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E NÓS, FICAMOS A VER NAVIOS?

Anísio Cruz – fev 2018

Não tenho ido frequentemente ao centro, mas as notícias que recebo, dão conta de que milhares de turistas estão a desembarcar dos navios que aportam na nossa cidade. São eles oriundos de diversas nações americanas e europeias, principalmente, que circulam trôpegos pelas ruas, em busca de atrativos. Câmeras e celulares em punho, fazem os seus registros para guardarem consigo, as lembranças da efêmera passagem pela velha capitania fundada em 1536, na época das Capitanias Hereditárias. 482 anos, portanto, do que seria uma história rica, recheada de construções coloniais, não fosse a ação dos temidos Aimorés, que aqui habitavam, sabe-se lá desde quando. Pouca coisa sobrou para marcar a história da Vila de S. Jorge, e o melhor exemplar, parcialmente preservado, é a Igreja de S. Jorge, que estranhamente não é seu padroeiro, posto destinado a N. Srª das Vitórias, cuja capela situa-se no alto do mesmo nome, dominando a paisagem.

Na verdade, os nossos visitantes nem se dão conta dos detalhes históricos, que nos contam os livros, como o de Silva Campos, por exemplo. Eles, os turistas, estão mais interessados em coisas mais recentes, quase sempre vinculadas ao escritor Jorge Amado e seus romances que percorreram o mundo, traduzidos em vários idiomas. Buscam para seus registros, lugares como o Bataclan, e o Vesúvio, vizinho da monumental Catedral de S. Sebastião, e a sua Arquitetura inconfundível, todos eles do século passado, no início do ciclo da cacauicultura, cuja saga serviu de mote ao consagrado escritor. Da mesma época, alguns casarões dos coronéis do cacau, que ostentam a vida faustosa que possuíam os reis do cacau, que dominaram (ou será que ainda dominam?) a velha Capitania. O recuperado Cine Theatro Ilheos, localizado bem próximo, que sempre abre assuas portas para visitação, e a Casa de Jorge Amado, com o seu acervo de objetos pessoais, e manuscritos diversos. Bem próximo, o palacete Marquês de Paranaguá, sede da Intendência nos primórdios da cidadania, a Associação Comercial, e também no polígono do “quarteirão Jorge Amado”, o palacete do afamado Misael Tavares, um dos protagonistas mais conhecidos dos romances. Lá no alto, o Convento N. Srª da Piedade, das irmãs ursulinas, o mais importante exemplar gótico do interior da Bahia, domina a paisagem. De lá, uma ampla visão do recortado litoral ilheense, enseja belas fotos. Bem ao lado, a antiga Casa do Bispo, necessitando reformas. Mas há muitos outros atrativos para a curta parada dos nossos visitantes, aqui nas “terras do sem fim”, como os 86 Km de lindas praias, e suas barracas, onde servem os frutos do mar, tão do agrado de quantos nos visitam. A Lagoa Encantada, e seu esplendoroso espelho d’água, abastecido por algumas cascatas, bem que poderia ser mais valorizada, mas quase não faz parte dos roteiros dos guias, que preferem passeios mais curtos. Com tal descaso, a antiga Vila de Olivença, com as suas belezas naturais degradas por ocupações predatórias, e a capela de N. Srª da Escada, além do Balneário do Tororomba, único à beira mar a possuir águas medicinais, carecendo de mais divulgação. Fechando o circuito, a também antiga da Vila de Santana, situada num antigo Engenho, que pouca coisa guarda da sua rica história.

O que se percebe, num eventual roteiro de visitações, é o descaso com que são tratados os nosso vestígios históricos, ao longo do tempo. O desinteresse com que são tratados, reflete-se

no trabalho das agências de viagens, nos guias, nos empresários da rede hoteleira, e nos de transportes, que servem aos que nos visitam. Não há um plano efetivo (pelo menos que eu conheça), que oriente os operadores que, em falta dele, optam por desviar os turistas aqui aportados, para a vizinha Itacaré, onde os apelos paisagísticos se sobrepõem à história, e a rica culinária ilheense, sobejamente festejada por quantos a desfrutam. E por falar em culinária, o que houve com o Festival do Camarão, que acontecia num passado recente, e de repente foi deixado de lado? Acabaram os camarões? Por que não se pensar em eventos com a mesma natureza, em datas bem pensadas para que não coincidam com períodos de defesos, mas que sirvam de chamarizes para que mais visitantes cheguem à nossa cidade? E as lojas de artesanato, hoje dependentes de produtos oriundos de outras plagas, e quase nada vendem como artesanatos genuinamente nativos, como acontece em outros centros?

O que posso entender, é que o turismo aqui, nunca foi, realmente colocado na pauta econômica dos nosso gestores, que preferem aguardar que as nossas belíssimas paisagens encantem os turistas, para que permaneçam por mais do que as poucas horas entre uma maré, e outra, até que os transatlânticos zarpem. Depois, ficamos “a ver navios”, literalmente.

3 respostas para “E NÓS, FICAMOS A VER NAVIOS?”

  • paulo cezar says:

    caro amigo e mestre,na verdade vc está focando um comportamento uniforme em nosso nordeste brasileiro em que o que se propaga é o turissexo,ou seja,atraimos os europeus e americanos pelas nossas belas jovens expostas como mercadorias para faturarem algum em cima dos dolares e euros,infelizmente o poder público é conivente com esse tráfico humano,degradando cada vez mais nossa imagem lá fora.Sabes que conheço o sul e sudeste e quando vc vai por exemplo a Ouro Preto vc ve cultura e historia,quando vc visita Foz do Iguaçu vc ve as cataratas e outras belezas naturais ali existentes,nada de apelação para o transexo,entende?Essa é a nossa triste realidade da cultura nordestina,até porque carnaval aqui é só em Recife e Salvador,o resto,permita-me a expressão chula, é putaria!

  • Anísio Cruz says:

    Caro amigo, você conhece muito este país, nas suas andanças. Sei que o apelo erótico é predominante em alguns centros, como você citou. Aqui, felizmente, ainda não chega a tanto, embora ocorra mais discretamente. Quem conhece bem a Costa do Cacau, a Costa do Dendê, a Costa do Descobrimento, a Costa das Baleias, sabe como elas são lindas, dignas de um melhor aproveitamento, com uma firme intervenção governamental, preservando-se as suas características, como aconteceu, parcialmente, com Porto Seguro (onde o tal turismo sexual se instalou, e criou muitos problemas) . Agora mesmo estão decretando a morte de cerca de 20 Km de lindas praias do nosso litoral, para dar lugar a um porto, que pouquíssimo nos dará em contrapartida, mas exportará o minério de ferro extraído em Caetité, a produção de grãos do Oeste da Bahia, do Tocantins, e suas cercanias. isso, no meu entendimento, é desperdiçar o que a natureza nos deu, a troco de migalhas. Espero que não venhamos a lamentar depois. Abraço.

  • Nilson Pessoa says:

    Pertinentes colocações, Anísio. O turismo, que na prática deveria ser a principal atividade econômica do município, ainda é tratado de maneira surpreendentemente amadora.

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