Heckel Januário em: O PORQUÊ DO TAMANHÃO DO ÉFE?
Diante dos gravíssimos acontecimentos envolvendo os homens de toga divulgados recentemente nos meios de comunicação, o jeito foi recorrer à popularíssima expressão: “Tô Fud…”, com um éfe grande e de fôrma.
Ora, havia impregnado em mim –como acredito em boa parcela da sociedade– que a ilibação do Poder Judiciário era inquestionável. Com referência ao Executivo e ao Legislativo –tanto no nível de cima como no intermediário bem como no mais de baixo– não, esses poderes de muito haviam fixados como necessitados de depuração.
Algum tempo atrás, ao sabor de escândalos pipocados implicando juízes, minha convicção (possivelmente inocente!) sobre esse “dogma” do Judiciário era posta a provas, porém sem querer aceitar o prenúncio que a imácula conduta de togados ruía-se e me atravessava goela abaixo, me pus a ponderar.
Não tardou a prenunciada revelação vir à tona e forçar a ponderação ceder lugar à realidade. Pois é isso. Conhecedora, a ministra Eliana Calmon, do Conselho Nacional de Justiça não hesitara em abrir o leque das irregularidades. Às afirmações da corregedora some-se o relatório do próprio CNJ, e matérias exclusivas sobre o Supremo Tribunal Federal. Claro, seria redundante reproduzir o que já é bastante conhecido e badalado. Agora é o momento de cada um, com a Justiça de cara limpa, portanto sem a máscara de antigas maquiagens, fazer sua dedução. Mas não poderia me furtar a um trecho do A Corrupção na Justiça do Estadão.com (do jornal O Estado de São Paulo) datado de 11.09.2011 que rola na internet e pode ser conclusivo: “…o relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre as irregularidades cometidas pela magistratura nas diferentes instâncias e braços especializados do Judiciário mostra que a instituição pouco difere do Executivo em matéria de apropriação indébita e malversação de dinheiro público, de mordomia, nepotismo e fisiologismo, de corrupção, enfim as maracutaias são tantas que é praticamente impossível identificar o tribunal com os problemas mais graves.” É mole ou quer mais? Como se nota, com os olhos vendados do STF, órgão maior da Justiça. Aliás, o que se constata desta Corte conforme o reportado, de mordomia, de gastos com justificativas evasivas, da lentidão (quesito manjado esse!), de excessivo número de seguranças, recepcionistas e funcionários, da avidez da Casa por salários etc., etc., é chocante. Mas bote chocante nisso! Sim, da ministra a sujeira exposta também é de arrepiar e de deixar qualquer um boquiaberto e, sobretudo indignado. Dela concluí que no Judiciário, da promoção de magistrados à liminar, habeas corpus, sentença etc., etc., etc., tudo funciona sob o comando e influência da política. Se for atentado para sua afirmação de que a magistratura hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga, não se fazem necessário outras considerações.
Que sejam a minoria os vestidos na toga que prevaricam, mas o que está em jogo não é especificar a quantidade. Ou o estofo moral, o caráter, a honradez, a ética, a isenção, a ilibação, lógico, a competência, não são mais qualidades sine qua non para o exercício da magistratura?
Tá entendendo? Deu pra manjar a gente com um sistema público de Saúde, Educação e de Segurança a desejar, um Congresso mais ainda, e um Judiciário –paradoxalmente– dependente, o porquê do tamanhão do éfe?
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Heckel Januário
























































