Heckel Januário em: LEMBRANÇAS DA EXTENSÃO RURAL
Nos idos anos 70 do século passado, Verlaine e este escrevinhador –assistentes do Rio do Braço–, e Almir Miranda, de Castelo Novo, os três extensionistas do escritório da Ceplac aqui da Capitania dos Ilhéus, por vezes, ao retornarem dessas zonas rurais faziam uma visitinha à propriedade Santo Antônio, de José Pereira da Silva e família, no Iguape. José Pereira, esclarecendo, é o Zé Quito do festejado Bar Zequitos da Praça Florêncio Gomes. Logradouro que –desviando rapidinho do encadeamento–, pode ser considerado sui generis porque, embora o nome Florêncio componha o endereçamento municipal há muito tempo, o busto que continua altaneiro no pedestal da praça é o de uma nomeação antiga, o de Mizael Tavares (outros como Miguel Alves e Juscelino Kubitschek já figuraram), histórico coronel do cacau, aliás, derrubado recentemente –e só assim!– pela ação de meliantes que tentaram surrupiar o bronze do torso e ‘torrar no cobre’; não obtendo êxito, entretanto, em razão da pesada estrutura, fato este clicado por Zé Leite, conhecido empresário da cidade, e postado em sua coluna ‘O Baú de Zé Leite’ no r2cpres, com o sugestivo título: “Forte até depois de morto”.
Bom, voltando ao caso, as frequentes visitas ligavam-se a uma pequena gleba (+ ou – 3 ha) de cacau implantado à ‘pão de ló’ pelo proprietário e orientada por Verlaine que, desde início, cismara em transforma-la numa Área de Demonstração, o que significaria despesas de produção –insumos agrícolas etc.– até a fase adulta do cacaueiro custeada pelo referido órgão do governo, tendo como contrapartida a visibilidade, ou seja, disponibiliza-la a visitação de outros produtores.
Numa fértil baixada, balizamento impecável e limpeza de fazer gosto, não seria exagero asseverar que a probabilidade de achar uma agulha, por exemplo, nela perdida fosse de cem por cento. Isso sem dizer da frutificação precoce dos pés de cacau e das bananeiras, sombreamento provisório, cujos pseudocaules pela exuberância, mais pareciam vigorosas mangueiras. Zé Quito, entusiasmado – e não era pra menos!– com o sucesso da área, a cada ida nossa ao imóvel, não deixava de servir, para nos agradar, um delicioso suco de graviola. Nesse contexto, era grande a satisfação minha e de Miranda –testemunhas oculares de todo o processo– com a excelência do plantio sob a responsabilidade do colega, mas não seriamos sinceros se também outro prazer não estivesse a nos mover: o de degustar o precioso líquido da dita fruta.
Evoluía tudo nos conforme quando (possivelmente entre 1971 e 1974 se não estou enganado) o governo estadual decide criar o Distrito Industrial de Ilhéus, justamente ali nas bandas da Santo Antônio, de Zé Quito. Nessa época, ditadura militar no auge, ACM, aplaudido e apedrejado politico, era o governador baiano nomeado. O que pese na capital com as aberturas das chamadas “avenidas de vale” por este governante ter iniciado um novo ciclo de crescimento, se dizia que o método administrativo ‘era primeiro derrubar pra depois conversar com a parte prejudica’. Dominava no país o conceito governamental do “fazer na tora”, sem avaliação das consequências, principalmente as relativas ao ser humano. Nas paragens ‘sulbaianas’ não fora diferente. No final das contas José Pereira não deixara de receber a manjada ‘grana compensatória’ pelas terras perdidas, mas “uma mixaria”, como afirma seu amigo Raimundo Lá Vai Bala, comerciário aposentado ilheense. Ao sonhador extensionista sobrou a “poda” de um sonho sonhado. Mais um esclarecimentozinho: a roça ficava ali onde se instalou a fábrica Barreto de Araújo, hoje desativada.
É isso. Medidas ou investimentos públicos com o objetivo de progresso, claro, são indispensáveis, desde que não sejam a qualquer custo. Hoje em dia frequentando o seu recinto etílico da referida praça, às recordações daquela década, Zé Quito não hesita, de sacanagem, em dizer que as orientações técnicas minha e do Almir Miranda eram o suco da graviola. Replico sempre no mesmo clima dizendo que ele bem sabe quem foi o causador do prejuízo.
Heckel Januário



























































Grande Heckel Januário, por oportuno, o Almir Miranda, será o conhecido TIGUINTE ? Parabéns pelas suas crônicas, realmente nos transporta à tempos bons, que não voltam mais, parafraseando o comediante LILICO.
Aquele abraço,
Marcus Vinícius
Oi Marcus, valeu o incentivo. Almir Miranda naqueles idos tinha o apelido de Quati, irmão de Abelardo, lembra?
Um abraço
HJ
Lembro grande Heckel, mas o pessoal aqui da Ceplac, chama ele de TIGUINTE, parece que ele pronuncia a palavra “seguinte” assim rsrsrs
Aquele abraço