Porto Seguro, bem como a instala\u00e7\u00e3o de um fundamental campo de germoplasma, em Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Tudo isso numa mesma unidade de pesquisa, possibilitando uma melhor aplica\u00e7\u00e3o das tecnologias geradas, bem como facilitando an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00f5es com vistas a novas a\u00e7\u00f5es de desenvolvimento rural integrado.<\/p>\n<p>Nesse aspecto, para aclarar ainda mais a concep\u00e7\u00e3o integrativa da pesquisa no CEPEC, \u00e9 preciso se ter esta consci\u00eancia que o CEPEC \u00e9 muito mais que qualquer centro de produto, tentarei explicar na seguinte hip\u00f3tese, a seguir:<\/p>\n<p>Suponhamos, como exerc\u00edcio, que um rico Chin\u00eas, assessorado por t\u00e9cnicos, deseja plantar uma determinada esp\u00e9cie (chamemos de Shiguiling) no Sudeste da Bahia. Re\u00fane-se com os t\u00e9cnicos do CEPEC, que nunca viram falar da tal planta, mas conhecem a \u00e1rea. O Ped\u00f3logo, conhecedor dos solos, com mapas e dados nas m\u00e3os, pergunta como s\u00e3o os terrenos de l\u00e1 e, \u00e0 medida que o Chin\u00eas vai descrevendo, o pesquisador vai identificando as caracter\u00edsticas e diz os locais apropriados para o empreendimento. Em seguida, o Climatologista solicita informa\u00e7\u00f5es concernentes e ent\u00e3o tamb\u00e9m aloca as \u00e1reas prop\u00edcias. O Edaf\u00f3logo com as informa\u00e7\u00f5es das exig\u00eancias nutricionais, tamb\u00e9m desenha uma f\u00f3rmula aproximada. O Fitopatologista e o Entomologista captam as informa\u00e7\u00f5es e definem as estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o para as doen\u00e7as e pragas informadas, pois sabem da intera\u00e7\u00e3o com as nuan\u00e7as biol\u00f3gicas dos nichos ecol\u00f3gicos. Mesma coisa o Economista e o Soci\u00f3logo, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3o-de-obra, mercado, transporte. E, assim por diante, Fisiologistas, Engenheiros da produ\u00e7\u00e3o, Tecn\u00f3logos de alimentos, Fitotecnistas, Extensionistas, Educadores v\u00e3o colhendo dados pertinentes.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, o grupo pode formatar um pacote tecnol\u00f3gico para come\u00e7ar, com base na \u201cOpini\u00e3o Correta\u201d (O que S\u00f3crates discutira com Meno, desenvolvendo a ideia da opini\u00e3o certa, valorizando-a em rela\u00e7\u00e3o ao conhecimento), com alta capacidade de acerto. Um Centro s\u00f3 de produto (Mandioca, de Soja ou de Caju) n\u00e3o teria essa capacita\u00e7\u00e3o de conjuminar recursos com produtos com tal possibilidade de \u00eaxito.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, nenhum Centro da EMBRAPA possui a magnitude do CEPEC, com sua complexidade multidisciplinar e uma rede diversificada de esta\u00e7\u00f5es experimentais. Talvez, por esta raz\u00e3o ela nunca se interessou em absorv\u00ea-lo, como muitos apregoavam. Mesma coisa aconteceu com rela\u00e7\u00e3o ao caf\u00e9 &#8211;\u00a0 excel\u00eancia cient\u00edfica no IAC &#8211; \u00a0cujo produto n\u00e3o consta em nenhum centro espec\u00edfico assemelhado aos de produtos.<\/p>\n<p>Por outro lado, em raz\u00e3o da pen\u00faria em que se encontra a CEPLAC, h\u00e1 quem advogue uma fus\u00e3o com a UESC, criando-se uma grande Universidade que se incumbiria do desenvolvimento regional, al\u00e9m de suas fun\u00e7\u00f5es de ensino. A princ\u00edpio, parece uma boa ideia, mas a hist\u00f3ria n\u00e3o tem mostrado isso, al\u00e9m das fun\u00e7\u00f5es ceplaqueanas ultrapassarem os limites da Bahia. O meu colega e saudoso amigo, Dr. Jorge Vieira, que amava as duas Institui\u00e7\u00f5es e se preocupava com o futuro delas, sempre discutia comigo essa sa\u00edda que, na sua concep\u00e7\u00e3o, seria exequ\u00edvel.