Amor e ficção
Brimo! Assalamoalaykom.
Nem só de insipiências, banalidades, tragédias e perdas; vive o homem moderno. É imprescindível divagar um pouco, perder-se nos despropósitos da razão, sorrir, sonhar e ate chorara de rir. Ninguém está satisfeito com o cotidiano da própria vida. Haverá sempre sonhos irrealizados e pedaços da alma arrancados dolorosamente ao longo do caminho dessa coisa a que chamamos vida. Fragmentos passados e recentes; lapsos e fluts da nossa memória. Essa é minha intenção enquanto escrevo. Às vezes posso parecer brutal; desafeto; incoerente, chulo e ate vulgarmente pornográfico. É que quando escrevo, meu entendimento e inspiração passam a limitar-se apenas às fronteiras criativas da minha contemporânea e limitada literatura contemporânea. Aí esqueço que não estou mergulhado no meu livro, enquanto postando um texto nalgum site de amigos comedidos.
Como não consigo falar sério sobre o inevitável e o irrecuperável que envolve política; sobre montículos de lixo à minha porta; sobre lâmpadas queimadas nos postes da cidade; sobre escolas em ruínas, sobre crianças com pífia merenda escolar; sobre as famigeradas e reiteradas “comidas” praticadas pelos nossos homens no poder. Perco-me então em ilações ficcionais na medíocre literatura que pratico, reconheço, porquanto as “soluções” existenciais, por inócuas, não resultam na absolvição da escravatura do homem moderno ao stablisment; “sistema” sob o qual vivemos. Não sou contra ninguém! Sou apenas contra tudo e contra todos que nos tolham por injustos nossa felicidade existencial simplória e minimalista.
Vai aí abaixo uma crônica anacrônica para derreter um pouco os icebergs das nossas insatisfações cotidianas, sem maiores pretensões. Não quero nem vou “pornografar” o pensar de ninguém ou ser inadequadamente impróprio aos bons costumes dos meus veiculadores; creia; é verdade.
Você pode não crer nisso, mas vou assegurar-lhe: Sou seu amigo, não duvide. Tenho imenso respeito por você; admiro e aprovo seu perfil. Quanto a mim; sou o que sou. Desagrado a muitos. Sou um contraditório de nascença.
Aquela do “Anus eloquentis – Por inspiração de Kafka” Anus eloquentis. “Nunca vou esquecer o horror que congelou minhas glândulas, quando a palavra funesta cicatrizou em meu cérebro vertiginoso. Não passou da mediação. Não importa.
Segue esta outra (anexo) para seu crivo apurado.
Massala’am e fique com Deus… Sempre!
Mehmed.
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Venho através estas mal traçadas linhas solicitar às pessoas que se derem ao trabalho de lê-las; solicitar qualquer tipo de ajuda para localizar o meu cágado Platão. Qualquer ajuda para localizá-lo, se ainda estiver vivo com a graça de Deus, será importante. Podem me avisar e dar informações por telefone fixo ou celular, por e-mail, carta registrada, vale postal, depósito em conta corrente, transferência online ou mandar entregar no meu endereço, aqui em casa. Estamos todos morrendo de saudade dele que, embora vivendo lá no quintal comendo bosta, ainda assim era uma companhia inseparável, para vovó e vovô, falecidos em 80 meus quatro filhos e seis netos que moram na Síria, dois sobrinhos que estão em Cuba, Netinho e Robertinho lá do baba do esgoto, ora meotas assumidos no consumo do goro; Vandisnália minha ex-amante e Eliscleusa minha ex-esposa, que me deixou em 72, fugindo meio dia com um artesão Hippie que assumiu nunca mais fazer do seu ofício um meio de subsistência. Não sei, mas de algum tempo pra cá eu tive alguns pressentimentos que o meu cágado Platão iria nos deixar! Foi desde quando ele começou a ler Kafka. Tenho a impressão que foi naquele trecho minucioso passado no Tribunal, cheio de lascívia e sexo pesado quando aquele casal de estranhos pratica aquela cena descrita em detalhes por Kafka, no seu livro O Processo. Acho que foi a partir daquela leitura imprópria e cheia de impurezas comportamentais supostamente de fundo ficcional literário, que notei mudanças no comportamento do meu amado cágado Platão. Ele mudou muito. Começo a ler Virgílio, Kant, Henri Miller, Edith Stein, Hipárquia de Maronéia, Catulo da Paixão Cearense e ate Marimbondos de Fogo, do Zé Sarney. Imagino os conflitos gerados pelo livro “Metamorfose”, em sua personalidade tão imatura e evoluindo duma puberdade de puríssimo apedeutismo empírico, para as profundidades do pensamento contemporâneo no pós-modernismo? Um caos intelectual. Sei que isso o levou a certas atitudes antes nunca vistas, como imprecar em frases como, perdoem mencioná-las aqui: “puxa vida; que droga”, e alguns muxoxos exclamativos como “Ah! Ih!” e ate, desculpem-me, “Pô!” dentre outros monossilábicos impublicáveis, que o respeito e bom senso recomendam-me omitir. Ele ultimamente vinha se insinuando, acredito cheio de más intenções pros lados da cágada adolescente da minha vizinha. Imaginem! Pedofilia? Abuso de menor? O que é que uma leitura mal dirigida não faz na cabeça de algumas pessoas e seus bichinhos de estimação? A vizinha até ameaçou-me procurar o a Delegacia para registrar um “B.O.”, exame de Corpo Delito etc; mas, felizmente ficou só na ameaça, graças a Deus. Não me importa trabalho e as preocupações que o Platão traz ao meu dia-a-dia. Ele sempre foi uma ótima companhia para mim. Acostumei-me a vê-lo lá no quintal preguiçosamente coprófilo, degustando rotundos toletes esquecidos por alguém lá de casa, onde moro sozinho e Deus. Mi ajudem minha gente! Sejam solidários! É um serviço de utilidade pública! Se virem por aí o meu Platão, avisem! Por favor: Por telefone fixo ou celular (não liguem a cobrar; dêem um “toque” que eu retorno; avisem por carta simples ou registrada; vale postal; depósito em conta; transferência online; doc, etc. Estou tão desesperado! Roxo de saudade do meu Platão! Desculpem escrever assim, de carreirinha, sem correção ortográfica, sem parágrafos e outras pontuações importantes; é que estou muito nervoso e com pressa para postar esse pedido desesperado. Agora mesmo estou saindo para checar uma informação de que tem um churrasco de cágado sendo assado num pagode que está rolando lá no Barro Vermelho, aqui mesmo no Vilela onde moro. Deus é pai e vocês são amigos! Ou não? Ajuda aí vai!



























































