Heckel Januário em: SÓ NÃO DÁ
Fotocopia autêntica, nem pensar. Nas salas de aula, a História do Brasil só depois de muito lapidada, mas não significa que não existissem cronistas e historiadores fiéis ao fato. Abordo aquele dizer que, toda história é contada à maneira do vencedor. Ou da situação dominante. Veja o nosso Rui Barbosa: ele não ficara conhecido pelo desastre provocado à nação na área econômica, desencadeando com seus atos –quando ministro da Fazenda no governo provisório de Deodoro–, uma terrível inflação, mas, pela sua intelectualidade de primeira linha, tido até como o homem que “ensinou inglês aos ingleses”.
Descendo mais a escada do palco da história, topo com um clássico desses narrativos: a imagem de dinâmico postada a D. João VI e assim, mostrado como um realizador de obras, como a de remodelar o Rio de Janeiro, a de criar o Banco do Brasil e, de atitudes como a de abrir os portos às nações amigas e a de unir o reino ao de Portugal, entre outros tantos feitos dignos de um grande administrador.
Mas narraram sim, pegando pesado nas particularidades da Família Real, e indo de encontro ao dinamismo das páginas dos livros didáticos, que o monarca era “preguiçoso” e “bonachão” (para o historiador Eduardo Bueno frente ao momento português poderá ter se tornado “um radical de cautela”) e um “glutão inveterado que ignorava as mais primárias regras de higiene e asseio”, qualidades estas desde a regência portuguesa, por ele assumida devido à loucura de sua mãe, D. Maria I. Sobre a mulher, D. Carlota Joaquina, seriam igualmente bombásticas, como a que ela “jogava água fora da bacia”: dos nove filhos do casal, cinco não seriam do rei, inclusive um, como sendo de seu camareiro. Mandar matar a mulher de um amante, gostar de fumar um baseado (o “diamba” da época e a “maconha” atual) e de se banhar nua na praia em Botafogo (bairro criado pelo seu marido) são algumas de outras tantas diabruras da rainha que também se afirmava: não gostava do Brasil.
Impensável no século XIX pormenores como estes passarem de passagem sem a devida filtragem pelos arautos da Corte, a qual perdurou no seguinte, e o alheamento do alunado. Com o avanço das chamadas liberdades democráticas, do progresso tecnológico e cientifico possibilitando pesquisas mais amiúde e desgarradas das peias da censura, fatos históricos desconhecidos vieram à tona.
Volto um degrau e de cara deparo com a Capitania dos Ilhéus (claro, a dos prefeitos e não a dos intendentes e donatários), e a lembrança de um caso que acredito relacionar com o agora historiado: o de Edvaldo José, o popular “Vado” do Bradesco. Acontece que como bancário sua figura, no real e imaginário, sempre será a do cidadão de gravata, de camisa manga comprida e do característico tom burocrático, no entanto discute-se nos meios e nos locais da cidade onde o futebol do passado é o tema, uma sua veemente afirmação de que faz parte da história ilheense neste esporte, incluindo, não com menos alarido, a de ter jogado no Maraca, o velho e majestoso estádio carioca.
O episódio, provocando ainda hoje apoios e desapoios e carecendo de escritos e fotos (sem montagens), como natural ficou o impasse da dúvida, nos levando a crer que, embora uma história seja impossível de ser contada com total fidedignidade, é importante o registro nos seus variados aspectos para uma conclusão perto da realidade. Só não dá, por exemplo, um político vigarista por excelência, ser inserido na história como um “bom caráter”, como tem acontecido com o marquetismo a todo vapor.
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Heckel Januário

























































OLA!!! sou INGRID HECKEL, Gostei d e seu texto… Seu sobrenome é HECKEL ??? DE onde vc é??? gostaria de obter informaç de sua origem e familia… eu moro em snta catarina. desd de ja agradeço … abraçs