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HISTÓRIAS DE UM ILHEENSE

 por Tomé Pacheco

NA FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL E PENITENCIÁRIA FEMININA DE SÃO PAULO

Tomé Pacheco

Fui fazer o curso de árbitro como havia anunciado no capítulo anterior na Federação Paulista de Futebol que durou um ano, com aulas ministradas às sextas-feiras.

O seu Dirceu Fernandes (um histórico mandão do futebol paulista) contava muitas histórias que aconteciam com os árbitros, inclusive com ele, que anteriormente já tinha atuado como juiz de futebol. Uma delas ele contou que estava apitando uma partida da segunda divisão e o seu bandeirinha era o Fiori. (ex-árbitro da Federal Paulista de Futebol) que não comia nada de ninguém. Até o Dulcídio Wanderley Boschilia (também famoso ex-árbitro de futebol, policial militar e advogado) tinha medo dele. O jogo estava correndo morno quando de repente um dos times imprime um contra-ataque. Ele procurou pelo bandeira. “Cadê o Fiori?”. Quando viu ele estava agarrado com o ponta-esquerda de uma equipe rolando pelo chão, na maior briga. Então o seu Dirceu parou o jogo, dirigiu-se até o ocorrido sem saber o que iria fazer.  No caminho tomou uma decisão e: “Fiori, levanta daí. Deixa de palhaçada e vamos continuar o jogo”.  E virou-se para o ponta: “Vamos parar você também essa brincadeira. O jogo aqui é sério. Será que vocês não perceberam ainda. Querem brigar ou brincar, esperem acabar o jogo”. E tocou o jogo até o final.

Sou, portanto da turma de 1985 dos formados em arbitragem pela Federal Paulista de Futebol. Como toda sinceridade eu achava que se apitava sem receber dinheiro algum; só passagem, almoço, algum presente… A minha estréia como árbitro foi em Salto de Itú, quando fui escalado para bandeirar um jogo de juvenis. Ao acabar o jogo o presidente do clube veio e me pagou. Ai então eu pensei: “Rapaz, aqui se ganha dinheiro! Vou fazer carreira”.

Com essa primeira vez debandei a apitar e a bandeirar na várzea. Procurei aprender um pouco e pegar experiência. Eu acho que funcionou. Todo final de semana eu era escalado, assim tive a oportunidade de conhecer boa parte do interior de São Paulo. Também pudera: era amigo do seu Dirceu Fernandes – o cara que mandava na escalação dos árbitros.

Então eu comecei a pegar gosto pela coisa. Como meu pensamento desde então – fazendo com que relaxasse com o serviço – só era voltado para arbitragem, fui transferido como perseguição para a Penitenciária Feminino da capital, onde permaneci por um ano e quatro meses. Lá não houve muita história devido ao pouco tempo que passei, mesmo assim sugiram algumas.

Fui trabalhar na parte burocrática. Todas as presas que lá entravam tinham que passar por minha sala, para ser feito o cadastramento. Nesse meio apareceu uma linda mulher que não era malandra e sim laranja de um traficante.  Digo com sinceridade: Foi amor a primeira vista. Outros colegas também se apaixonaram, como o Anselmo. Este começou a sentir ciúmes de mim e foi aquela disputa. Certa vez estava trocando beijos com a referida prisioneira quando o Anselmo apareceu louco de ciúmes e não deu outra: correu até a diretoria da Penitenciária e me denunciou. Daí para frente minha vida virou dos pés a cabeça. A presa foi transferida para o Presídio do Tremembé e eu fiquei jogado às traças, proibido de adentrar ao Presídio Feminino. Ta vendo aí o que o homem é capaz de fazer por uma linda mulher?

Certa feita aconteceu uma rebelião no Pavilhão 1. Pegaram a diretora de disciplina como refém. Como algumas eram aidéticas, quebraram garrafas e ameaçavam se cortarem e contaminar a diretora com o sangue.  Eu e um colega chegamos bem na hora que elas estavam fechando o portão. Então eu falei para o colega: “Vamos derrubar o portão e cobrir essa aidéticas de porrada e tirar a diretora daí”. Ele não topou. Ai foi um alvoroço só. O complexo do Carandiru foi cercado pela polícia e adentraram autoridades e muitos jornalistas.   No final quando do resgate da diretora, eu estava na linha de frente. Saí do Pavilhão abraçado com ela e fui fotografado pela Folha de São Paulo, foto que até hoje eu tenho comigo. Quem só acredita em fatos documentados é só me procurar.