<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, uma s\u00e9rie de \u00f3bices que parecem inviabilizar essa ideia; sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n<p>* Lembro-me do Dr. Paulo Alvim, h\u00e1 mais de 50 anos, que criticara Vi\u00e7osa, sua Escola, pela mis\u00e9ria que continuava a existir nos arredores da Universidade, sem que ela tenha modificado nada, tempos depois que ele retornou \u00e0 ESAV. Mesma coisa, acontece na baixada fluminense, com a desvincula\u00e7\u00e3o da Universidade Rural do Brasil, onde me formei. Outros exemplos dessa inocuidade: Cruz das Almas, BA; Areias, PB; Dois Irm\u00e3os, PE.<\/p>\n<p>* Quando a EMBRAPA foi criada, lembro-me da preocupa\u00e7\u00e3o existente, pois participei como assessor, de se implantar um modelo, no qual as Universidades forneceriam as pesquisas b\u00e1sicas acopladas \u00e0s aplicadas, que seriam da responsabilidade dos Centros de Produtos. N\u00e3o deu certo e os Centros da EMBRAPA passaram a ser como o CEPEC, um misto de ci\u00eancia e tecnologia e, inclusive tiveram que ser criados os de Recursos, pela impossibilidade de contar com as Universidades, na magnitude pretendida.<\/p>\n<p>* Uma vez, o CEPEC (eu era o seu Diretor) tentou junto \u00e0s Universidades do Sul estabelecer acordos de pesquisas, incumbindo-as de ci\u00eancia pura em projetos biol\u00f3gicos ligados \u00e0 phythoptora, utilizando os estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, na busca de informa\u00e7\u00f5es que se acoplassem \u00e0s tecnologias, melhorando-as. Simplesmente, analisando a complexidade &#8211; estudo de polifen\u00f3is (por exemplo) &#8211; disseram que os projetos da estudantada tinham tempo definido de obten\u00e7\u00e3o de resultados e j\u00e1 formatados em temas que dariam certo, pois havia o compromisso de form\u00e1-los, n\u00e3o podendo haver uma incerteza com pesquisas que poderiam demandar muito tempo para se obter informa\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0s tecnologias (pesquisas aplicadas).<\/p>\n<p>* Sem o compromisso com a tecnologia vinculada ao agricultor, as Universidades t\u00eam priorizado os estudos sem quaisquer relacionamentos com a sua aplica\u00e7\u00e3o direta, mas voltados \u00e0 pesquisa b\u00e1sica, por\u00e9m sem o casamento com a pesquisa aplicada. E, ademais, no atual momento, elas t\u00eam um compromisso com a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de f\u00e1brica de mestres e doutores. Dentro desse racioc\u00ednio, as duas &#8211; CEPLAC e UESC &#8211; poderiam at\u00e9 se complementar, mas n\u00e3o como est\u00e1 acontecendo: duplicidade de laborat\u00f3rios e uma concorr\u00eancia despropositada, como me foi passado, pois estou 23 anos afastado da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>* Diferentemente das Universidades, uma organiza\u00e7\u00e3o como a CEPLAC opera assemelhada \u00e0s denominadas de P&amp;D. Alguns exemplos refor\u00e7am esse racioc\u00ednio. O Estado de S\u00e3o Paulo possui excelentes Universidades (USP, Campinas, UNESP), entretanto \u00e9 o velho (125 anos) IAC-Campinas quem d\u00e1 suporte ao agricultor; no Paran\u00e1, o IAPAR; em Pernambuco, o IPA; em Minas Gerais, a EPAMIG; no Rio de Janeiro, a FIOCRUZ.<\/p>\n<p>Assim colocada a ideia de uma nova CEPLAC ou o seu retorno aos idos da d\u00e9cada de 90, creio ser importante discutir por que a regi\u00e3o sul baiana ficou omissa ao desmantelamento de tal patrim\u00f4nio, constru\u00eddo por sua pr\u00f3pria sociedade?