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LUIZ CASTRO EM: DECOLORES

O ESTADO LIVRE DO PONTAL – I

Este artigo foi escrito pelo saudoso Sá Barretto em 30/09/94 através do Diário da Tarde, e devido a minha admiração e amizade profunda pelo mesmo achei por bem reeditar, pois achei muito interessante focalizar aspectos pitorescos daquele bairro que sempre gostei desde o tempo das lanchas e besouros, únicos meios de transporte para atravessar a baia do Pontal.

“O Pontal já foi considerado Estado livre. Os seus habitantes agiam com tanta desenvoltura e independência, que, Eusinio Lavigne temendo um movimento separatista para criação de outro Município, conseguiu com o Governo do Estado da Bahia extinguir o distrito de São João do Pontal, transformando-o em bairro de Ilhéus. Até a construção da ponte o Pontal era uma só família. Havia maior entrosamento e intimidade nos bate papos à sombra do tamarineiro regado com cerveja e cachacinha do bar de Mariana, depois de propriedade do seu genro Quintino. Lá pontificavam os Pintos que se tornaram famosos por muitos nativos. Afonso, Cicinho, Astor, Juca Afonso era o líder do grupo. Amigo e admirador de João Mangabeira. Militou no Partido Comunista liderado pelo professor Nelson Schaum uma extraordinária figura humana, cultor da língua portuguesa. Já morava Galório, funcionário das Docas, muito inteligente, dono de invejável verve mordaz e gozador nos seus pronunciamentos.

Os Ferrer família numerosa, o velho boêmio, bom tomador de cerveja. Os filhos brigadores, eles e outros não permitiam com facilidade que forasteiros namorassem as garotas do Pontal. Helvécio Marques, presente a tudo, inteligente e de pronunciamentos imprevisíveis, Adjunto de Promotor, estando

no exercício do cargo, um dia, quando descia da lancha do Pontal sobraçando documentos da justiça para dar parecer, escorregou da prancha , caiu n’agua, Ao levantar apanhava os documentos, erguendo-se para os circunstantes bradou: – É bom que a Justiça tome um banho vez por outra, para lavar a sujeira.

Oscar Armando Souza Galo, irreverente, delegado barulhento e de coração bondoso. Um certa feita, no inicio da tarde, Souza Galo saiu apressado como sempre para o Foro. Quando chegaram duas mulheres que tinham sido intimadas por causa de uma querela, de onde um jegue era pomo da discórdia. Galo pediu desculpas estava com hora marcada e determinou que voltassem no outro dia às 10 horas. Chegando a Delegacia gritou para Herminio Ramos (também morador do Pontal) – Mande entrar o pessoal. – Logo chegaram as duas mulheres, uma delas foi logo dizendo: – Eu sou a mulher do jegue. – Galo não perdeu tempo, estendendo a mão comprimentando-a e disse: Meus parabéns. A senhora é extraordinária, ser mulher de um jegue não é moleza!. Todos os funcionários e pessoas que ali estavam, irromperam em estrondosa gargalhada.

Colaboração Luiz Castro

Bacharel Administração de Empresa

1 resposta para “LUIZ CASTRO EM: DECOLORES”

  • Jorge Harley Garcia says:

    Parabéns, Luiz, suas evocações dão um sentido da vida social do Pontal. Conheci todas as pessoas citadas na sua crônica . Tem inúmeros personagens que criaram história.

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