AS ORÍGENS E A HISTÓRIA DA MAÇONARIA – PARTE III

Ir.’. Everaldo
A MAÇONARIA MODERNA
O primeiro registro da palavra “maçom” na Idade Moderna foi feito pelo antiquário e rosa-cruz inglês Elias Ashmole (1617 – 1692) também muito interessado em química e plantas medicinais. Ashmole dedicou-se ao estudo da alquimia e em 1650 publicou o Fascículo Chemicus (sob o pseudônimo de James Hasholle), uma tradução inglesa de dois trabalhos alquímicos latinos. Em 1652 publicou sua melhor obra: Theatrum Chemicum Britannicum, uma compilação de poemas alquímicos em inglês com notas explicativas. Foi membro da Royal Society (1661).
Em 16 de outubro de 1646 Ashmole escreve em seu diário: “Fui feito maçom livre em Warrington, em Lancashire, por Henry Mainwaring (seu sogro), de Karincham, em Cheshire”. Ashmole manteve bom relacionamento com a Ordem, pois em 1682 ainda frequentava reuniões e anotou no diário que em 11 de março participou de um jantar na Mason’s Hall, em Londres.
Nesse período não havia rituais com graus sequenciais na Maçonaria, apenas duas cerimônias impulsionavam o maçom à sua inciação: a Recepção do Candidato e a Passagem do Aprendiz para o grau de Companheiro, aliás, preceitos baseados na Carta de York de 926dC.
A Moaçonaria Moderna surge em 24 de junho de 1717 (Dia de São João Batista). Nesse dia, quatro maçons londrinos que praticavam rituais elaborados (transcritos) por Elias Ashmole, se encontraram na cervejaria Goose & Gridiron de St. Paul, e criaram a Grande Loja da Inglaterra.
Três deles são eleitos grandes vigilantes. O quarto maçom, Anthony Sayer, não era pedreiro, mas era membro da Loja Apple Tree Tavern (hoje Fortitude and Old Cumberland N° 12) e foi empossado como grão-diretor sênior da Grande Loja da Inglaterra.
Durante um tempo a Grande Loja foi usada para o banquete anual das lojas londrinas. Em 1718 Anthony Sayer é sucedido por George Payne.
Sayer passou a ser guardião da Loja Old King Arms n° 28 _ na qual está registrada sua morte em 6 de janeiro de 1742. E em 1719, o clérigo John Theophilus Desaguliers substitui a George Payne. Desaguliers nasceu em La Rochlle (França) em 13 de março de 1683 e faleceu em 29 de fevereiro de 1744 em Londres. Era membro da Royal Society de Londres desde 29 de julho de 1714 na qual recebeu a medalha Copley em 1734, 1736 e 1741, essa última por descobrir as propriedades da eletricidade. Desaguliers ajudou Isaac Newton em suas experiências e fez muito pela Maçonaria. Em 1720 George Payne volta ao cargo e compila os Regulamentos Gerais.
Em 1721 o grão-mestre era John Montagu, o duque de Montagu, aprova os Regulamentos e fica no cargo até 1723 quando é publicado os Regulamentos Gerais ou “Constituição de Anderson” (baseada nos antigos estatutos). O texto foi escrito pelo pastor presbiteriano James Anderson e veio à luz em 24 de junho de 1723. Nesse momento encerra-se o período da Maçonaria Operativa e dá-se início à Moderna (Simbólica). Nessa obra aparece pela primeira vez a palavra landmark, depois suprida por rules (regras). Em 1734 foi editada por Benjamin Franklin (o primeiro livro maçônico impresso na América).
Então a Grande Loja se firma como corpo regulador dos maçons na Inglaterra. Tal abertura propicia a filiação de membros estrangeiros e as reuniões passaram a ser trimestrais. Ganha autoridade para fazer novos regulamentos ou alterá-los em benefício da Ordem, mas sem mudar os landmarks. Em inglês os landmarks são “pontos de referência”, “marcos”, preceitos antigos e inalteráveis. Trocando em miúdos: é conjunto de princípios que não podem ser mudados – o objetivo é manter a unidade maçônica mundial. Um dos preceitos, por exemplo, é a obrigatoriedade dos maçons filiados crerem num ser superior (O Grande Arquiteto do Universo). O 25° landmark (último) diz que nada poderá ser mudado nos landmarks: Nolumus Leges Mutari!
A palavra “landmark” aparece na Bíblia (Provérbios 22:28): “não remova os antigos marcos que teus pais fixaram” – chamando atenção para os limites da terra marcados com colunas de pedra. Há outra citação da Lei Judaica: “Não remova os marcos vizinhos, eles têm sido usados desde os tempos antigos para definir as heranças”.
Segundo o historiador americano Mark Tabbert, curador de coleções maçônicas, as regulamentações atuais dos landmarks são derivadas das regras medievais dos pedreiros ancestrais.
Se sim ou se não, a classificação dos landmarks foi por feita Albert Gallatin Mackey no artigo “As Fundações da Lei Maçônica” que escreveu para a revista American Quarterly Review of Freemasonry, em 1858. Ele destacava três características básicas: antiguidade imemorial nacional; universalidade; e absoluta irrevogabilidade, que depois ele incluiu em seu livro “Text Book of Masonic Jurisprudence”. Desde então a lista de 25 landmarks foi adotada por várias Grandes Lojas americanas. Mackey foi iniciado em 1841 na Loja Saint Andrews N° 10 (Carolina do Sul). Foi venerável-mestre da Loja Salomon N° 1 (Charleston). Tornou-se Cavaleiro Templário em South Carolina Encampment n° l em 1842 e seu comandante em 1844. Em 1851 foi membro fundador da Loja Landmark N° 76 e grande-secretário de 1842 – 1867 (Carolina do Sul). Morreu em 1881.
A MAÇONARIA SE EXPANDE
eM 1723 a Grande Loja controlava mais de 100 lojas na Inglaterra e País de Gales e autorizou a abertura de lojas em vários países como a Irlanda (1725), França (1728) América do Norte (1733), Escócia (1736), depois Austrália, África e América do Sul.
Na Inglaterra as reuniões eram anunciadas nos jornais locais e havia grande atenção do público. Para atrair leitores, os periódicos publicavam ensaios revelando “segredos maçônicos”. Tamanha publicidade gerou interesse de aristocratas, da nobreza e de profissionais querendo se filiar. Mexeu tanto com as pessoas que o interesse atingiu a realeza. Em 1737 foi iniciado o primeiro maçom de sangue azul: Frederick Louis, filho de rei George II. Frederick (príncipe de Gales e duque de Edinburgo) nasceu em 1° de fevereiro de 1707. Gostava de pintar, patrocinava artistas, se interessava por música e críquete – esporte popular na época e do qual teve um time. Antes de falecer em 31 de março de 1751, doou o Poema Régio ao Museu Britânico.
No nosso próximo texto, referente ao tema em foco, continuaremos abordando o período Maçonaria Moderna.
JOSÉ EVERALDO ANDRADE SOUZA
MESTRE MAÇOM DA LOJA ELIAS OCKÉ N° 1841
ORIENTE DE ILHÉUS – BAHIA
FEDERADA AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL – RITO BRASILEIRO.
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