<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode deixar de analisar o que chamo de <strong>\u201cs\u00edndrome destrutiva sul-baiana\u201d<\/strong>. A sociedade sulbaiana se omitiu ou permitiu destruir Organiza\u00e7\u00f5es como o ICB, a SULBA, o CNPC, o Sistema Cooperativo, a Ita\u00edsa. Agora, para muitos, a CEPLAC j\u00e1 era e a UESC \u00e9 o novo xod\u00f3, que dever\u00e1 ser a bola da vez, daqui uns anos mais, a se confirmar esse aparente determinismo.<\/p>\n<p>Eu chego a pensar que se a CEPLAC, ao inv\u00e9s do eixo Itabuna-Ilh\u00e9us, fosse implantada em Londrina (PR), em Campinas (SP), em Santa Maria (RS) ou mesmo em Campina Grande (PB), ela n\u00e3o teria chegado a esse estado ca\u00f3tico, pois a sociedade n\u00e3o deixaria. Anos atr\u00e1s, o IAC quase foi ao fundo do po\u00e7o no Governo Maluf, mas se recuperou e continua sendo o orgulho dos Campineiros, pois a sociedade rural paulista n\u00e3o permitiu tal insanidade.<\/p>\n<p>Assim, com base nessas considera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o parece dif\u00edcil revitalizar a CEPLAC, sem muita preocupa\u00e7\u00e3o, num dado momento, de mexer em quadrinhos e bolar esquemas, modelos e estrat\u00e9gias gerenciais. Alguns ajustes podem ser feitos, mas o \u201ccerne continua de lei\u201d.<\/p>\n<p><strong>&#8211;<\/strong> \u00c9 s\u00f3 se ater no que a Organiza\u00e7\u00e3o realizou em seus primeiros 35 anos de vida:<\/p>\n<ul>\n<li>Eleva\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de cacau em 310%, passando de 123 mil toneladas, nos anos 60\/65 para 380 mil toneladas, em m\u00e9dia, no quinqu\u00eanio 80\/85; assinalando um recorde de 457 mil toneladas no Ano Agr\u00edcola Internacional 1984\/85 (Outubro\/ Setembro).<\/li>\n<li>Aumento da produtividade m\u00e9dia das lavouras, de 220 kg por hectare para 740 kg por hectare;<\/li>\n<li>Eleva\u00e7\u00e3o das receitas cambiais de US$ 50 milh\u00f5es por ano, no quinqu\u00eanio 60\/65, para US$ 620 milh\u00f5es, em m\u00e9dia, no per\u00edodo 80\/85;<\/li>\n<li>O PROCACAU (Diretrizes para expans\u00e3o da cacauicultura nacional, 1976-1985) possibilitou, nas regi\u00f5es cacaueiras do pa\u00eds, a gera\u00e7\u00e3o de 80 mil empregos diretos.<\/li>\n<li>Na Amaz\u00f4nia, 11 mil homens sem-terra, migrantes de todos os rinc\u00f5es, transformaram-se, gra\u00e7as \u00e0 for\u00e7a do cacau, em pr\u00f3speros agricultores, cuja produ\u00e7\u00e3o de 36 mil toneladas, em 1985, representou o crescimento de 1.800% em rela\u00e7\u00e3o ao passado, pois antes da CEPLAC chegar \u00e0 regi\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o era semi-extrativa e n\u00e3o passava de 2 mil toneladas anuais;<\/li>\n<li>H\u00e1 tamb\u00e9m, relevantes resultados no campo da infraestrutura, com destaque para estradas, pontes, eletrifica\u00e7\u00e3o rural, escolas rurais, po\u00e7os artesianos, ind\u00fastrias de calc\u00e1rios, etc.;<\/li>\n<li>E, mais importante, os investimentos feitos na \u00e1rea de Recursos Humanos, tais como: forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra t\u00e9cnica (T\u00e9cnicos e Pr\u00e1ticos Agr\u00edcolas) e em n\u00edvel de trabalhador rural; e, com destaque na especializa\u00e7\u00e3o de seu corpo profissional (Geneticistas, Ped\u00f3logos, Fisiologistas, Economistas, Fitopatologistas, Entomologistas, Educadores Rurais, Extensionistas.), seu mais importante patrim\u00f4nio.