DECOLORES
Tenho hábito de ler, estudar e pesquisar todos escritos sobre Ilhéus, recentemente deparei-me sobre o tema acima no livro “Notícia Histórica de Ilhéus” do grande mestre Professôr e escritor Ilheense Arléo Barbosa.
“Até meados da década de vinte, dois gentílicos eram usados para o nativo de Ilhéus: Ilheense ou Ilheuense. O termo Ilheense era usado pelas pessoas cultas e o outro era mais popular. As duas formas eram discutidas pelos estudiosos da terra sem que, entretanto, se chegasse a qualquer conclusão. Em 1924, Luiz Edmundo, pseudônimo de eficiente professor de Português, da cidade, teve a idéia de submeter a questão ao veredicto do famoso filólogo João Ribeiro.
Diante da exposição de motivos apresentados pelo professor de Ilhéus, o ilustre gramático respondeu da seguinte maneira:”
“Resumindo a sua longa consulta vemos que a forma ilheuense é a mais popular e a ilheense a preferida por pessoas cultas. O hiato existe em ambas as formas e o hiato não é um vicio., mas simples ocorrência por vezes inevitável. O hiato só é vicioso quando propositadamente empregado, a não ser para qualquer efeito onomatopaico. O contrário seria condenar todas as vozes que contém hiatos e são inumeráveis.
De todas as formas propostas a que me parece mais razoável é a que não altera a palavra primitiva, que de si mesma é um nome gentílico .
Entendendo que os ilhéus é designação suficiente para os habitantes do lugar como o dos “bornéus” e o dos jaós ou jaús, naturais de Jaúa (hoje mais comum é Java) e os maranhões expressão antiga.
Os nomes gentílicos oferecem grande variedade de formas com sufixos: ano, ense, iço, etc.
No Brasil, o sufixo isto exemplifica-se em geralista (habitante dos geraes, campo ou planalto interior) e nortista, sulista (habitante do norte e do sul) expressões desconhecidas em Portugal e ali designadas como brasileirismo.
`Poder-se-ia dizer de vez de Ilhéus ou ilheistas, como propriedade igual à dos nomes citados. Não aconselhamos, porém, um emprego sem uso que ainda não foi consagrado pelo povo que é em geral, o árbitro nessas indecisões.
Nenhum dos termos apontados desmerece o apoio que receberam ilheense e ilheuense.
Eu diria Ilhéus, ou ilheista, preferentemente a primeira. Causa espécie que não tenha aparecido na sua resenha o termo-ilheano de pronúncia mais suave que – ilheuense ou mesmo ilheense.
Como quer que seja, parece que o tempo dirá a última palavra nessa vacilações.
Não é este o caso único a registrar entre os gentílicos locais brasileiros que são por vezes extravagantes como Matogrossense ou Riograndense do sul, que parecem já agora inevitáveis e seria tolices pôr embargos a essas palavras sesquipedaes análogas São Johanenses d´El – Rei.
A cidade do Rio de Janeiro adotou “carioca” como gentílico local e o Estado do Rio de Janeiro o nome erudito de “fluminense” neologismos cômodos.
O helenista Vilhena no princípio do século passado criou o termo erudito “soteropolitano” (de soterópolis). Cidade do Salvador, para os da Bahia.
Os mineiros fizeram muito bem em suprimir o segundo termo do radical Minas Gerais.
Tudo, porém depende do uso que conseguiu generalizar-se e que nos devemos submeter sem acoimar.
Essa a verdadeira lição nas questões do vocabulário.
Também esse é o momento mais propício às pessoas doutas que queiram intervir com esperança de resultado aproveitável” Ass. João Ribeiro
Atualmente o gentílico usado é ilheense. Tudo indica que as pessoas doutas, conseguiram influenciar e o tempo como diria o grande estudioso da língua portuguesa, deu a sua última palavra.
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Luiz Castro
Participante do MCC




























































