JÁ PENSOU!?
Ao trágico desmoronamento da mina de cobre San José no Chile, não há como deixar de inserir o velho dilema capital e trabalho.
Mas não significa negar, em absoluto, a falência do patrão todo-poderoso, nem as conquistas trabalhistas desde a revolucionária maquina a vapor. É notória, de um modo geral, a evolução de uma atitude mais humanista na classe empresarial, sobremaneira devido às exigências dos novos tempos capitalista, entretanto, não se pode obscurecer que, o relacionamento empresa/trabalhador na mineração, seja na região andina ou em qualquer outra, deve ser melhorado.
Esta melhora não se trata da remuneração do trabalho porquanto se evidencia compensatória, diz respeito sim, a um item de importância vital que é o da segurança do operário: a dedicação em ambiente insalubre e de alta periculosidade, como é o de uma mina, carece da necessária contrapartida de sistemas de segurança eficientes ao trabalhador.
Claro, já não podemos imaginar situações como na escravidão indígena nas jazidas de prata da Potosi boliviana, patrocinada pelos espanhóis na conquista do Novo Mundo, como elucida em “As Veias Aberta s da América Latina”, Eduardo Galeano; Émile Zola em seu “Germinal” também relata a não menos escrava condições dos mineiros franceses nas minas de carvão da França.
Na Vila Rica de Ouro Preto, das nossas barbas, o braço escravo africano no projeto lusitano do ouro (minério que na verdade passava de passagem pela portuguesa península Ibérica, pois uma ilha chamada Inglaterra, era o endereço), espelha ainda mais, como se deu a nada dignificante mineração no passado. Ou com o –comprobatório– presente no sonho do Eldorado com o “liberalíssimo” garimpo de Serra Pelada.
A operação de resgate, como mostrada no noticiário, emocionou o mundo, e dela alguns aspectos da chegada dos 33 operários puderam ser observados. Um deles diz do amor a pátria chilena (país que detém o melhor IDH –Índice de Desenvolvimento Humano da América Latina): o cântico do hino nacional e a bandeira envolta ao corpo foi a tônica. Para quem ficara em verdadeiro estado de confinamento a 700 metros de profundidade por 70 dias, sem dúvida, uma inegável demonstração de patriotismo. Embora não tenha havido unanimidade: um dos emergentes, parecendo não querer refutar a “latinidade” americana, preferiu desfraldar o pavilhão do clube do coração, o Colo Colo, a se envolver com o do nacional. A tal ato, pela hilaridade, me veio lembrar Filé (o conhecidíssimo e apaixonado torcedor do homônimo grêmio aqui na Capitania dos Ilhéus) que, às glorias do “Tigre” (símbolo do Colo Colo baiano), todo paramentado, e com calça, camisa e cabelo em azul e amarelo, desfilava pelas ruas da cidade. Igualmente pitoresco foram duas mulheres –uma amante, e outra, esposa– disputarem (na “porrada”, a bem dizer) o direito de receber na “boca do buraco” o queridinho içado. Outro teve comportamento um pouco diferente: mal, mal alcançava a superfície e sem sacudir a poeira, foi logo metendo (possivelmente antecipando a futura reação dos colegas) o malho na empreendedora responsável pela exploração.
Ontem com o carvão, com o ouro e com a prata, hoje com o cobre, o fato é que as histórias que ficam pra serem contadas com relação à atividade mineradora são sempre negativas ao trabalhador. Votos então para que o ocorrido no Chile (felizmente, “com um final feliz”), sirva de questionamento (e se tire soluções) pelas autoridades dos países produtores de minérios, em especial pelas do Brasil, um dos principais, e que pretende (já faz tempo!) alcançar o desenvolvimento pleno.
Nível impossível de ser atingido, se pretendentes a presidência da República, à cata de voto, não pararem de discutir –e até polemizarem– o varejo, quando o projeto do país é notoriamente no atacado. Só falta o mais astucioso condenar o concorrente por este ser contra a quem “envernizou a asa da barata” Já pensou!?
Heckel Januário


























