<\/li>\n<li>O resultado alcan\u00e7ado de maior express\u00e3o para a cacauicultura mundial e nacional, foi a forma\u00e7\u00e3o de um banco de germoplasma na Amaz\u00f4nia na Esta\u00e7\u00e3o de Recursos Gen\u00e9ticos &#8220;Jos\u00e9 Haroldo&#8221;, no munic\u00edpio de Marituba, com 1800 acessos, compreendendo 940 de origem clonal e 877 seminal. Esse patrim\u00f4nio gen\u00e9tico est\u00e1 representado por 21.475 gen\u00f3tipos procedentes de 36 diferentes bacias hidrogr\u00e1ficas, fonte indispens\u00e1vel de consulta entre todos os pesquisadores e tomadores de decis\u00e3o incumbidos de subsidiarem o futuro da cacauicultura mundial.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>&#8211; <\/strong>N\u00e3o se pode querer que a Organiza\u00e7\u00e3o seja operante no estado atual, cujo debacle come\u00e7ou depois da extin\u00e7\u00e3o da taxa de exporta\u00e7\u00e3o, quando ela foi absorvida pelo MAPA, sem que a sociedade cacaueira, que a custeou, exigisse de direito o mesmo padr\u00e3o de qualidade. N\u00e3o, omiss\u00e3o total e continuou assim, passando a atacar e denegrir a Institui\u00e7\u00e3o, chutando-a como um cachorro morto.<\/p>\n<p><strong>&#8211;<\/strong> A continuar como est\u00e1, s\u00f3 para manter as apar\u00eancias, n\u00e3o \u00e9 legal e honesto, at\u00e9 em respeito aos seus servidores que a constru\u00edram com abnega\u00e7\u00e3o, suor e compromisso com o meio rural.<\/p>\n<p><strong>&#8211;<\/strong> De outra forma, havendo decis\u00e3o pol\u00edtica, cabe ao MAPA criar um Grupo de poucas pessoas, que tenham conhecimento t\u00e9cnico, viv\u00eancia institucional e \u201cvisgo\u201d do produto, para em uma \u201csentada\u201d e com cinco p\u00e1ginas bater o martelo sobre o futuro da CEPLAC. O mote \u00e9 azeitar as pe\u00e7as para o retorno da \u201cF\u00e1brica-CEPLAC\u201d. Depois, \u00e9 depois, e se vai arrochando os parafusos.<\/p>\n<p>Para tal, \u00e9 tarefa para a juventude das regi\u00f5es cacaueiras da Amaz\u00f4nia (Rond\u00f4nia e Par\u00e1), sobretudo da Bahia, como os novos produtores emergentes p\u00f3s vassoura-de-bruxa, que t\u00eam demonstrado uma nova consci\u00eancia de empreendedores, aos quais refor\u00e7o a minha convic\u00e7\u00e3o de que vale a pena lutar, junto ao MAPA, pela revitaliza\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f4nio institucional t\u00e3o duramente conquistado pelo cacau.<\/p>\n<p>E, finalizando, acredito que h\u00e3o de perguntar \u2013 \u201co que esse velho (79 anos), que mora em Macei\u00f3, h\u00e1 mais de 20 anos fora da regi\u00e3o, tem a ver com isso? Respondo-lhes sem pestanejar: &#8211; \u201cA CEPLAC foi meu primeiro e \u00fanico emprego; a minha Escola de aprendizagem t\u00e9cnica; e o meu vade-m\u00e9cum de \u00e9tica profissional\u201d. (<strong>Macei\u00f3, 20 de fevereiro de 2016)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CEPLAC \u00c9 \u00daNICA UMA CONTRIBUI\u00c7\u00c3O \u00c0 REVITALIZA\u00c7\u00c3O DE UMA INSTITUI\u00c7\u00c3O, ONTEM MODELO E, HOJE, AMEA\u00c7ADA DE EXTIN\u00c7\u00c3O. \u00a0 Luiz Ferreira da Silva, 79 Pesquisador aposentado da CEPLAC Ex-Diretor do CEPEC (1979-81), ex-Chefe da CEPLAC\/Amaz\u00f4nia (1982-85) e ex-Coordenador-Adjunto (1986). luizferreira1937@gmail.com Cel. 99313-1030 De vez em quando, ou\u00e7o falar que a CEPLAC (Comiss\u00e3o Executiva do Plano [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3,10],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99129"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99129"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99129\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":99133,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99129\/revisions\/99133"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}