Jorge Cajueiro em: O BRASIL DAS CONTRADIÇÕES E DECEPÇÕES
Todos os anos o Brasil tem encontro marcado com a tragédia. É a chuva de Santa Catarina que deixa milhares de desabrigados, é a do litoral de Angra dos Reis que soterra pousadas e uma infinidade de casas, é a da região serrana fluminense que destrói cidades lindíssimas e arrasa com sua estrutura. Somente esta última deixou quase mil mortos.
Mas enquanto achamos que a natureza foi perversa conosco precisamos lembrar que outras partes do mundo também sofrem com os reversos da natureza. Foi o furacão Katrina que varreu Nova Orleans, depois o tsunami lá no oriente que massacrou o oriente, mais tarde o terremoto que praticamente tirou o Haiti do mapa, recentemente outro terremoto que abalou as estruturas do Chile e recentemente a enchente que inundou cerca de 60% do território da Austrália. Mas, apesar de tragédias tão marcantes quanto às nossas, algumas até de maiores proporções, as conseqüências são outras e certamente menos danosas à população.
Ali no Chile, por exemplo, país vizinho onde não se vê um prédio que não se ostente pelo menos uma bandeira da nação, sem que para isso não se precise estar em período da copa do mundo, onde o policial que fiscaliza as ruas usa gravata e fala inglês, onde um Toyota Corola novo custa cerca de 28 mil reais, onde nenhum taxista, porteiro, garçon deixa de cumprimentar o cidadão com um simpático “boa noite”, há pouco tempo ocorreu um terremoto de grandes proporções, inclusive maiores que no Haiti, e não morreram cem pessoas. Valendo frisar que o país já está reconstruído.
Em Nova Orleans, onde as casas não têm muro e a população para e estende a mão ao peito para reverenciar o seu hino quando toca, poucas são as marcas do famoso furacão. Lá também o governo tratou de reerguer seu rosário de destruição.
Na Austrália, recentemente submersa em mais da metade de seu território, sabem quantas mortes? Menos de dez!!!
E ai, nós que somos e seremos vitimas de catástrofes em todos os verões e invernos, perguntamos: porque ali no Chile, lá na Austrália, nos Estados Unidos, a força da natureza é tanto ou mais cruel do que conosco, e morrem bem menos cidadãos e a reconstrução é muito mais rápida? Resposta: porque aqui não se tem nem oferece educação e muito menos seriedade!
Este mesmo Rio de Janeiro que perde quase mil pessoas numa chuvarada, que assiste inerte as barreiras de terra praticamente acabar com uma das regiões serranas mais lindas do país, é o mesmo Rio de Janeiro que torra um bilhão de reais para a reforma do maracanã. E não vamos longe não. Esta velha, sofrida e mal cuidada Bahia, que tem somente em Salvador 100 mil pessoas morando em área de risco e rezando todos os dias para a chuvarada também não os desmoronar, é a mesma Bahia que joga a Fonte Nova ao chão para levantá-la majestosa e certamente superfaturada, com o fim de sediar três ou quatro jogos de uma malfadada copa do mundo. Em outras palavras, o pobre que não educa seus filhos, e muito menos procura protegê-lo das adversidades da vida e da natureza, que não cuida da segurança de sua casa, quer fazer festa de rico em sua morada. Quer iludir seus filhos deseducados e despreparados, que irá oferecê-lo oportunidades de emprego e de vivenciar tamanha festa (onde sua carente prole não terá condições de assisti-la), nos 30 dias de duração da mesma. Para tanto, vale gastar cerca de 30 bilhões de reais para fazer festa de rico em lugar de pobre. Educação? Saúde? Moradia? Segurança? Melhores condições de vida? Ah, deixa isso prá lá!! O importante é seguir o exemplo da Bahia: festa, festa, festa e umas telhas e sacos de cimento no período das eleições.
Caros amigos, duas palavrinhas resumem toda a diferença que faz o americano levantar a mão ao peito quando toca seu hino na rua, que faz o chileno preparar melhor seus policiais e o australiano não enterrarem mais de dez pessoas diante de uma enchente que lhe submerge 60% do seu território: educação e investimento!
Educação sim, que invista com capacitação e bons salários dos nossos professores, que ofereça escolas e universidades públicas de qualidade, que procure oferecer ao povo reais condições de preparo, inclusive para esclarecer-lhe que Copa do Mundo é coisa de rico – não de um pobre Brasil. E investimentos para ofertarem melhores condições de vida, sobretudo a estes mesmos que residem em área e zonas de riscos. A partir daí, todos nós assistiremos, com certeza, nosso povo levantar a mão ao peito quando tocar nosso belo hino, sem precisarmos de jogo de nossa seleção para estendermos nossa bandeira nas varandas do país afora.




























































Dr. Jorge Cajueiro,
Muito oportuno seu ponto de vista com relação às adversidades que recaem sobre o nosso querido Brasil.
No meio dessa desgraça toda, aparece o que de melhor o nosso povo tem: SOLIDARIEDADE, como está acontecendo com esse episódio no Rio de Janeiro.
Investimentos, educação, planejamento, prevenção ficam para os outros países, como bem definiu o senhor.
Veja o exemplo da nossa querida cidade de Ilhéus, tomada literalmente pelo lixo, pela falta de educação, pela falta de metodologia por parte da prefeitura no combate a esta situação.
Os grandes educadores deixaram registrados nos seus livros: A EDUCAÇÃO é a base de um povo, infelizmente os nossos programas educacionais deixam muito a desejar.
OBRIGADO mais uma vez por esta matéria, dura e elucidativa, que mostra o outro lado da moeda, que não é nada boa.
ZÉCARLOS JUNIOR