O trânsito muito louco! – muitos carros em trafego o dia todo.
O dia amanheceu nublado e chuvoso, ventava sul.
Saí de casa bem cedinho; dizem que quem cedo madruga “Deus” ajuda. Creio nisso! (agora com algumas resalvas)
O dia foi infernal, 25 corridas curtas, um pedreiro atrasado, um professor em greve, um médico que se atrasou para sua cirurgia, uma mulher que tinha uma audiência no fórum, um universitária que ia viajar para os Estados Unidos e por ai vai; até que a 25ª, ultima corrida do dia, depois de muitos bonecos (as) pra lá e pra cá, todos aloprados, o ultimo, um Missionário de “DEUS”, enfurecido, Pastor, que em respeito a sua igreja declino do direito de dizer qual, quase me matou. Sua pregação foi tão carregada que o efeito colateral não poderia deixar de ser aqui contado.

A corridinha tenebrosa! – anotem ai! –  vigésima quinta!

O pastor tão logo entra no carro, diz seu destino, e inicia uma catequese relâmpago; pergunta de chofre se eu era um ser liberto ou se deixava satanás agir em mim? –  se eu ouvia vozes estranhas, se sofria de depressão, se sentia dores de cabeça, nervosismo, insônia, medos, se via vultos ou sentia vontade de suicidar? – Que ele percebia dentro do meu taxi vibrações estranhas e que eu deveria, com certa urgência, marcar uma consulta com ele para me exorcizar, pois, eu era, por causa dos meus bonecos, passível de possuir uma possessões malignas. Que ele enxergava em mim um homem de pouca fé e que ele via, claramente, que a minha “lamparina da vida” estava com o lume bem fraquinho, que minha existência aqui na Terra tinha os dias contados.
Não tinha jeito! – ele me condenava, com fervor, a me ungir com os óleos santos e fechar meu corpo; porque feitiços tinham sido lançados sobre mim e, por isso, eu não tinha mais escapatórias.

A morte rondava meu taxi!
Foram exatos 17 minutos de pregação meticulosa e de expiação para o meu pobre espírito; recebi o dinheiro da corrida, R$ 22,50, o pastor fez menção de esperar pelos cinquenta centavos que eu não tinha e preferi perder R$ 2,00 que tinha, “pegados”, para que me deixasse ir descansar em casa.

A Nega veia já me esperava com uma sopa, daquelas do tipo “sopa de pedras” e eu me fartei de suar; minha cabeça repassava a pregação do Pastor e eu mal consegui ouvir o Jornal Nacional. Fui Pra cama!

Sonhei!

Sonhei que havia sido convidado pelo Pastor para ir ver, lá no céu, a situação da minha vida. Agarrei nas mãos do Pastor e fui. Depois de uma peregrinação e muitas autorizações fomos conduzidos a uma imensa sala, cumprida e sem fim, eu não avistava o fim. Na sala existiam prateleiras em ambos os lados e elas estavam cheias com lamparinas (daquelas, antigas, parecidas com a lâmpada de Aladim, que ficam cheias de azeite e possuem pavios acesos que ficam a boiar dentro de seu bojo); todas com os nomes das pessoas que vivem aqui na Terra.

A noite já ia longe e nada de encontrarmos a minha Lâmpada e anda, anda, e nada… Nada!

Muitas lamparinas estavam cheias de quase entornar outras pela metade, algumas se apagando, e, continuávamos na insana busca da lamparina de Wagner Gentil; e anda, anda, e anda nada! – até que enfim depois de muito caminhar, a noite quase que toda, chegamos a minha lamparina.  O pastor dana a gritar! – eu não disse! – eu não disse! – eu te avisei!

A minha lamparina estava lá, sequinha, sem uma gota sequer de óleo; eu desesperei!

Senhor meu “DEUS” eu estou meia sola e o senhor já quer me levar? – O que será da minha nega? – E os meus dois filhos como ficarão? – A família sem Pai? – Ajuda-me Senhor!

Nessas horas é que percebemos que respeito ao próximo só quando o próximo está próximo; caso contrário ele, o próximo, que me desculpe…  – Que se dane ele!

Eu pedi ao Pastor para ele ir ver se achava a lamparina da minha NEGA (enganei-o dizendo que queria saber quanto ainda a nega tinha de vida e se ela iria demorar muito para ir me encontrar lá no céu), enquanto eu (dissimulava) rezava em frente a minha lamparina pedindo a “DEUS” mais um tempinho.

O Pastor, atendendo meu pedido, seguiu em frente buscando a lamparina solicitada por mim e eu aguardei, aparentando rezar, um olho na lamparina outro nele, que ele se distanciasse mais um pouquinho e, daí, rapidamente, comecei a enfiar o dedo na lamparina de uma outra pessoa, que estava do lado da minha, e o esfregava na lateral da minha fazendo o óleo escorrer para dentro da minha.  O Pastor já ia longe e eu toma a enfiar o dedo na lamparina da outra pessoa e o raspava, rapidamente, seu óleo na minha; quando o óleo da minha lamparina já estava bem pelo meio minha mulher me dá um grito: WAGNERRRRRRRRRRRRRRRR!!!!!!
– me deixa dormir em paz! – eu percebi que estava com o dedo enfiado dentro da orelha dela, esfregando e rodando. Quase levei um safanão!

Conclusão:

Eram três da manhã e minha mulher estava enfurecida por que eu tinha enfiado a unha na orelha dela. Não dormi mais!
O nome da pessoa que eu roubei o óleo da vida é muito conhecido de nossa sociedade eu não posso revelar ( é amiga lá de J.L).
O Pastor se alguma outra vez me der com a mão vai ficar de cara por que parar para ele não paro.

Bem! – Se eu puder ir de novo lá naquela sala cumprida e abastecer minha lamparina de um pouco mais de óleo eu vou adorar; mesmo que minha mulher volte a se enfezar!

Wagner Gentil