Há quem, de pronto, afirme isso. Mas, incontestavelmente
a PMBa não mais está sendo destruída, pois apesar do nobre
e permanente espírito das suas finalidades precípuas ( pre –
servação da ordem pública, da vida e da liberdade), ela já foi
ferida de morte, golpeada pelo cruel desrespeito e terror
policial da repressão governamental a um simples, legítimo
e justo movimento reivindicatório de direitos adquiridos mas,
violados
A razão de existir de nossa PM requer, portanto, urgente
ressurreição, num novo e respeitoso modelo de relaciona-
mentos entre governantes, profissionais de segurança pública
e governados.

Como consequências do histórico conjunto de insatisfações de Policiais e Bombeiros Militares da Bahia, e de outros Estados brasileiros, os nossos movimentos reivindicativos por um melhor conceito da imagem institucional, via dignidade salarial e com a devida faxina ético-moral, tem-nos trazido pouco êxito e muitas dores, principalmente ao seio familiar dos bons irmãos(ãs) de farda, grevistas presos injustamente, como se tivessem dado causa à persistente insegurança pública que sempre aterrorizou e tanto angustia a nossa sociedade. Com absoluta certeza não somos nós, do movimento grevista( líderes, aderentes e solidários), que carregamos esse motivo de condenação.


Os nefastos índices de violência e de criminalidade persistem porque a problemática pertinente não foi ainda devidamente equacionada, visando às melhores alternativas de solução por parte dos lídimos representantes do povo no poder político decisório, com o imprescindível apoio de notáveis especialistas no assunto. Ocorre é que essas autoridades políticas, sozinhas e ao bel prazer, tentam solucionar os problemas, sem elegância no trato administrativo dos mesmos, sem transparência em tempo real e sem sobriedade na linguagem empregada. No caso concreto da recente greve PM, tramaram vinganças contra os que, considerados por elas(autoridades políticas), vândalos e criminosos, só exigimos o que é justo, por merecermos. O terrorismo psicológico praticado por essas autoridades  quando da repressão pelas Forças Armadas e Nacional à referida mobilização de classe, continua na descabida e prolongada prisão de alguns dos reivindicantes (com tentativas de suicídio e greve de fome) submetidos, como muitos outros, a processos administrativos e judiciais de imprevistas e, por certo, discutíveis consequências.
Mas afinal, a quem se pode atribuir a autoria da destruição da nossa PMBA ?
Por ser histórica a violação de alguns dos  nossos direitos constitucionais e complementares, em virtude principalmente da anestesia intestina da Corporação e/ou da letargia existencial de suas sucessivas cúpulas, não há porque restringir-se a mencionada autoria apenas à área sistêmica dos governos (neste caso concreto, há pouco tempo no poder) que, com a “autodeclarada tendência hegemônica do Partido dos Trabalhadores” – editorial d’A TARDE/12.03.2012 -, ( quimérico ” IV Reich ” ) e seus projetoa de poder contaminados de desvios éticos, morais e ideológicos, bem como com seus constantes conflitos internos (sinais de autodestruição), só vem minimizando a visibilidade e a lembrança do inegável e grandioso bem que o PT, do ex-presidente Lula, já fez ao nosso povo brasileiro.
Convenhamos, portanto, ser cabível a configuração de co-autorias nas citadas violações de nossos direitos profissionais, e que podemos imputá-las à quase totalidade dos Oficiais PM e à boa parte  das nossas Praças, por ainda não quererem enxergar que os melhores resultados do nosso “negócio institucional” dependem do simples entendimento de que não pode haver comandante sem comandado. E, caso este se sinta desrespeitado e desmotivado no desenvolvimento do seu mister, passa a “não existir”, desfazendo-se, natural e inexoravelmente,  o referido binômio  “hierarquia e disciplina”, como já vimos ocorrer em todos os supostos motins registrados nas últimas quatro décadas da rica história de nossa PMBa.
Pelo exposto, enfim, peço especificamente à sociedade como um todo que, a exemplo da mobilização capitaneada pela CNBB, onde quase 1,5 milhão de assinaturas aprovaram a Lei da Ficha Limpa, seja tomada mais uma iniciativa popular para a LIBERAÇÃO  DOS  QUE CONTINUAM  INJUSTAMENTE PRESOS, bem como para a aprovação do piso salarial nacional – PEC 300. Pode-se contar, certamente, com outras respeitáveis entidades nacionais e internacionais, além da louvável e experiente CNBB. O referido e viável piso salarial  será, sem sombra de dúvida. o ponto de apoio que não removerá o mundo, mas apagará a indignidade salarial dos Policiais e Bombeiros Militares brasileiros, e contribuirá significativamente para a redução, a níveis suportáveis, da insegurança pública imperante nestes, ainda, “condado e reino” da impunidade e da corrupção, chamados  respectivamente, com irônica seriedade, de Bahia – terra de todos nós  e  Brasil – país do carnaval (e de outras tantas devassas ilusões).
Que a Graça de Deus e a Paz de Jesus sejam com todos.

José Carlos Batista Reis TC PM/RR
(batistatencelpm@gmail.com)