Era uma vez, um disco voador.
Disco voador, que observava. Já tinha ido até ao Rio de Janeiro e não gostou do que viu.
Quem viu o disco voador? Quem viu o rio que passava aqui? A árvore que nasceu aqui? A criança que dormiu aqui? Alguém poluiu, alguém cortou, alguém matou…
Você já bebeu dessa água? Se banhou nessa fonte? Descansou nesta sombra?
Os animais morreram, ou estão presos, as flores murcharam ou são de plástico, plástico que cria fendas e provoca terremotos!
E o disco voador?…

O homem conseguiu destruir tudo a sua volta e, criar desertos, passos incertos, caminhos sem futuro, enfim, solidão.
O disco voltou, achou tudo mudado, não entendeu nada, observou, girou e foi dormir, numa viagem a anos luz da irresponsabilidade humana.
Alguém passa numa rua deserta; muros caiados, edifícios fechados, autos deslizam para o nada. Do bueiro no chão sai fumaça, da vida sub-humana dos viadutos. Numa dose de álcool ou de ópio, a vida toda passa. Mais um ser suicida, num aborto de tiras e trapos, loucura do sangue, da raça, da fortuna dos miseráveis que o homem insiste que não existe.
O jogo duplo do tudo e do nada, cria situações diversas, do luxo e da lama, (escravos/senhores) dependentes da droga da ambição, do tudo ter, do nada viver. Ver além dos limites humanos, sob a ótica transversal de todos os tempos em que, o homem está no fundo mais fundo do silêncio universal.
Eu vejo!
Tu vês
Ele vê, o disco voador como a última esperança.

(ALMEIDA. J. Iram)