Recentemente, manifestei aqui a expectativa positiva que chega a Ilhéus e a seu povo, junto com os mais diversos empreendimentos residenciais e comerciais, inclusive citando alguns desses empreendimentos.

Infelizmente, de nada vai adiantar o progresso se não estamos tecnicamente preparados para ele. E não estamos.

A história mostra que a região sul da Bahia viveu uma época de ouro com o cacau e acumulou riqueza suficiente para sustentar o estado, até se dando ao luxo de pleitear virar um novo estado, o de Santa Cruz. Ainda bem que a ideia não vingou. Hoje, o fruto de ouro já não é tão farto e enriquecedor e não dá nem pro cheiro pra sustentar economicamente o estado da Bahia. Já passou, e muito, da hora de levantar a cabeça, diversificar e encarar profissionalmente outras alternativas de desenvolvimento econômico. Falo, sobretudo, do comércio e do turismo, atividades essenciais na bela terra de Gabriela. Somos amadores nessas duas áreas, que estão estreitamente ligadas e, em muitos casos, interdependentes.

Fora raras exceções, não existe capacitação, especialização, muito menos qualificação profissional da mão de obra, mormente quando se fala em qualidade no atendimento. Há de se ter nesta cidade cursos intensivos e frequentes voltados para o atendimento no comércio de produtos e serviços, que deveriam ser requisitados e patrocinados pelas associações comerciais e ministrados pelo SESC/SENAC, por exemplo. Há de se ter nesta cidade pelo menos um curso superior de Turismo e Hotelaria. Nada acontece e ficamos de braços cruzados, sonhando e esperando a erradicação da vassoura-de-bruxa e o renascimento do império do cacau. Chega. Vamos arregaçar as mangas e saber aproveitar, no bom sentido, o potencial do comércio e o infinito potencial turístico que essa terra nos oferece. Basta de amadorismo. Vamos ser profissionais dignos do desenvolvimento que bate à nossa porta.

Dentro deste contexto, cito a seguir um rápido episódio que me ocorreu hoje, no novo supermercado.

Ao passar as compras no caixa e entregar meu cartão para pagamento, a moça, após inserir o cartão na máquina, me solicitou, ou melhor, me ordenou grosseiramente que digitasse a senha; ao mesmo tempo, batia repetidamente meu cartão contra a máquina, como se estivesse ali impaciente e contra a vontade. Aproveitei para perguntar se ela tinha vindo de outro lugar ou se era de Ilhéus. Como eu já imaginava, respondeu ser de Ilhéus. Não a culpo. Sei que não é má fé, é despreparo mesmo.

Finalizando, não me considero um sujeito conservador, mas se há uma coisa comum no nosso comércio, e que me irrita, é chegar numa loja qualquer e ser recebido, com um desleixado e sonoro “Diga, bróder”, ou “Vai querer o quê, meu jovem?”, por um cidadão que nunca vi na vida e que, na maioria das vezes, tem idade de ser meu filho. Esse cara, por acaso, é o vendedor…

Nilson Pessoa