ALERTA AOS JOVENS
Vivenciando essa alta estação tenho feito uma comparação entre os verões anteriores de nossa cidade e os atuais. Depois de alguma analise posso dizer que aqueles janeiros dos idos 70, 80 foram muito melhores, saudáveis e animados que os de hoje. E, com isso, cabe-me um alerta aos jovens.
Enquanto os verões mais antigos nos ofereciam disputados campeonatos de voley e futebol de praia (inclusive com times do rio de Janeiro), baterias de surf, bonitas e bem preparadas festas pré-carnavalescas (no Clube Social), um carnaval maravilhoso (onde se brincava durante o dia e tínhamos grandes bailes nos Bancários e Social), festival de jovens bonitos (os nativos traziam seus colegas de escola de Salvador e etc), hoje percebemos que a distração dos nossos jovens se resume a duas opções: festa e show!
A mídia atua de forma maçante anunciando 100 vezes ao dia que hoje terá festa e show com fulano, amanhã com beltrano, sexta com sicrano, sábado com fulaninho e por ai vai. Como vivemos hoje numa cidade pobre, sem maiores perspectivas aos nossos jovens, ao contrário da rica Ilhéus de nossa juventude, nos deparamos com uma juventude atual que se aperta toda em seus orçamentos, atrasa ou não paga seus compromissos, ingressam no SPC e SERASA, toma dinheiro e cartões de crédito de amigos emprestados, para comprar ingressos e roupas com destinos a essas infinidades de festas.
Eu gostaria de que um simples jovem, por exemplo, lesse estas palavras e procurasse fazer uma simples comparação – talvez ele possa perceber o quanto estão empregando seus suados e valorizados reais para fazer enriquecer meia dúzia e jogando pela janela boas oportunidades de diversão por valores equiparados. Vejam, uma festa de réveillon em alguns lugares conhecidos em Ilhéus custou cerca de 600 reais o casal, fora roupa dos dois, cabeleleiro e manicure da mulher. Um final de semana no hotel Transamérica de Comandatuba (um dos 10 melhores resorts do país), no inicio de dezembro, custou entre sexta-feira a domingo R$ 1.200,00 o casal, com café da manhã, almoço e jantar, divididos em até 10 vezes. Ou seja, enquanto um casal pagou perto ou mais de mil reais para ir a uma noite de réveillon (onde ficou cerca de cinco a seis horas na festa) outro pagou R$ 1.200,00 para chegar na sexta e sair no domingo do Transamérica, se deliciando com tudo que aquela maravilha pode oferecer, inclusive a gastronomia.
Enquanto alguém pagou cerca de R$ 250,00 para ir ao camarote no show de Ivete Sangalo, que toca de janeiro a dezembro em nossas rádios (eu pessoalmente não agüento mais ouvi-la), um convite no camarote do Batuba ou Jardim Atlântico ou Yatch, por exemplo, custou R$ 300,00 com direito a comida e bebida, inclusive whisky. Ou seja, por um show de quem se ouve o ano inteiro se paga quase o mesmo de uma noite de reveillon.
Enquanto alguém paga cerca de três a quatro mil reais para se ir a um bom camarote no carnaval de Salvador, assistir os manjados e repetitivos Jamil, Durval, Ivete, Bell, Cheiro, Claudia Leite e por ai vai, uma viagem prá Buenos Aires (outro país) neste mesmo carnaval, com cinco noites, avião ida e volta, bom hotel e transfer aeroporto-hotel-aeroporto, sai por cerca de R$ 1.200,00, divididos em 6 vezes. Ou seja, a grande maioria dessa turma troca um passeio em outro país, deixando de apreciar vistas e lugares maravilhosos, para assistir esse repetitivo axé.
Agora vai o humilde alerta: caros jovens, ai incluindo-se meus filhos, não gastem seu dinheiro seduzidos pela mídia para enriquecer meia dúzia de cantores que já são beneficiados pelas rádios o ano inteiro. Empreguem-no melhor e vão conhecer bons lugares, bons ambientes e boas cidades. Divertir-se não significa apenas ir a shows e festas, principalmente de axé ou arrocha (cruz credo!). Isso nós temos o ano inteiro – vamos deixá-los prá os paulistas, goianos, mineiros, matogrossenses, que aqui chegam com dinheiro prá gastar. Curtam os momentos enriquecedores em nossa vida, que nos façam ter verdadeiras e interessantes estórias a contar, muito mais do que dizer simplesmente que beijaram tantas(os) e que ficaram sem dinheiro prá pagar a fulano ou sicrano que lhe deram crédito.



























