Voltando à arbitragem. Às sextas-feiras era dia dos árbitros se encontrarem em frente da Federação Paulista de Futebol, pois era dia do anúncio da escala. Conversávamos vários assuntos, não só sobre arbitragem. José Aparecido de Oliveira, Paulo Cesar, Godói, Dulcídio, Aragão, Romualdo, Wlisses, Sergio Correia, vez ou outra, Arnaldo Cesar Coelho, José Roberto Wright entre outros, apareciam para papear. Eram altos papos.

Minha trajetória começa a pegar firme em 1986. Certa feita eu e o Sergio Correia, hoje membro da comissão de arbitragem da CBF(Confederação Brasileira de Futebol), e Waldemir, tira mais bravo do que eu, fomos apitar um jogo em Serra Negra pela Terceira Divisão. Era um jogo de classificação. No primeiro tempo fizemos uma arbitragem normal. Acontece que quando estávamos no vestiário, no intervalo do jogo, o presidente do Serra Negra (clube do mesmo nome da cidade) aos berros o adentrou e nos ameaçou dizendo que se ele não ganhasse aquele jogo nós não sairíamos vivo da cidade. Eu levantei e, como fomos ameaçados de morte, portanto sujeitos a morrer, dei um tapa no pé do ouvido do sujeito que o danado se esborrachou nos pés dos policiais. Estes, como o presidente exercia uma grande influência na cidade, nada fizeram por morriam de medo.

Após os policiais terem levantado o sujeito eu disse pra eles: “Vocês erraram. Não deviam deixar ninguém entrar aqui no vestiário. Vestiário serve para nós árbitros descansarmos tranqüilos”. O Sérgio, um dos bandeiras, mesmo sendo tenente da Aeronáutica, não mexeu uma palha. Só dava risada, deixando eu e o Waldemir, o outro bandeira, doidos, como dois galos de briga, querendo matar o presidente do clube Serra Negra de porrada.  No segundo tempo, do alambrado do estádio, junto a outros torcedores ele ficou a me ameaçar: Amanhã eu vou a Federação conversar com o Farah (Eduardo José Farah na época Presidente da Federação Paulista de Futebol) seu filho disso, filho daquilo. Você nunca mais vai bandeirar em lugar nenhum. Eu sou amigo dele. Eu virei para trás e respondi: “Rapaz, você não serve nem para engraxar as botas do Farah! Você sabe o que você é: é um babaca de marca maior. Se está querendo apanhar mais, quando terminar o jogo vai lá no vestiário”. Eu só sei que ele sumiu do campo.

Outra vez fui apitar um jogo de classificação entre São Simão e Guariba. Um dos bandeiras era o Artur Alves Pinto, tinha 18 anos e tinha sido de minha turma de curso. Num momento houve um gol de São Simão. Olhei para o Arthur e o vi correndo para o meio do campo afirmando a legalidade do gol. Só que alguns jogadores do Guariba chegaram pra mim e disseram que viram o bandeirinha Arthur levantar a bandeira. Então fui consultá-lo. Ele disse pra mim: “Eu levantei a bandeira, mas você não olhou, então eu corri para o meio de campo e confirmei o gol”. Eu virei pra ele e: “Rapaz, o que foi que nós aprendemos na escola, no curso que fizemos?”. O Arthur respondeu “Levantou a bandeira, segura; não pode abaixar”. Então eu decidi: “Vou anular o gol, e você se prepara porque vai tomar uns chega pra lá da torcida para aprender”. Não deu outra. Titulares e reservas do São Simão fecharam em cima dele e ai foi um tumulto danado. Quando terminou o fuzuê, expulsei todo o bando de reserva e o capitão do time. O jogo estava tenso e eu esperando o pior. Só que, parecendo que meu anjo da guarda estava de plantão, aos 47 minutos do segundo tempo, já nos acréscimos, portanto, o São Simão fez o gol de empate. Mesmo assim tivemos que ir para a Rodoviária, escoltados pela policia até a chegada do ônibus.

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