Caso Joel: PMs envolvidos em tiroteio não comparecem à delegacia
Nova data dos depoimentos dos nove policiais militares não foi divulgada

Reprodução
A nova data dos depoimentos não foi divulgada pela 28º Delegacia (Nordeste de Amaralina), responsável pela apuração do caso. Os PMs serão ouvidos pela delegada titular da 28º DP, Jussara Souza. O prazo para conclusão do inquérito é de 40 dias.
Entenda o caso
O garoto Joel da Conceição foi baleado na cabeça por volta das 23h do último domingo (21), na rua Aurelino Silva, no bairro Nordeste de Amaralina. Uma equipe da polícia militar estava fazendo uma operação na área quando teria começado um tiroteio. O menino estava próximo à janela de casa se arrumando para dormir quando foi atingido. Ele foi levado para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
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Redação CORREIO DA BAHIA




























































FAVELA ESTÁ SEMPRE NA MIRA DE QUEM DEVERIA NOS DAR PROTEÇÃO!
Em pleno século 21 nos deparamos com um verdadeiro genocídio de negros e pobres marginalizados pela sociedade e estigmatizados por um “poder público” que, ao invés de nos dar proteção, nos mata, nos estermina como nos tempos das senzalas e pós-abolição quando todo o investimento no poder bélico do Estado visava tão somente “coibir” a “vagabundagem” daqueles que eles diziam ter alforriado. Desde aquela época “os capoeiras”, por exemplo, eram considerados como marginais, vagabundos e desordeiros da “ordem pública”. Hoje, porém, apesar das conquistas adquiridas por esse povo sofrido, resistente e lutador que é o povo negro, a coisa ganhou uma roupagem, uma maquiagem e uma dimensão bem diferentes e maiores, embora a essência continue a mesma: DISCRIMINAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA-RACIAL!!!
Todos os dias somos vistos e tratados por policiais despreparados como bandidos em potencial. Infelizmente é esse o olhar da maioria dos policiais que, ao adentrarem em nossos bairros, só conseguem ver em sua frente “suspeitos”. Ou seja, “negros, mal vestidos e pobres moradores da favela”. Devemos esse estígma, também, à massificação de uma certa imprensa midiática cuja abordagem chega a ser sádica, desumana, discriminatória, sórdida mesmo, no que tange ao trato e o “modus operandis” de negros e pobres da favela.
O caso do garoto Joel Castro abalou a todos nós que convivemos, diariamente, com essa triste realidade em nossos bairros chamados “populares”. Diante disso, no próximo domingo (28/11) às 10h da manhã a comunidade estará realizando uma PASSEATA EM PROTESTO E REINVINDICAÇÃO ao Poder Público pela aceleração das investigações e punição dos culpados pela morte trágica do inocente Joel Castro (10 anos) abatido em seu próprio quarto por duas balas ditas “perdidas”.
Estive com os pais do garoto ontem à tarde (24/11) e hoje pela manhã (25/11) a fim de dar meu apoio pastoral. Fiquei com o coração partido em ver, de perto, o sofrimento daquela família. É, de fato, uma perda irreparável. Pois tenho um filho de 9 anos e peço toda hora a proteção de Deus sobre a vida dele.
Não podemos mais aceitar que continuemos sendo resultado das estatísticas frias e desumanas do absurdo número de morte por homicídio (doloso ou culposo) de quem quer que seja. Principalmente por aqueles que são pagos pelo Estado a fim de nos dar proteção. Afinal, somos cidadãos, pagamos impostos e “temos o direito de ir e vir”! Ou não? Mas o que vemos, a cada dia, é que a FAVELA ESTÁ SEMPRE NA MIRA DE QUEM DEVERIA NOS DAR PROTEÇÃO!
Pr. Henrique Coutinho.
Coordenador da Comissão da Criança,
do Adolescente e da Juventude da
ANNEB-BA (Aliança de Negras e Negros
Evangélicos do Brasil).
“QUANDO EU CRESCER QUERO SER COMO MEU PAI!”