Prezado Dr. Jorge,
Parabenizo-o sábias palavras de “alerta aos nossos jovens”. Talvez estejam mesmo sedentos de boas e experientes palavras… idas e vindas a tantos “shows”, não sobra tempo para apreciarem o verdadeiro “SHOW DA VIDA”… quase sempre dormindo para o próximo “Show”… E assim, o que percebemos, é que são jovens com uma pobreza de espírito muito grande, limitados e incapazes de enxergarem a riqueza que Deus disponibilizou no mundo, para conhecermos e desfrutarmos com sabedoria… eles, nossos jovens, estão limitados: dos shows às Drogas… das Drogas aos shows… quem sabe, um dia acordem… não para o show das drogas, que VICIA, ANULA E QUANDO PASSA O EFEITO, FRUSTA… MAS PARA O SHOW DA VIDA, QUE TRANSCENDE, QUE ELEVA, QUE ENRIQUECE…
Obrigado Terezinha!
Pelo menos em minha casa tenho tentado mostrar aos meus tres jovens filhos que destinem seus reais a outros programas de diversão e distração muito mais enriquecedores. Chega de seduzir-se pela midia e continuar enriquecendo essa turma repetitiva do axé.
Para voce ter uma idéia, tenho um parente, jovem de 22 anos, que ao fazer as contas do quanto gastaria para ir ao São João de Amargosa no ano passado, desistiu e rumou a Buenos Aires. Lá gastou menos e preferiu a belissima capital portenha ao primitivismo de uma cidadezinha do interior. Optou por enriquecer mais sua cultura e sua bagagem de conhecimentos do que os bolsos destes manjados que cantam num tal Piu-piu da vida.
Abraços,
Jorge Cajueiro
Caro Jorge,
A sanidade mental e afirmação da identidade pessoal residem, em grande parte, em sermos socialmente reconhecidos pelo outro. Para tanto, frequentamos a escola, a igreja, as instituições classistas, os conselhos profissionais, os clubes, os restaurantes, as festas, as praias da moda, os hotéis de luxo, as colunas sociais e, mais recentemente, nos reafirmamos enquanto personagens através dos sítios do “orkut” ou do “facebook”.
Tudo isto, é claro, custa um preço. Tanto nas décadas de 70 e 80 como nos dias atuais,frequentar socialmente sempre significou para muitos pedir cheques ou cartão de crédito emprestado, ter o nome pendurado no SPC e ficar sujo no Serasa. Será que durante a sua juventude você não se lembra de nenhum colega que passasse por essa “perrengue” para “figurar” nos bailes do Social? Ou o seu berço esplêndido não lhe permitia perceber esses detalhes sórdidos? Eu não sei se você se recorda, mas a cultura cacaueira nunca foi igualitária, muito pelo contrário, segregava via conceitos severos, preconceituosos e discriminatórios, cujas raízes profundas ainda se ramificam hereditariamente através de feudos nominais em pleno 2011.
Quanto aos “shows”, “festas” e “arrochas”(dance, você vai gostar!) de verão da rapaziada de hoje, são apenas compomentes das diversas atividades que deliciosamente se permitem: eles jogam futvôlei, continuam surfando altas ondas, são feras no frescobol, praticam kite-surf, se jogam de asa delta, estudam, especializam-se, batalham a própria grana (quase sempre curta), namoram, fazem sexo sem culpa e, por vezes, tomam um pileque da mesma forma como a sua geração, na qual me incluo, fazia nos Bancários, no Social ou até mesmo nos Comerciários, lembra?
O fato, caro Jorge, é que envelhecemos e passamos a ter uma inveja sem limites do “doce pássaro da juventude”, que já não embala com seus trinados mágicos os nossos dias, noites e madrugadas como nas décadas de 70 e 80. Liberte-se do olhar pessimista, livre-se do resmungo e perceba o potencial de felicidade ao seu redor: embarque num cruzeiro com a sua mulher, só com a sua mulher, ofereça-lhe flôres num jantar à luz de velas e brinde a uma noite romântica numa suíte especial a bordo de um navio rumo a Buenos Aires. Este pacote de prazer, a mídia afirma, está ao seu alcance!
Cordialmente,
Dirceu Góes