DECOLORES
VIVER COMO AS FLORES
Diariamente faço minha caminhada matinal. Foi um hábito que adquiri há 30 anos, que faz um bem danado maravilhoso, principalmente por ter o privilégio de caminhar pela Avenida Soares Lopes, beirando o atlântico. Muitas pessoas também fizeram essa saudável opção de vida, incentivando os demais para que continuem sempre.
Logo ao despertar às 5:00 hs da manhã, contemplamos o nascer do astro rei, vislumbramos um novo amanhecer, os pássaros por sua vez através do canto, anunciam uma nova aurora.
A caminhada nos leva a fazer uma reflexão espiritual sobre a vida, libertando-nos dos obstáculos que nos impedem de ser melhor.
Gosto também de observar os patrimônios históricos e culturais de nossa cidade, principalmente nas imediações entre a Catedral São Sebastião e o Cristo Redentor.
Ao chegarmos no Cristo Redentor nos deparamos com exemplos de pessoas que ali residem, que procuram diariamente conservar a paisagem daquela artéria. Trata-se de Theomar Badaró, mais conhecido por Badaca, que fez sua opção de vida, indo morar em plena praia, o qual construiu uma barraca, possibilitando a população à prática de esporte náutico no caiaque. Mas o que me chama atenção é que todos os dias Badaca faz a limpeza da praia onde vive, retirando os dejetos trazidos da maré dando assim um aspecto de limpeza.
Outro exemplo é dado por Paulo Mendonça, que reside próximo a mesma área, cuja residência além de ser bastante bela, ele ajardinou toda aquela área , humanizando todo ambiente.
Lembro-me de Dom Tepe quando ele falava que se cada cidadão limpasse e conservasse seu passeio, a cidade seria mais bela. O ex-presidente dos Estados Unidos, saudoso John Kennedy, certa vez disse: “Não pergunte o que o Estado pode fazer e sim o que você pode fazer pelo Estado”.
Daí é que conclamo a todos os ilheenses para visitar in loco o local acima citado e através desses exemplos, possamos embelezar nossas ruas, nossos passeios, não esperando somente pela Prefeitura, pois sabemos apenas criticar e esquecemo-nos de realizar.
Quantas vezes colocamos nosso lixo fora da hora adequada, deixando que pessoas ou animais rasguem o saco, derramando o lixo em seu próprio passeio e nada fazemos para modificar nossos hábitos. Presenciamos muitas vezes que o (a) gari estava varrendo nossas ruas e nós jogamos papel, frutas e o que temos nas mãos sem se importar com a beleza da cidade e adiante criticamos o Prefeito pela limpeza.
A propósito gostaria de registrar um diálogo entre um Mestre e seu discípulo:
-“Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam.”
-“ Viva como as flores”, advertiu o Mestre.
– “Como é viver como as flores? Perguntou o discípulo.
– -“Repare nestas flores”, continuou o Mestre apontando lírios que cresciam no jardim. “Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas. É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora. Isso é viver como as flores”.
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Luiz Castro
Participante do MCC


























































