WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia


março 2017
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  
« fev   abr »


















































FRANGO TITE

PostDateIcon 20/mar/2017 . 13:44

Essa onda de noticiários midiáticos sobre carne estragada que está viralizada na net e em outros noticiários midiáticos não nos está informando novidade. A venda de carne de animais sequestros sempre existiu, porque os donos de frigoríficos não querem perder aquele animal que morreu ao longo das viagens de remanejamento de plantéis, sejam de bovinos, suínos ou de aves.

No tempo dos boiadeiros, que remanejavam boiadas por estradas empoeiradas do sertão ou do pantanal, quando um boi se acidentava, era sacrificado e sua carne virava churrasco para a comitiva e a que sobrava era salgada e entregue ao cozinheiro para o rango nas paradas seguintes.

Esses noticiários fizeram-me me lembrar de uma crônica escrita pelo saudoso Ferreira Goular, há mais de 40 anos, na qual se lembra de quando era estudante e almoçava no famoso Restaurante Central dos Estudantes, conhecido como Calabouço, durante as décadas de 1950 e 60. Era um restaurante estudantil localizado próximo ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, que oferecia comida a baixo custo para estudantes de baixa renda.

O Calabouço não funcionava aos domingos, por isso os estudantes se viravam com lanches no almoço do domingo e esperava pelo jantar no restaurante do chinês Shio, na Rua do Riachuelo, próximo aos Arcos da Lapa. Eram servidos somente dois tipos de comida: frango tite e sopa de entulhos.

Depois de pressionar o garçom sobre o significado de “tite” veio a explicação: o senhor Shio faz as compras da semana todo domingo na feira do Largo da Glória. Os frangos e galinhas transportados em engradados, machucam-se na viagem e algumas chegam na feira morre-não-morre (e eram vendidos a baixos preços). O senhor Shio, sabendo disso, vai logo perguntando aos feirantes: “Tem galinha tite? Tem galinha tite?” E assim – continuou o garçom, Jacinto — compra tudo o que é galinha triste que há na feira. Umas estão apenas tristes, outras já morreram de tristeza, mas o chinês compra assim mesmo. E justifica: “Vai morrer mesmo!”, disse o garçom Jacinto,soltando uma gargalhada.

Eu ri também, mas sem achar a mesma graça. Dentro de meu estômago, acabara em se converter em tristeza a euforia de tantos jantares dominicais, a cinco cruzeiros velhos, velhíssimos. Quando contei a história ao pessoal, o amigo, Sá me fuzilou com os olhos: “Você é um estraga jantares!”

Fez-se um longo silêncio naquele anoitecer de domingo. O amigo Sá falou finalmente: – Bem, vamos à sopa de entulho!

PostCategoryIcon Publicado em Espaço do Leitor | 1.338 visualizações

Deixe seu comentário

Clique aqui para cancelar a resposta.



















































WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia