DEMARCAÇÃO: “ BATALHA DOS NADADORES” OU MASSACRE DOS TUPINIQUINS
por Edgard Siqueira
Por iniciativa do grupo politico do Sr. Jabes Ribeiro que governava o Município na época, foi instituído na Lei Orgânica do Município no seu Cap. XX, art. 280, § 10 – “Fica instituído o dia trinta de setembro, como Dia Municipal da Consciência Indígena, data que resgata a história do massacre indígena do Rio Cururupe”. Relatando o que realmente aconteceu, segundo as fontes bibliográficas pesquisadas, estaremos prestando uma homenagem aos verdadeiros mártires do genocídio ocorrido no entorno do Rio Cururupe, os Tupiniquins, a etnia que habitava na nossa região.
O episodio conhecido historicamente como a “Batalha dos Nadadores” foi desencadeado a partir do assassinato de um Índio Tupiniquim praticado por um Dono de Engenho. À reação dos Tupiniquins foi o desencadeamento de uma revolta que levou à destruição parcial da vila de Ilhéus e dos engenhos nos seus arredores. Esta revolta foi comunicada ao Governador Geral que empreendeu uma sangrenta repressão. Usaremos o relatório do próprio Mem de Sá para melhor entendermos como se processou a repressão: “Neste tempo veio recado ao Governador como o gentio Tupiniquim da Capitania de Ilhéus se alevantava e tinha morto muitos cristãos e destruído e queimado todos os engenhos dos lugares e os moradores estão cercados e não comiam senão laranjas e logo pus em conselho e posto que muitos eram que não fosse por ter poder para lhes resistir nem o poder do Imperador fui com pouco gente que me seguiu e na noite que entrei em Ilhéus (Capitania) fui a pé em uma aldeia que estava a sete legoas da vila em alto pequeno toda cercada de agua ao redor de lagoas e as passamos com muito trabalho e antes da manhã duas horas dei na aldeia e destruí e matei todos os que quiserem resistir e a vinda vim queimando e destruindo todas as aldeias que ficaram atrás e por que o gentio se ajuntou e veio me seguindo ao longo da praia lhes fiz algumas ciladas onde os cerquei e lhes foi forçado deitaram a nado no mar da costa brava. Mandei outros índios atrás deles (Os Tupinambás, que habitavam a região de Itaparica e Camamu e eram inimigos mortais dos Tupiniquins) e gente solta que os seguiram perto de duas léguas e lá no mar pelejaram que nenhum Tupiniquim ficou vivo, e todos os trouxeram a terra e os puseram ao longo da praia por ordem que tomavam os corpos perto de uma légua, vieram pedir misericórdia e lhes dei pazes com condição que haviam de ser vassalos de Sua Alteza e pagar tributo e tornar a fazer engenhos. Tudo aceitaram e fizeram e ficou a terra pacifica em espaço de trinta dias, onde fui a minha custa dando mesada a toda pessoa honrada e também digo boa, como é notório” (Sá, 1560 in Silva Campos, 1947;59/60).
O resultado concreto desta repressão foi à redução drástica do contingente demográfico dos Tupiniquins e consequentemente a sua extinção.
No faz de conta de se autodenominar “Índio Tupinambá”, baseado nestes relatos históricos, podemos concluir que a caminhada em homenagem aos mártires da “Batalha dos Nadadores” na realidade é uma representação de um ato de penitencia e remorsos. Nunca uma verdadeira homenagem aos ”ancestrais martirizados”. Quem aqui habitava era os Tupiniquins e que foram massacrados por Mem de Sá com o apoio dos Tupinambás. Uma pequena homenagem resgatando a verdadeira história. Que descanse em paz os verdadeiros mártires, OS TUPINIQUINS.




















































