INDÚSTRIA DA SECA
De: JUVENTINO RIBEIRO
Assunto: INDUSTRIA DA SECA
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INDÚSTRIA DA SECA
Revirando meus alfarrábios para descartar inutilidades, encontrei alguns artigos que publiquei há alguns anos. Um deles, publicado no extinto Diário da Tarde, de Ilhéus, a 7 de maio de 1998, me remeteu às notícias atuais sobre a seca que assola nosso sofrido Nordeste Brasileiro.
Em Aracaju, a Presidenta Dilma e governadores nordestinos, firmaram acordo para alavancar recursos e definir estratégias que aliviem os munícipios afetados pela seca, repetindo-se mais um capítulo de uma história que nos remete a 1877, quando uma grande seca assolou o Nordeste.
Naquele ano o então Imperador manifestou preocupação e tomou diversas medidas que visavam a reduzir os efeitos da seca e também a desenvolver a Região, criando uma comissão especial para estudar o problema, que se transformou no embrião de um sistema que ainda vigora até os dias atuais. Seca vem, seca vai, recursos somem e problemas continuam.
Em 1909 a criação da Inspetoria de Obras Contra as Secas marcou definitivamente o início de uma série de medidas apenas paliativas que perdurariam até hoje, mudando apenas de nomes.
Em 1919 uma pálida mudança apenas alterou o nome para Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas. Em 1920, com mais pompa, instituiu-se a Caixa Especial das Obras em Terras Cultiváveis do Nordeste Brasileiro.
Uma medida efetiva ocorreu na promulgação da Constituição de 1934, quando um dispositivo promovia a destinação de 4 por cento dos recursos federais da Região para amenizar os efeitos das secas.
A Constituição Federal promulgada em 1945, através do artigo 198, destinava 3 por cento da renda tributária da União ao combate dos efeitos da seca nordestina. Nesse ano foi também criado o DNOCS-Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, em substituição à Inspetoria Federal.
Em 1948 criou-se a CODEVASF-Comissão de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e a CHESF-Compania Hidro-Elétrica do São Francisco. Em 1952, criou-se o Banco do Nordeste Brasileiro S. A.
Dentre tantas instituições, programas, companhias e blá-blá-blás, a mais importante instituição foi a SUDENE-Supeintendência de Desenvolvimento do Nordeste, idealizada em 1959 pelo renomado economista Celso Monteiro Furtado, da qual foi o primeiro superintendente.
Nascia, então, uma instituição séria porque Celso Furtado era sério, competente e homem do bem. Chefiava uma divisão da CEPAL, órgão da ONU, quando fora convidado para uma diretoria do BNDE. Aceitou o convite, impondo a condição de que tal diretoria viesse a se transformar num órgao que cuidasse com competência dos problemas do seu sofrido Nordeste.
Quem conhece bem a história contemporânea do Brasil sabe o que ocorrreu com a SUDENE e sobre o naufrágio dos ideais de um homem que praticava a verdadeira política altruista.
A partir de então, o que temos testemunhado é a continuidade de medidas paliativas e populistas, benesses e barganhas eleitoreiras, tal qual uma interminável linha de montagem de uma indústria da seca, que leva polpudas verbas para o submundo da corrupção. Lembrete: 2012 é ano de eleições. Que a bolsa estiagem não as influencie.
Juventino Ribeiro – 25/04/2012
(juventinoribeiro@hotmail.com – Facebook – Twitter – Linkedin)
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