PARA QUEM GOSTA DE PESQUISA

 

No ano de 1994 e depois em 2001, com a matéria “Caminhada pelo Litoral de Ilhéus – Um relato Ambiental”, já chamávamos atenção para as mudanças na orla do Pontal, no que diz respeito ao surgimento dos primeiros exemplares de mangue (planta).

Naquela época dizia eu: “No bairro do Pontal está ocorrendo o inverso do litoral norte, onde começa a surgir às primeiras concentrações de plantas de mangues ao longo da Avenida Lomanto Junior, fato que não existia há 40 anos, e isto se devem ao “avanço de maré” neste bairro, e com o acúmulo de solo das enchentes, criou-se um ambiente favorável para o desenvolvimento natural destas plantas. Com o avanço da maré, deixaram de existir as praias de: Ponta de Eustáquio, Cabana da Sereia, Rua da Frente e Banca do Peixe, palco de lazer da população ilheense até meados dos anos 70. Já nas praias da Avenida, Cristo, Prainha, Bica e Concha acontecera o “recuo de maré”, provocado também pela construção do Porto do malhado, aliado aos solos arrastados das grandes enchentes, causando o assoreamento e com isto praias mais largas, levando a praia do Cristo a um fenômeno muito interessante, que foi o aparecimento do crustáceo conhecido como “vaza-maré” ou “chama-maré”, em número expressivo, que estar aliado ao lodo ou terra

atoladiça deixada as margens da foz do rio Cachoeira, onde também surgem as primeiras plantas de mangue, o que vale ressaltar, que nas décadas de 50/60, esta praia nem existia”.

Hoje, 18 anos e 11anos depois, respectivamente, resolvi fazer uma nova pesquisa particular mais apurada, do que o faço normalmente, quando me desloco do Pontal para o Centro nas minhas caminhadas.

Percebam pelas fotos que o manguezal já está espalhado, e de forma contínua desde o local conhecido como o estaleiro dos barcos (saveiros), até aproximadamente em frente à Travessa do Bonfim, na Av. Lomanto Júnior.

Ficamos surpresos e por coincidência estavam lá no manguezal dois pesquisadores sobre o assunto. Não identifiquei-los, mas era visível o estudo que estavam fazendo, pois se percebia um quadrado feito na lama, para analisar todo material no ramo da botânica e zoologia ali encontrado.

Então percebemos o interesse dos ecologistas/ambientalistas pelo fenômeno que nós já tínhamos identificado e divulgado via trabalhos técnicos sobre o assunto.

Só resta saber, se este manguezal que desponta como interesse científico terá sua progressão definitiva, pois vai depender muito dos moradores desta orla, se são a favor da preservação ou pela sua destruição.

Por certo, ONG(s), IBAMA e outros órgãos fiscalizadores poderão enfim fazer um monitoramento destas áreas.

Por outro lado, quais seriam as conseqüências sociais com a preservação deste manguezal, tais como: esconderijo para marginais, focos de mosquitos, depósito de lixos variados, baratas, ratos, etc. Como já é visível atualmente neste local.

Bom, a mim cabe apenas relatar o fato, as demais soluções ficam por conta de quem entende do assunto, pois sou apenas um técnico agrícola e não um cientista, para afirmar o que é melhor para o local. Cada um que tire suas próprias conclusões, da forma como visualizam estas questões.

Rezende