{"id":99885,"date":"2016-03-26T19:46:17","date_gmt":"2016-03-26T22:46:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=99885"},"modified":"2016-03-26T19:47:00","modified_gmt":"2016-03-26T22:47:00","slug":"eu-e-a-chikungunya","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2016\/03\/26\/eu-e-a-chikungunya\/","title":{"rendered":"Eu e a Chikungunya"},"content":{"rendered":"<div id=\"messagebody\">\n<div class=\"message-htmlpart\">\n<div class=\"rcmBody\">\n<div dir=\"ltr\">\n<p><strong><em>Por Guilherme Albagli de\u00a0Almeida<br \/>\n<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Depois de uma leve febre e s\u00f3 um dia de prostra\u00e7\u00e3o, come\u00e7aram as dores, na sola e peito dos p\u00e9s, no tornozelo, joelho, ombros e dedos das m\u00e3os. Emerg\u00eancia hospitalar e\u00a0Dipirona amenizaram o sofrimento. Cessada a medica\u00e7\u00e3o, dores insuport\u00e1veis. Para se levantar de uma simples cadeira, s\u00f3 com algu\u00e9m me puxando as duas m\u00e3os. A minha valen\u00e7a era saber que este v\u00edrus incomodava, mas n\u00e3o matava, me disseram.<br \/>\nO pior era estar com uma breve viagem marcada \u00e0quela cidade romana da margem norte do T\u00e2misa. Comprara a passagem faz um ano, para os trinta anos da minha mais velha, mas fui proibido pela Dra. Cavicchiolo, pois estava, ent\u00e3o, ruim da glicemia. A empresa a\u00e9rea me dera um ano de prazo para remarcar a viagem e eu n\u00e3o queria perder o investimento j\u00e1 pago em dez presta\u00e7\u00f5es. Com a chikungunya mesmo, resolvi partir. Por l\u00e1, no frio,\u00a0as dores cessaram.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia, contudo, chegada a primavera, com muita luz, calor e as \u00e1rvores j\u00e1 exibindo os seus bot\u00f5es florais, l\u00e1 me voltam as dores citadas. Onze horas no avi\u00e3o me deixaram quase sem poder andar, mesmo me levantando umas doze vezes para circular no corredor da aeronave. \u00cata v\u00edrus amaldi\u00e7oado, distribu\u00eddo sem pena pela mosquita. Tive que me mudar para o t\u00e9rreo da minha casa para evitar subir e descer as escadas, quase de quatro.<\/p>\n<p>Nos out-doors, muita propaganda, nos pedindo que fa\u00e7amos a nossa parte. Mas a parte do governo, arrombando\u00a0as casas abandonadas que, com certeza, guardam focos das tais mosquitas, me parece ter ficado s\u00f3 no papel, com as autoriza\u00e7\u00f5es judiciais para as equipes arrombarem portas e muros das casas e terrenos desabitados que temos por muitos bairros. Aristides, um caboc\u00e3o motorista da linha de Oliven\u00e7a, ontem, me disse: &#8220;<em>Essa doen\u00e7a \u00e9 racista: n\u00e3o ataca nem preto nem pobre<\/em>&#8220;. Retruquei:\u00a0<em>&#8220;N\u00e3o seria ela conscienciosa, por j\u00e1 terem os pretos e os pobres problemas demais?&#8221;<\/em>. O Aristides parece ter mesmo raz\u00e3o: Um cientista, na TV, afirmou ser esta mosquita mais presente longe das \u00e1reas verdes t\u00e3o necess\u00e1rias\u00a0em toda cidade. Disse ele que, na falta da seiva vegetal, a zorra da mosquita vem se hidratar com o nosso sangue, ali deuixando o maldito v\u00edrus. O povo do Couto diz que, ali, quase ninguem pegou essa mis\u00e9ria.\u00a0Vamos, ent\u00e3o, priorizar a cobertura vegetal das nossas cidades, em vez de as cobrir com o concreto armado, como tanto gostam nossos dirigentes, por algum motivo.<strong>\u00a0<\/strong>Chega de concreto, chega de chikungunya!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Guilherme Albagli de\u00a0Almeida Depois de uma leve febre e s\u00f3 um dia de prostra\u00e7\u00e3o, come\u00e7aram as dores, na sola e peito dos p\u00e9s, no tornozelo, joelho, ombros e dedos das m\u00e3os. Emerg\u00eancia hospitalar e\u00a0Dipirona amenizaram o sofrimento. Cessada a medica\u00e7\u00e3o, dores insuport\u00e1veis. 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