O Museu Casa do Sertão pelo que foi mostrado no “Aprovado” da TV Bahia em 17 de setembro passado, pode ser considerado um exemplo de preservação a ser seguido.

Sob a tutela –e implantado no campus– da Universidade Estadual de Feira de Santana, o acervo de quase 28 mil peças retrata sua grandeza e impressiona qualquer espectador. Não é à toa que a diretora, na qualidade de guardiã da história e da cultura de importante região, logo ressaltava como pude gravar, que o Casa do Sertão “Foi fundado com o objetivo de preservar através de seu acervo de peças documental e bibliográfica a cultura do homem sertanejo oriundo do processo de colonização e povoamento da Região de Feira de Santana”. E acrescentava: “Aqui no Museu Casa do Sertão nós temos aproximadamente um acervo formado por 28 mil peças, e essas peças contextualizam a cultura material do homem sertanejo. Peças do cotidiano, do trabalho, as brincadeiras, a lida com o gado através da indumentária do vaqueiro, os arreios, malas, baús, todos voltados pra o que a gente chamaria de uma época de trânsito entre o Sertão e o Recôncavo baiano”.

A reportagem me fez recordar o daqui da Capitania dos Ilhéus. Claro, claro, o “abandonado”, o “ex” Museu do Cacau. A essa inaceitável situação de abandono, procurei cutucá-la sempre que oportuno em alguns escritos como este. É o caso de um ao qual recorro, o totalmente direcionado “Mal, Mal, Virtual” de março de 2006 que, em razão do portal da SEAGRI (Secretaria de Agricultura) postar o Museu do Cacau de Ilhéus como em funcionamento –com endereço, horário de visita e o escambau– quando na verdade nada existia, tentava denunciar o descaso. Ah, na versão Salvador, os dados eram inexpressivos. Nele, num trecho, como o prédio do “finado” ICB(Instituto de Cacau da Bahia) havia passado para a UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz) com os restos mortais do Museu e tudo mais, incluindo a inquilina Embasa, e como esses órgãos pertenciam ao Estado, buscava alertar o governo da época com um apelo pela restauração, “até mesmo em respeito à comunidade da região cacaueira”. Nesse contexto recentemente o articulista ilheense Ronaldo da Cruz, com sugestivo título “A história mais uma vez é derrotada: quem se lembra do Museu do Cacau?” em última análise também condenava a inércia governamental.

Embora não se possa ocultar o quanto paradoxal, o recém-concluído III Encontro Baiano de Museus em Ilhéus, contando conforme anunciado, com grandes nomes –e ideias novas– da museologia, e a mais fresquinha ainda II Conferência Municipal de Cultura, que projetava a elaboração de um Plano Municipal de Cultura, podem significar o “pontapé motivador” no gestor público principal no sentido do resgate desse patrimônio regional. Aliás, à frente da organização dos eventos estiveram instituições públicas do âmbito municipal, estadual e nacional.

Como o desprezo já dura mais de 8 anos e como as vozes foram roucas e insuficientes ao alcance do poder público estadual e ao da sensibilidade do caseiro, que aplaudamos essas iniciativas e, torçamos para que as “boas intenções” não se encerrem em si mesmas, e que assim pontifique a vontade política de fazer.

Quem sabe se muito em breve, modelada na entidade contadora da história do “Sertão Baiano”, a daqui levantada do túmulo não volte fazer ecoar a da “Civilização do Cacau”! Afinal, é como se diz: “um povo sem memória é um povo sem futuro”

Heckel Januário