Jorge Raymundo Vieira em: O ENCONTRO DE ITABUNA COM ILHÉUS
Alguém voltou a falar sobre a ideia de um Centro Metropolitano do Sul do Estado da Bahia. Talvez, as divergências, ainda presentes, entre Itabuna e Ilhéus levaram a discutir e falar sobre essas questiúnculas de dois municípios vivendo de problemas passados e já resolvidos. Vejam as discussões sobre as divisões territoriais dos municípios.
Por sorte, ainda temos idealistas e pessoas de visão que relembram a ideia da constituição de um Centro Metropolitano do Sul do Estado.
O certo é que também recordei e fui buscar em meus arquivos, um artigo sobre este tema, escrito em 1974 e publicado, no Diário da Tarde de Ilhéus e no Diário de Itabuna. Seu título foi – As grandes Ideias Regionais – Centro Metropolitano do Sul do Estado da Bahia.
Reli as minhas ideias. Mantenho-as até hoje, com algumas adaptações à realidade atual, pois são passados 38 anos. Reli também alguns comentários feitos por jornalistas competentes (Diário de Noticias 06/05/1997).
Infelizmente até hoje (Maio 2012) as autoridades constituídas e nem os líderes políticos compreenderam esta ideia e seus benefícios e nada fizeram no sentido de implementar essa união.
Disse em meu artigo “mas que geração se libertará desses preconceitos e tomará a iniciativa? Ou iremos esperar pelos nossos filhos e netos?”.
Acho que vamos esperar pelos nossos “Bisnetos”!
Para conhecimento da atual geração transcrevo o artigo feito há 38 anos.
AS GRANDES IDÉIAS REGIONAIS
CENTRO METROPOLITANO DO SUL DA BAHIA
De tanto ler os jornais do Rio e pensar no futuro de minha região, liguei os fatos e a “fusão das cidades de Ilhéus e Itabuna” espalhou-se em minha mente.
Aliás, creio que esta ideia não é nova. Já existiu, há algum tempo, na cabeça de visionários e planejadores. O certo é que, com a badalada fusão da Guanabara com o Estado do Rio, passei a pensar: Que seria de Ilhéus e Itabuna unidas em um forte e promissor Centro Metropolitano do sul da Bahia?
É provável que as piadas, as gozações recíprocas, as brigas e discussões estéreis, iriam com o tempo, desaparecer. As disputas de futebol, de Rainha do Cacau, de posse da CEPLAC ou da Universidade, a terra da jaca ou do caranguejo, temas constantes nas discussões, desde nosso tempo de criança, estariam transformando-se e dando lugar a uma nova imagem, um novo símbolo, a esperança dos que vivem esta mesma terra e que têm cacau no corpo e na alma.
É certo também, que a competição sadia, a luta por crescer, melhorar, progredir, através do esforço e idealismo desta gente, estariam enfraquecidos com a quebra deste estímulo para o progresso.
Mas, que vantagens poderão trazer esta fusão, que não é impossível, e que pode cristalizar-se nas mãos de dirigentes estaduais, audaciosos e de visão futura?
As cidades em si, complementam-se. O comercio desenvolvido de uma, contra o porto e terminais da outra. O conforto aos visitantes de uma, contra a paisagem, a beleza natural da outra. A impetuosidade contra o élan de tradicionalismo. Mas, nesta integração de potenciais e recursos está a igualdade dos seus princípios, a homogeneidade das suas aspirações, o mesmo cheiro de mel do cacau, destilado por muitas e muitas gerações.
Somos uma só gente, um só povo e uma só região, que luta por dias melhores para nossos filhos.
E se unirmos esforços, ideias, trabalhos e recursos? E se criarmos a imagem de associação e integração, na busca de soluções para problemas comuns ou para as necessidades que se integram? Por certo, não haveríamos de ver disputas, para maior diálogo ou para um primeiro cumprimento à autoridade que nos visita. Para aqueles que vêm de fora, somos apenas uma região sem fronteiras internas, uma só área, a terra e a gente do cacau.
Que seria melhor, uma pista asfaltada no aeroporto de Itabuna, ou a duplicação da estrada que liga Ilhéus a Itabuna? Que benefícios poderia trazer cada um desses planos?
Que seria melhor, a luta pela localização de uma sede qualquer, de instituição estadual ou federal, ou o trabalho conjunto, na formação de um Centro Administrativo entre as duas cidades? Que vantagem traria cada uma das alternativas?
Outros projetos poderiam ser levantados. A integração, o planejamento conjunto de muitas atividades, poderiam na verdade provocar mais benefícios à coletividade e a um custo mais baixo.
O tempo, de certo modo, tem provocado isto. A CEPLAC tem sido uma mediadora neste processo ou tem estimulado esta integração. A Universidade de Santa Cruz, todavia, será a grande causadora deste prolongamento urbano, como dizem alguns sociólogos.
Temos de deixar de lado nosso bairrismo exagerado, que pouco progresso traz e juntar esforços sob uma orientação estadual, ou mesmo, sob a iniciativa dos dois municípios. Estabelecer um planejamento conjunto, que vise à integração das atividades urbanas – planos de turismo, de saneamento, médico-hospitalar, educacional, da área industrial, do comércio, do transporte, da limpeza pública, da segurança ou policiamento, do povoamento dos 28 km. de estrada que unem estas cidades à CEPLAC e à Universidade.
A fórmula para executar esta ideia, existe. A criação de um Centro Metropolitano do Sul do Estado pode ser uma sugestão razoável. Mas, que geração se libertará dos preconceitos e tomará a iniciativa? Ou, iremos esperar pelos nossos filhos e netos? Quem iniciará o processo de planejamento conjunto, de coordenação e fortalecimento da economia do maior núcleo populacional do interior da Bahia?
Ilhéus – 21-11-74
Publicado no Diário de Itabuna – 21/11/74 Diário da Tarde-Ilhéus 31/08/74.




























































Concordo plenamente com o Sr. Jorge Vieira, como também a instalação da Universidade Federal no eixo Ilhéus – Itabuna, pois temos deputado federal da região querendo implantar a mesma em Ferradas, um dos lugares mais feio e alta criminalidade que já vir na minha vida.
Escobar