Embora falte alguns dias para a decisão, o governo Dilma cuja progressão de impopularidade acompanhei dando meus pitacos desde as primeiras manifestações de ruas, parece estar, diante do atual panorama das duas casas legislativas, em fase terminal.

Não cheguei, provavelmente em razão de minha leiguice, chegar a uma conclusão se houve ou não os imputados crimes de responsabilidade. Como poderia se na Câmara e no Senado as explanações dos doutos especialistas jurídicos –dos dois lados– sobre os delitos foram carregadas de conveniências, em vez de se prenderem na letra fria constitucional! Como, se os parlamentares (os do Senado alguns poucos mais discretos) claramente anteviam o voto! Como, se até mesmo nos presidentes e relatores esta preferência era facilmente deduzível!

Se na de julgador a consciência não me levou a um veredicto, na de eleitor não, bati o martelo: longe de aceitar o propagado duo político-jurídico, para mim o rito foi puramente político. Por isso ficar convencido que no cerne estava a má condução da economia de um mandato refletido no outro, e a imperiosa necessidade de ajusta-la, o que viria atingir em cheio o bolso do consumidor.  Outro determinante: o estouro da corrupção na Petrobras. Crer piamente nas “pedaladas” seria deixar passar em branco, situações semelhantes em que os governadores dos Estados federados –como muito se propaga nos meios de comunicação – deitam e rolam no pedal.

Não entrando na seara do atual chefe da Câmara dos Deputados, autor do inusitado ato de anular o impeachment e depois voltar atrás, entremos na do novíssimo Poder Executivo que de prima eliminou 10 ministérios e, anunciou cortar até dezembro 4000 cargos comissionados; pacificar o país; reativar a economia com o objetivo de fomentar o emprego; promover reformas para uma maior autônima dos Estados e municípios, entre outras promessas. Os programas sociais também foram jogados para a plateia com as pronunciadas “letras garrafais” do Presidente.

Após as suavizadas palavras, outras nem tanto tiveram curso como as da volta da CPMF e, as do limitar de idade numa pretendida reforma previdenciária. Não mudaram o tom, mas houve transformação de esperançosas para contraditórias. Por que? Porque quando o governo titular tocava na referida Contribuição a maioria dos protagonistas do impeachment era useira e vezeira em declarar um sonoro “não” a esse tributo, e tinha como argumento não mais sacrificar a população. Ou a coerência terá sido momentânea?  Como reformar a Previdência é uma questão que vem gerando polêmica deste antigamente, o anunciado foi logo rebatido. E sabe por quem? Por um braço forte desse processo de cassação, chamando de “estapafúrdia” a proposta. O fato é que contradição é contradição e isso pode gerar desconfiança aos que estão ávidos para ver um país melhor, pois receitar iguais remédios que requerem mais sacrifícios do povo é, como se diz, trocar seis por meia dúzia.

O ajuste na economia, claro, se faz necessário, mas como uma das facetas de nosso sistema político é a acomodação dos coligados com um chamado “loteamento de cargos”… Esta característica fica patente na antecipação pública de Sua Excelência em fazer um ministério de notáveis, e o que se vê, conforme analistas, são uns gatos pingados dos ditos insignes. E no exercício alguns – vixe! – já registrados com nome, endereço e dedão polegar na Lava Jato.

Com relação a essa credibilíssima Operação, ainda bem, não sofrerá solução de continuidade conforme salientara o Ministro da Justiça; mas ao mesmo tempo manca no pedaço ao exprimir a vontade de subtrair do Ministério Público Federal a autonomia de indicação para a nomeação da chefia da Procuradoria-Geral da República.

Heckel Januário