Boa Tarde para Você, José Leite de Souza.
Por Renato Casimiro
Professor na empresa FJN – Faculdade de Juazeiro do Norte
Consultor na empresa BMA Consultores

José Leite de Souza
Seguramente, você bem sabe da enorme alegria que vários juazeirenses, como eu, Zé Leite, sentimos ao reencontrá-lo em visita costumeira a esse seu amado chão do Juazeiro, como é do seu hábito, deixando a sua Ilhéus adotiva, em gesto tão típico desses nossos conterrâneos expatriados.
Uma graça, para mim, pelo menos, que de tão pouco lhe conheço, não esquecendo aquela manhã festiva em tempo de celebração do nosso primeiro centenário, quando coordenando luzida comitiva de baianos, com bispo, prefeito e gente notável, aqui aportou para abrilhantar a festa.
De quebra, ainda legou ao nosso espaço urbano a merecida, embora por uns questionada, homenagem ao general Dr. Floro Bartholomeu da Costa, esse elo comum entre caririenses e baianos, traduzida pelo fincamento de um monumento em via pública, na antiga Rua Nova.
Aprendi por esses seis últimos anos, José Leite, que isso é uma marca indelével de sua alegria de viver, dessa honorária condição de nosso grande embaixador que não se cansa de estar realizando alguma coisa que traduza esse entusiasmo constante pelo nosso desenvolvimento e bemestar.
Então, mais uma vez, ocorre-me o dever civilizado de saudá-lo por essa mania, e desculpe-me ao fazê-lo à moda irreverente, e bem humorada, tão ao gosto de sua convivência, onde de tudo se ri um pouco e se tem sempre uma boa tirada de espírito leve e solto à margem do sisudo da vida.
Revi-o por esses dias, entre a reza dominical na Basílica e o refresco da Praça Pe. Cícero, para nos trazer a lembrança desse esforço continuado pela completa reabilitação do Padre Cícero, a se realizar com gesto mais completo, pelo menos com a proclamação desse servo de Deus.
Com o respeito que lhe devotamos, assimilamos a sua postura de grande insatisfação, ainda, pelo fato de que aquela carta do cardeal Pietro Parolin, em nome de Sua Santidade Francisco é ainda pouco para o nosso esperado e a exigir ainda mais da Santa Sé para uma solução da causa.
A tirar por declaração dita aqui na Diocese, não se constitui novidade que o Santo Padre tenha dito que ainda deverá fazer muito mais por essa alma intranquila, à espera do que ele mesmo disse e reafirmou, de que a sua própria Igreja seria capaz de reabilitá-lo, um dia, se bem tão demorado.
Mas a mansidão e a serenidade que nos deixou o Patriarca ao partir naquele 20 de Julho de 1934 parece ainda persistir no íntimo coração de seus romeiros, de modo que prevalece a esperança, muito mais que a indignação e a convulsão por desafio tão longevo às suas expectativas.
Nisso, Zé Leite, ainda parece residir a grande diferença entre essas posturas, a lembrar os rótulos tão bem aplicados por Ralph della Cava, os de filhos da terra e de adventícios, aqueles mais intolerantes, esses aparentemente mais apáticos, muito mais crentes na santidade de seu santo.
Fato novo, desses dias pós Quaresma, com seu testemunho ocular, presença e fala, é a iniciativa de uma frente parlamentar, gesto coordenado por políticos, no sentido de continuar a sensibilização, não se deixando de lado o que até parece ser, o de produzir uma atitude de pressão popular.
Evidentemente, e bem imaginávamos, por descrença, apatia e desobediência, aí não formaria qualquer eminência eclesiástica solidária ao movimento, como se a denotar antecipado as sábias palavras da escritura, para continuar separando o que é de César e o que é de Deus.
Assim segue, por braços generosos, por mentes saudáveis como essa sua, José Leite, que nos traz frequentemente lembretes impressos, distribuindo com simpatia por entre praças e ruas movimentadas, reavivando a necessária luta e renovando a esperança para se obter, seja lá como for, contanto que seja breve, para desfazer o velho nó de que um dia “Roma locuta, causa finita”.
Quero crer que por vezes ainda nos parece presentes os ranços inquisitoriais que impregnavam o clima e as emoções da época, relembrando o que figuras notáveis do clero cearense que, por incrível que pareça, não deixaram de manifestar sua descrença nos milagres, alegando que “Nosso Senhor Jesus Cristo não deixaria a Europa para operar milagre no miserável lugar do joaseiro”.
Incrível é imaginar que uma frase dessas tenha nos trazido tanto desconforto espiritual, a ponto de realçar a nossa indignação por mais de cem anos, sem nos arrefecer a mais funda convicção.
Nem eu nem você, Jose Leite de Souza, acreditamos nisso, pois se de tudo ficou uma grande lição, sem dúvida foi aquela com a qual nos convencemos que, de fato, aqui Juazeiro do Norte foi o grande milagre de Nosso Senhor Jesus Cristo e o nosso Santo Padrinho foi o seu maior servo.
Juazeiro do Norte 19-04-2017.


























