“QUANDO EU CRESCER QUERO SER COMO MEU PAI!” Essa foi a frase orgulhosa do garoto Joel Castro (in memorian) ao participar, como garoto propaganda, de uma filmagem da BAHIATURSA a um tempo atrás. Frase essa que denota, claramente, que imagem de figura paterna essa criança tinha do seu querido genitor. Prova cabal de que o ‘Mestre Ninha’ (assim conhecido no âmbito da capoeira) ou Sr. Joel era um referencial muito especial para o garoto Joel (10 anos), coisa que não se pode dizer de todos os pais de nossa sociedade, independente de classe social. Frase essa que se funde com uma outra similar: “quando eu crescer quero ser Mestre de Capoeira!” Portanto, o que se nota aqui é que ‘Mestre Ninha’ se notabilizou para seu filho tanto como uma referência paterna quanto como profissional. Que imagem maravilhosa uma criança tão especial como Joel levou para a eternidade ao lado do PAI CELESTIAL! Imagem de uma paternidade sadia, tranqüila, presente, responsável, amorosa, sensível, paciente, etc. O que não anula a imagem de uma mãe, também, querida, inteligente, dinâmica, lutadora, sensível, perseverante, ou seja, virtuosa como se percebe no caráter da Sra. Mirian Castro.
“QUANDO EU CRESCER QUERO SER COMO MEU PAI!” É uma voz que não se faz calar. Antes ecoa na mente e no coração da família enlutada e de todos nós que nos solidarizamos com essa causa.
“QUANDO EU CRESCER QUERO SER COMO MEU PAI!” É um sonho que não se faz interromper com a partida trágica e prematura do infante Joel. Antes tomará corpo, fôlego, ginga, vez e voz nas futuras ações e projetos que carregarão, não somente o seu NOME, mas ,sobretudo, a sua graça incomparável, o seu sorriso radiante, a sua força sobre-humana e sua paixão emocionante oriúndas de uma VISÃO DE FUTURO que traz, em seu bojo, propostas, significados e projeções que, somente, através da “pureza da resposta da criança” poderemos concluir, mesmo em meio à dor da perda e do luto, que: “É A VIDA, É BONITA E É BONITA!” Uma vez que DEUS REVELA A SUA VONTADE ATRAVÉS DA PUREZA DA CRIANÇA, já que ELE MESMO ensinou através do Seu Filho Jesus Cristo que “se não nos fizermos como uma criança não entraremos no Reino dos Céus!” Portanto, é olhando para o exemplo deixado por Joel durante seus 10 anos de passagem por nosso meio que tiraremos preciosas lições pra nossa vida e conduta, já que ninguém tem nenhuma dúvida de que Joel era um menino diferente e muito especial para os pais, para os irmãos, para a família em geral, para os coleguinhas, enfim, para todos quantos com ele conviveram.
“QUANDO EU CRESCER QUERO SER COMO MEU PAI!” É uma frase forte e que mexe com todos nós que somos pais e que temos o privilégio de ouvir isso de nossos filhos, pois a nossa responsabilidade de ser exemplo pra eles aumenta ainda mais como é, também, a minha agradável experiência e de tantos outros pais que, vez por outra, somos surpreendidos com frases como essa.
Pr. Henrique Coutinho.
Coordenador da Comissão da Criança,
do Adolescente e da Juventude da
ANNEB-BA (Aliança de Negras e Negros
Evangélicos do Brasil).
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Querida Daniela, apesar de admirar e valorizar seu trabalho, devo lhe dizer que fiquei muito decepcionado com sua declaração, por sinal muito infeliz, a respeito do CASO JOEL CASTRO, quando disse que “a Polícia não teve a intenção de matar um inocente”. Entendo que a melhor coisa é aguardar o julgamento dos envolvidos a fim de que a Justiça, baseada nos autos do processo, chegue às devidas conclusões e, portanto, ao veredicto final.
Estive acompanhando suas matérias tanto pessoalmente como por televisão e ouvi, juntamente com outros, alguns comentários seus que destoam, radicalmente, com essa sua afirmação que, quero crer, inconscientemente, acaba reforçando abordagens e incursões violentas e irresponsáveis nos bairros periféricos, bem como o sentimento de impunidade de indivíduos despreparados sob o comando da SSP e à “serviço da população”.
Você como formadora de opinião, Prata, tem a responsabilidade de “ouro” em ser imparcial, JUSTA E FIRME quanto a casos como o de Joel cujo o próprio Governador do Estado acompanhado do Secretário da SSP já reconheceram haver desvio de conduta policial. Portanto, Daniela, não vejo porque você “mudar seu discurso de bastidores e de telinha” passando, assim, a fazer uma espécie de “política de boa vizinhança”. Pelo menos foi essa a impressão que você acabou passando pra nós que temos acompanhado sua postura, volto a dizer, tanto de bastidores como na telinha.
A quem interessa essa sua mudança brusca de discurso Daniela? Espero que você publique o meu indignado comentário.
Um grande abraço.