A história do jogo do bichoLembro-me quando criança de um

tio chamado João Grande que explorava uma banca do bicho que era situada no inicio da Ladeira da Vitoria. Na mesma época também outros empresários do ramo já existiam conhecidos popularmente por “os pintos”. Nessa ocasião chegou a Ilhéus um especialista do ramo oriundo de Pernambuco conhecido por Milton Torres que auxiliava os concorrentes na prática do citado jogo descarregando os jogos em outras bancas concorrentes. Tudo sempre foi normal, havia algumas divergências, contudo, tudo se resolvia na paz. Segundo o ex-prefeito Henrique Cardoso, em seu livro “50 anos em 4”, o mesmo afirma que “a Faculdade de Direito de Ilhéus foi erguida através de recursos provindos do jogo semi-oficializado da epoca”.
O jogo do bicho surgiu no Brasil no início da República pelas mãos do Barão de Drummond, João Batista Viana Drummond. O aristocrata decidiu fazer uma campanha para conseguir reerguer o jardim zoológico de sua propriedade, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, que passava por dificuldades.
Assim, o barão listou os 25 animais existentes no espaço e lançou o jogo, estipulando quatro números para cada bicho, que formam as dezenas de 00 a 99. Esse critério é usado até hoje.
Inaugurado em 4 de julho de 1892, a imprensa e a alta sociedade carioca festejaram a novidade que o barão criou para atrair mais gente ao seu jardim zoológico, que tinha também restaurante, hotel e outros passeios.
O dia do lançamento do jogo do bicho
“A empresa do Jardim Zoológico realizou ontem um magnífico passeio campestre ao seu importante estabelecimento, situado no pitoresco bairro de Vila Isabel.
Em bondes especiais dirigiram-se os convidados e representantes da imprensa àquele local e depois de visitarem o hotel, que se acha nas melhores condições, os jardins, as gaiolas em que se acham os animais e aves, tomaram parte em um lauto jantar, em mesa de mais de 60 talheres, presidida pelo digno diretor daquela empresa, o sr. barão de Drummond.
O 1º brinde foi levantado pelo sr. Sérgio Ferreira ao sr. barão de Drummond, que em seguida com toda a gentileza brindou à imprensa, sendo correspondido pelo nosso representante. Trocaram-se ainda outros brindes, sendo o último ao sr. vice presidente da República.
Como meio de estabelecer a concorrência pública, tornando freqüentado e conhecido aquele estabelecimento que faz honra ao seu fundador, a empresa organizou um prêmio diário que consiste em tirar à sorte dentre 25 animais do Jardim Zoológico o nome de um, que será encerrado em uma caixa de madeira às 7 horas da manhã e aberto às 5 horas da tarde, para ser exposto ao público. Cada portador de entrada com bilhete que tiver o animal figurado tem o prêmio de 20$. Realizou-se ontem o 1º sorteio, recaindo o prêmio no Avestruz, que deu uma recheiada poule de 460$000.
A empresa tem em construção um grande salão especial para concertos, bailes públicos, e vai estabelecer no jardim jogos infantis e outros diversos para o público.
Às 9 horas voltaram os convidados, pessoas de alta distinção, penhorados todos à gentileza do sr. barão de Drummond e seus dignos auxiliares. Foi uma festa esplêndida.”
Jornal do Brasil, 4 de julho de 1892.
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Colaboração de Luiz Castro
Bacharel Administração de Empresa