LEMBRANÇAS DE OUTRORA
Anísio Cruz – janeiro 2018
As vezes fico tentando lembrar como se chegava a Ilhéus, vindo de Itabuna, nas velhas “marinetes” que trafegavam entre as duas cidades, nos anos de 1950. A dificuldade é que, com menos de cinco anos, dormia no percurso, embalado pelos solavancos da estradinha encascalhada, de manutenção precária, como de resto, tudo naquela época.
Morava “na roça”, como muitas famílias de então, e visitávamos a cidade, muito espaçadamente. Não haviam veículos, como hoje, engarrafados no trânsito caótico da cidade, e os poucos disponíveis, eram trazidos de navios, pois não havia outra forma de fazê-los chegar à “princezinha do sul”, como a próspera Ilhéus era tratada. Apenas famílias abastadas conseguiam ter um automóvel novo, pois ainda não eram criados tantos embaraços alfandegários, como agora, e eles nem eram fabricados no país. Lembro-me de alguns fords 49, dodges e studebaker circulando pelas ruas, ou servindo de “carros de praça”, como eram tratados os taxis. Ficavam estacionados na praça J.J. Seabra, em frente ao antigo Clube dos Comerciários, e os seus condutores se tornaram muito populares na cidade. Dudu, Miguel, Magalhães, Pacheco, dentre outros, estavam sempre prontos a uma corrida, principalmente para as fazendas próximas, quando existiam estradas vicinais. Era mais comum se viajar de jeeps, para romper as estradinhas, abertas a picaretas, e enxadetes, em hercúleos trabalhos dos garimpeiros, como eram chamados aqueles que faziam esse trabalho, numa alusão aos operários que buscavam enriquecimento nas escavações em busca de minérios, e pedras preciosas. Fora isso, os vagões das locomotivas, e as faíscas que eram lançadas ao ar, e sempre queimavam as roupas dos viajantes.
Lembro-me vagamente, de uma das vezes que aqui cheguei numa “marinete”, descendo a rua do Café (atual D. Manoel de Paiva), saltando em frente ao portão do casarão da família, cuja fachada ainda existe, pela então “rua das quintas” (Manoel Vitorino, atual D. Walfredo Tepe). Ainda não existia a atual av. Itabuna, com seus cortes, e muito menos o viaduto. O trajeto era feito pela via de cumeeira, para chegarmos ao centro, o nosso destino. Busquei informações de pessoas mais velhas, e me explicaram que, subíamos para o atual Basílio, logo após a velha ponte do Fundão, contornando algumas fazendas existentes. Passávamos depois pela Tapera, chegávamos na atual av. Itabuna, para depois subirmos pelo Casco da Cuia, e como citado, descermos pela rua do Café. Mas isso tudo é muito nebuloso nas minhas lembranças, e se faço tal registro, é para provocar algum leitor a prestar os necessários esclarecimentos.
Tempos depois, quando já construíam a BR- 415, ouvia as explosões da pedreira que existe após a “casa mal assombrada”, pois morava em frente, na fazenda da família. Lá ficava atento à movimentação das caterpilhas que faziam o patrolamento da banca da estrada, dos caminhões e caçambas a transportar material, e operários, rumo ao acampamento, que ficava na fazenda dos Tavares, próximo à Vila Cachoeira, onde estava instalada a usina asfáltica da Star – Construções e Terraplanagens, sob o comando do Dr. Norberto Odebrecht (avô do Marcelo) ainda iniciando a sua vida de engenheiro.
Depois de pronta a estrada, já morador da cidade, viajava nos ônibus da SULBA, sempre cheios, e com horários bem espaçados, pelos quais regulávamos as idas e vindas, sem correr o
risco de perder a viagem. Tempos difíceis do final dos anos de 1950, e início dos anos 1960. Depois vieram os modernos “banbolês”, que nos sacudiam com mais suavidade pelas depressões da rodovia. Lembranças dos velhos tempos de outrora.



























































Por favor, leiam “BAMBOLÊS”, em lugar de “banbolês”. Obrigado.