“Depois que o sol desaparece no horizonte, o céu ainda brilha por uma hora inteira. Quando uma pessoa desaparece, o céu deste mundo ainda continua iluminado por muito tempo, depois de sua partida. A figura de uma pessoa assim não se apaga deste mundo. Quando vai, deixa na terra muito de si. Estando morta, ainda fala.” Brecher

TRIBUTO PARA ITASSUCÊ 

Esse pensamento diz muito sobre pessoas que convivi nestes 40 anos e que muito marcaram minha vida a exemplo de  Sá Barretto e Dona Itassucê.  Foi através do Movimento de Cursilho que fui acolhido pelo casal e freqüentei sua residência e viajamos inúmeras vezes para o interior da Diocese de Ilhéus pregando a palavra de Deus.

Dona Itassucê foi uma mulher dinâmica, capaz, simples por natureza, nunca ostentou vaidade financeira apesar de ser de família tradicional da cidade.

Lembro-me quando era comerciante na Rua Dom Pedro II onde recebia suas clientes e amigas da sociedade. Estava sempre disposta  para  fazer o bem em prol dos mais necessitados. Sua escola foi a Associação das Senhoras de Caridade e sua mestra foi Dona Esther Pacheco que junto a Conceição Lopes, Maria Aparecida Simões, Lizete Ribeiro, Lêdicleia (Lêda) da Hora, Mariza Vieira, Janira Carvalhoe Tudinha entre diariamente se reuniam no Salão ao lado da Maternidade Santa Isabel para traçar planos de ação comunitária. Dona Itassucê gostava sempre de passar dias nas fazendas de Almadina e Buerarema, lá respirava o ar puro do campo, cuidava de suas leras e convivia com o povo da fazenda.

Certa vez um trabalhado precisou de cuidados médicos.  Imediatamente ela   conduziu o trabalhador ao Sesp para iniciar o tratamento de uma ferida na perna. E após os cuidados médicos ,  ela cuidou  da ferida da perna do trabalhador até curar.

Em outra ocasião Sá Barreto e Dona Itassucê viajaram   para os festejos da romaria de  Bom Jesus da Lapa. Lá participamos de várias missas, visitamos as grutas da Lapa e percorremos a feira livre e  ao passar por onde comercializava  papagaios e araras, ela questionou o preço das aves ao  comerciante por sua vez ao perceber que se tratava de pessoas de posse imediatamente  ar britou os preços. Não se conformando com os preços ela  questionou  o comerciante  e o mesmo  tirou por menos e fez um bom desconto. Na sua residência ela  criava papagaios e araras e    o seu loby  era  cuidar de suas plantas e não dispensava os serviços do caseiro Eduardo que atentamente cuidava da extensa área com bastante zelo. Aos sábados gostava de  ir a feira livre do malhado e o motorista Chico do Povo ficava atento desde cedo. Lá ela fazia sua terapia peculiar, especulava os preços das verduras e outros gêneros alimentícios. Ao chegar a casa   comentava à respeito da feira sobre os preços das mercadorias , maneira peculiar de  eximia economista do lar.

Após os afazeres diários, organizava o cardápio com sua cozinheira Alzira, que fazia majestosos pratos. Nas horas vagas   gostava  ficava na varanda a contemplar a natureza, fumando seu cigarrinho e jogando paciência.

Com o falecimento de  Sá Barreto, ela  saiu de cena e se retirou para Fazenda em Buerarema,  onde foi viver a vida como sempre gostou junto  a natureza.

Como serve de Nossa Senhora e filha de Jesus, foi contemplada com uma morte serena e tranqüila.

Um grande filosofo  escreveu: “ Se não poder ser uma estrela a fulgurar no céu, sê ao menos uma estrela na terra…

Se não podes ser uma estrela na terra, sê o fogo no alto da montanha…

Se não podes ser o fogo no alto da montanha, sê a lâmpada da casa…”

Dona Itassucê foi para nós uma grande estrela  que iluminou  todos  que a amavam.

 

Luiz Castro

Bacharel Administração de Empresa

Fespi 1991,