Suspeitos levavam vítimas para se despedirem da família antes de execução, diz polícia de MG

Réplica da obra "A criação de Adão" (ao fundo), de Michelangelo, retrata Deus segurando cigarro (Marcelo Prates/ Hoje em Dia/ AE).
A prisão de uma quadrilha acusada de tráfico de drogas e que atuava na região norte de Belo Horizonte revelou uma prática considerada inusitada pela Polícia Civil de Minas Gerais.
Antes de serem executados, os desafetos da quadrilha tinham o “direito” de se despedirem dos familiares. Os 12 suspeitos de integrarem o grupo, além de um adolescente, foram apresentados nesta quarta-feira pela polícia, no Departamento de Investigações de Minas Gerais, na capital mineira.
O delegado Bruno Wink, responsável pela operação que resultou nas prisões, disse que o ritual de despedida foi confirmado por parentes das vítimas e testemunhas, mas ele não soube precisar o motivo pela qual a quadrilha fazia isso.
“Normalmente, autores e vítimas eram conhecidos. São todos da mesma região. Os autores sabiam onde as vítimas moravam e, por consequência, sabiam onde os familiares também residiam”, informou. De acordo com ele, a despedida era rápida e sucinta.
“Eles levavam a vítima e davam alguns minutos para ela se despedir dos parentes, dentro das casas. Eles ainda ameaçavam afirmando que se o jurado de morte fugisse, a família sofreria retaliações no lugar dele.”
Conforme o delegado, as vítimas eram escolhidas por terem tido algum tipo de desavença com os suspeitos, motivada por disputa de pontos de tráfico de drogas na região ou por retaliação a ataques de rivais realizados contra integrantes da quadrilha.
“Um caso específico foi a execução de um homem que estava cometendo roubos dentro da favela. Isso acabou atrapalhando o tráfico de drogas porque atraía a polícia até o local”, disse Wink.
Quadro
O delegado disse ainda ter se surpreendido com a apreensão de uma réplica do quadro “A Criação de Adão”, do pintor italiano Michelangelo, que foi modificado pelos suspeitos e retrata Deus segurando um cigarro que seria de maconha. “Eles botaram um cigarro de maconha na mão de Deus”, espantou-se o policial.
Além da pintura, foram apreendidas uma pistola 9mm, munição, balança de precisão e um quilo e meio de maconha.
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UOL NOTÍCIAS
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