Anísio Cruz – fevereiro de 2018

E findou-se o prazo para o recadastramento eleitoral, e muitos ficaram sem o documento básico para habilitá-los à participação no processo eleitoral que se avizinha. Sempre assim: vamos deixando para a última hora, empurrando com a barriga, como dizemos, e os dias vão passando, como somente eles são capazes de passar, e quando nos damos conta, não o temos mais, porque em verdade, nunca o tivemos.

O tempo é assim, transcorre inexoravelmente, e nem liga para prazos, datas, encontros marcados, etc. Ele segue em frente buscando o futuro, sem jamais alcançá-lo, pois sempre haverá um minuto seguinte, uma próxima hora, um momento seguinte a ser por ele devorado, enquanto as datas marcadas ficam na história. É, meus amigos, o tempo é infinito, e célere. Quem quiser que aguarde, como se estivésse numa plataforma de metrô, aguardando uma parada do comboio, e ele segue o seu destino, sem nenhum aceno do seu condutor. Você que se vire para alcançá-lo, se quiser viajar. Por isso muitos perderam o “bonde da história”, e hoje estão a se lamentar.

Na verdade, pelo que ouvi, e li, até o momento, o máximo que poderá acontecer é a perda de alguns programas sociais, que serão restabelecidos tão logo o recadastramento seja feito, a partir de março. Não sei se será possível votar nesta eleição, mas não perderão muita coisa, a julgar pelo panorama político vigente. Mas, convenhamos, houve tempo suficiente para que nos documentássemos, como determinou a Justiça Eleitoral, soberana no assunto, não importa quem esteja no comando da situação.

Hoje, no dia posterior à data marcada, feitas as contas dos faltosos, foram em média 20% de ausências, enquanto aqui, em Ilhéus, foram cerca de 35%. Assim sendo, cerca de 30.000 eleitores conterrâneos ficarão sem sufragar os seus candidatos. Votos suficientes para eleger um Deputado Federal. Paciência, é a palavra de ordem. Nos próximos dias, segundo o Desembargador que preside a Justiça Eleitoral baiana, a corte se reunirá deliberar acerca dos próximos passos a serem trilhados, para que tudo fique regularizado. Cumpriu-se portanto a velha assertiva de que “o brasileiro deixa tudo para a última hora”. Só que, desta vez, não deu certo, e o bonde da história passou célere, enquanto os passageiros nem compareceram ao embarque. Quem sabe sirva de lição, e todos possamos aprender as lições desse episódio, e busquemos nos organizar para que os prazos sejam cumpridos, sem sobressaltos, e atropelos.

Resta-nos agora, fazer valer a nossa vontade, que atualmente anda muito esnobada pelos donos do poder, que fazem o que querem após eleitos, e vão sempre dando um jeito de formarem verdadeiras dinastias atuando muito mais em benefício próprio, que dos eleitores que enfrentaram, enfrentam, e enfrentarão muitas auguras, no processo eleitoral que se avizinha, no qual novas filas serão formadas às portas das sessões eleitorais, como bem conhecemos. E haja paciência!