PREVISÕES E ACERTIVAS METEREOLÓGICAS
Anísio Cruz – janeiro de 2018
Geralmente não consulto previsões metereológicas, porque considero que as chuvas na nossa região, sempre obedeceram a eventos cíclicos. Cito como exemplo, a incidência de fortes chuvas em datas festivas, como Sta. Bárbara (04/12) com seus trovões, N. Srª. da Conceição(08/12), Carnaval, S. João, etc. Os antigos sempre se basearam por elas, para cuidarem das suas roças, realizarem plantios, e em função disso, previam as suas colheitas. Até no nosso cancioneiro popular, há referência ao dia 19 de março, consagrado a S. José, quando tradicionalmente se planta o milho a ser colhido no S. João. E eles quase sempre acertam, e preparam as terras para o plantio. Lembro-me do meu saudoso pai dizendo, cheio de razões, que as chuvas de fevereiro mandam na colheita do cacau. “Se não chover (em fevereiro), nada de boa safra”. E assim sempre foi.
O nordestino também buscou na natureza, referências arraigadas nas suas tradições que foram, e são, transmitidas de pai a filho, geração após geração. Quem nunca ouviu o Luiz Gonzaga referindo-se à floração do mandacaru, como augúrio de bom inverno (como se referem os sertanejos à temporada de chuvas), cujo calendário é diferenciado das outras regiões. As formigas cortadeiras também alertam aos homens do campo, quando cortam folhas e estocam alimentos para atravessarem a temporada chuvosa. Elas também indicam chuva iminente, quando tratam de se proteger depositando terra à montante da boca do formigueiro, para que desvie as enxurradas.
Os sinais sempre foram dados, e com índices de acertos, de fazerem corar os cientistas que tratam do assunto. Lembro-me do meu velho afirmando que o arco em volta do sol, indicava se haveria chuva próxima, ou não: “círculo longe, chuva perto”, e por via de consequência, “círculo perto, chuva longe”. O formato das nuvens também é um indicador de mudança climática. Ele dizia: “céu pedrento, ou chuva, ou vento”. Batata.
Há muitas crendices, é verdade, e também adivinhos que são consultados, antes de se tomar a decisão de plantar, ou não, sob o risco de se perder todo o trabalho, e as sementes lançadas às covas. E eles dão seus palpites, sondando os sinais bem conhecidos, por anos a fio de observações. “As águas de março fechando o verão, promessa de vida, no meu coração” cantou o Tom Jobim, ciente de que em nesse mês, os temporais sempre chegam, com força desmedida, geralmente ocasionando estragos aonde desabam. Também nessa época, os vendavais provocam ressacas, e as fortes ondas se espraiam, destruindo o que encontram pela frente. Nesse caso específico, a incidência do equinócio de outono, que ocorre nas proximidades do dia 21 de março, como também no seu oposto, 23 de setembro, no equinócio da primavera, provocam as grandes marés, tão temidas pelos moradores da beira mar, e a lua dá a sua parcela de contribuição, aumentando significativamente o seu poder, pela maior proximidade da terra. O sol, como astro soberano, ao cruza a linha do equador, e faz mudar as estações nos hemisférios terrestres. Sempre assim, ano após ano, séculos após séculos. E nós, mais preocupados com as fantasias do carnaval, só nos damos conta, quando temos a notícia de que as ressacas destruíram mais um trecho da orla. Para alguns, já será tarde demais.



























































Por favor, leiam: O SOL, COMO ASTRO SOBERANO CRUZA A LINHA DO EQUADOR, E FAZ MUDAR AS ESTAÇÕES NOS HEMISFÉRIOS TERRESTRES. Obrigado.